O enigma da vida
Imagem: traceloops
Fonte: Tumbir
Se eu tivesse o Dom de voar
voaria entre as nuvens vermelhas recolheria
beijos ardentes que deixei de provar.
Se eu tivesse o Dom de poetizar
rescreveria meu passado
rompendo o casulo ao som do luar.
A luz do coração instante perpassou, brilhou
obrigando-me a partir.
Claudiane Ferreira
Indriso é um poema formado por dois tercetos e duas estrofes de verso único duplicados.
Foi criado pelo espanhol Isidro Iturat, que é escritor e professor de língua e literatura espanholas. que vive em São Paulo desde 2005
" Um objeto como a poesia é uma plasmação artística de tudo aquilo que o ser humano é e capta do mundo(...) Tentar percebê-la só através da função intelectual é impossível(...)
Fonte:http://www.revistasamizdat.com/2009/07/revista-samizdat-entrevista-isidro.html
Ode à loucura...de amar viver!
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Poema,
Ronaldo Savazoni
| Foto de Ronaldo Savazoni |
Você quer ser perfeito?
Seja!
Quer procurar por ela?
Procure...
Assim, sobra-me mais vida pra eu
viver!
Enquanto procuras por ela,
eu a desprezo,
eu a ignoro!
Veja lá, nas prateleiras dos
sentimentos,
talvez a encontre
soberba e inútil e prepotente
e muito, muito cara
para se adquiri-la!
Quanto custa?
Ah!, a bagatela de morrer em
vida,
ou de viver a vida em morte!
Tu mesmo escolhes!
Ela aceita qualquer das duas...
Porque a perfeição é ausência de
vida...
É ausência de movimento...
É ausência de tempo, pois
O que é perfeito não se
movimenta.
Porque o faria?
Para onde iria?
O que é perfeito ignora o tempo.
Que significado pode ter o tempo
para a perfeição?
O seu passar ou não?
A perfeição não se completa
com nenhuma coisa,
não se preenche,
não se renova,
porque nada, nenhuma coisa
lhe faz falta,
ou excede...
É perfeito!
Só a morte é assim...
Só a ausência de vida é assim!
Às favas com a perfeição!!!
Eu quero a vida!
Quero o movimento de ir e vir,
parar, continuar, cansar,
descansar,
voltar, regredir, avançar!
Quero ver e sentir o tempo passar
para poder olhar pra trás de mim
do que já fui,
e pra frente do que posso ser!
Quero fazer e deixar de fazer,
errar e acertar e
errar de novo e
de novo e
de novo acertar!
Não me macem com a perfeição!
Não me ofereçam-na!
Não me deem o que é perfeito!
Sou humano!
E com todo direito a sê-lo!
Gosto disso!
Amo ser humano!
E o ser humano!
Se a querem, fiquem com ela,
procurem-na, inutilmente...
assim a tua parte de vida e viver
fica comigo!
Quero você, oh! vida!
Vida minha!
Te quero e Te amo,
infinitamente...
loucamente...
desesperadamente...
conscientemente...
Feliz!
Mentiras que são verdadeiras
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Prosa poética,
Ronaldo Savazoni
Tudo o que eu falo, escrevendo do amor, não é verdade.
Não é a minha verdade.
É apenas o meu desejo de que ele seja da maneira
como o meu desejo quer que ele seja.
Não o sinto assim como o desejo sentir em mim,
Talvez, até, nunca o tenha sentido assim,
Nem de outra maneira qualquer.
Não, nem nunca o tenha sentido
de qualquer maneira que se possa senti-lo.
Apenas o meu desejo de te-lo assim, dessa forma,
em mim, é existente desde sempre.
Apenas o que eu sentiria, se o sentisse,
é o que de verdade há em mim.
Apenas o que eu faria, se o conhecesse,
pelo meu querer do que ele seja,
é verdadeiro em mim.
Um dia, talvez, eu realize o meu querer desse amor
e este querer louco de amar você loucamente.
Um dia, talvez, o meu amor de amar
não seja tão impossível em mim.
Quanto mais cresce em mim este amor de amar,
Mais me vejo distante, amando,
Mais impossível me amar de amor é,
Porque eu não amo na realidade do que é real,
Mas na realidade do que é real do meu amor em mim.
Não é real o que eu sinto de amar, pois
é tanto o amor que me preenche,
que me sufoca com prazer,
que me transborda todo o meu ser e
que me afoga e
que me mata de tanta vida que me dá!
Nada sei de amar apenas,
Só sei amar como meu amor de amar...você!
É apenas o meu desejo de que ele seja da maneira
como o meu desejo quer que ele seja.
Não o sinto assim como o desejo sentir em mim,
Talvez, até, nunca o tenha sentido assim,
Nem de outra maneira qualquer.
Não, nem nunca o tenha sentido
de qualquer maneira que se possa senti-lo.
Apenas o meu desejo de te-lo assim, dessa forma,
em mim, é existente desde sempre.
Apenas o que eu sentiria, se o sentisse,
é o que de verdade há em mim.
Apenas o que eu faria, se o conhecesse,
pelo meu querer do que ele seja,
é verdadeiro em mim.
Um dia, talvez, eu realize o meu querer desse amor
e este querer louco de amar você loucamente.
Um dia, talvez, o meu amor de amar
não seja tão impossível em mim.
Quanto mais cresce em mim este amor de amar,
Mais me vejo distante, amando,
Mais impossível me amar de amor é,
Porque eu não amo na realidade do que é real,
Mas na realidade do que é real do meu amor em mim.
Não é real o que eu sinto de amar, pois
é tanto o amor que me preenche,
que me sufoca com prazer,
que me transborda todo o meu ser e
que me afoga e
que me mata de tanta vida que me dá!
Nada sei de amar apenas,
Só sei amar como meu amor de amar...você!
(De que vale um sentir de amor tão louco,
se só eu é que o sinto, sozinho?
Você é o que meu amor quer amar,
e o meu desencanto não é desencanto do amor,
é apenas o de amar e não ser você o meu amor!)
AMORECANDO
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Carlos Neves,
Poema
Assim é o
amor
gestos e
ecos
de cá para
lá
de lá para
cá
Que não é
eco
isso bem sei
amor só é
amor
se o amar
ecoar
Imagem retirada da web
LitoNazareth2015
"Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor."
(Clarice Lispector)
Anjo meu
Labels:
Josué Brito,
Poema
Envolva-me com tua mão
e deixe-me sentir, um pouco da ilusão
de não te ter aqui... deixe-me por
um instante sonhar que me beijas,
finjas que me ama e que vives como
eu vivo...
e deixe-me sentir, um pouco da ilusão
de não te ter aqui... deixe-me por
um instante sonhar que me beijas,
finjas que me ama e que vives como
eu vivo...
Sejas por um segundo humana
e me permita te tocar. Tu és tão linda
e tão perfeita que não tenho outra opção
se não loucamente me apaixonar...
e me permita te tocar. Tu és tão linda
e tão perfeita que não tenho outra opção
se não loucamente me apaixonar...
Por onde me perdi, só vivo por ti,
agora não tenho mais como mudar,
tu és o caminho que sigo nas noites
vazias, o céu que persigo sem compreender...
agora não tenho mais como mudar,
tu és o caminho que sigo nas noites
vazias, o céu que persigo sem compreender...
Se o universo existe, sejas por um instante,
tal como estrela e venhas ao chão, só para
que eu sinta teu perfume, sejas rosa, sejas
deusa... Mulher de um puro coração...
tal como estrela e venhas ao chão, só para
que eu sinta teu perfume, sejas rosa, sejas
deusa... Mulher de um puro coração...
Pegues as vestes que cobrem tua alma,
deixe-as por um instante cair, entregas
para um anjo toda a profundidade do teu
beijo e para um humano basta o vapor
dos lábios teus...
deixe-as por um instante cair, entregas
para um anjo toda a profundidade do teu
beijo e para um humano basta o vapor
dos lábios teus...
Josué Brito
Velho-Maduro
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Gilberto de Almeida,
Pensamento
Envelhecer é distrair-se...
... com a fragilidade das rugas...
Amadurecer é abstrair-se...
... da futilidade das rusgas!
Gilberto de Almeida
24/01/2015
Displicente...
Labels:
Poemeto,
Ronaldo Savazoni
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| Imagem Web |
Displicente,
é como sempre fui,
sempre assim
meio cá, meio lá,
nunca ao meio certo...
meio que sem regras,
ou totalmente solto...
nem futuro,
nem passado,
nem mesmo presente,
sempre diferente,
sempre meio assim
displicente...
Ah! não vai embora não
ideia de mim!
mesmo que eu,
confusamente,
mesmo que eu,
assim,
ausente,
só consiga me ver
displicente,
sem sonhos de sonhar
comigo,
consigo,
ser diferente,
só mesmo assim,
indiferente!
Ahh..mas, mesmo assim
não me abandona,
ideia de mim!
Frutos do desapego -
Imagem: Claudiane
Fruta de verão
No pêssego que
descasco, encontro a pele
da infância: o sabor
frio da árvore que emerge
da madrugada,
antes que o sol a limpe
da noite
E ao comê-lo,
liberto a polpa do caroço,
seco, que guardo no bolso
para semente noutra
terra. Assim, de árvore
em árvore, a infância
do fruto não se perde: e
alguém, ao repetir
o meu gesto, descobrirá
que o poema alimentou
esta raiz com o seu adubo
de palavras.
Nuno Júdice - In Geometria Variável
Quadras para agradecer o imenso carinho
Do pêssego para a goiabeira
não me esqueço do araçá
tombos na ladeira
gargalhadas vim salientar
De Lisboa a Saquarema
Obrigada Susete, pelo Júdice e os postais
desapego foi o tema
até mais.
Claudiane Ferreira
Sombra
Labels:
Isa Lisboa,
Poema
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| Arte: Rahaf Dk Albab |
Mar de sal
Lavando o rosto
O coração
Escorrendo
Pelos olhos
Morfeu abandonou-me
Só o cansaço
O fará abraçar-me
Rendida
Me esqueci
Exausta me deixei ir
Para lá da luz de Mim;
A sombra era precisa
Para saber que ela
Não sou eu.
Bato à porta
Procurando o silêncio
Apenas para não conseguir
Ouvi-lo.
Gritaria.
Mas perdi a voz.
Isa Lisboa
O CICLO DA VIDA.
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Crônica,
Maristela Ormond
O CICLO DA VIDA
(Por
Maristela Ormond)
![]() |
| Imagem retirada da web |
Aprendemos
a caminhar, a falar, chorar diante de uma necessidade para chamar atenção de
nossos cuidadores, chamar pela mãe toda vez que precisamos de proteção. Tudo
isso se aprende quando pequeno e vamos levando até que convenhamos, crescemos e
nos sentimos donos de nosso próprio nariz.
A
partir daí sentimos a necessidade de sermos nós por nós mesmos, esquecemos até
muitas vezes que temos um afago gostoso nos esperando se tudo der errado, um
beijo de boa noite, um sorriso de bom dia, temos para onde voltar... E por
incrível que pareça só nos lembramos de que temos tudo isso, se realmente
perdermos essas referências.
De
repente encontramos o amor de nossas vidas, montamos um local aconchegante para
vivenciar esse amor e deixamos de lado nossos velhos amores. Claro que não
radicalmente, mas as visitas tornam-se cada vez menos frequentes as opiniões
que antes nos eram imprescindíveis, já não são mais...
Um
dia, descobrimos que nossas referências, nossos pais, estão velhos e são eles
agora que necessitam de nosso carinho, nosso afago. Descobrimos que quanto mais
passa o tempo, mais nos tornamos adultos e eles crianças.
Descobrimos
que seus ouvidos já não são mais os mesmos de antigamente, entendem coisas que
não dissemos e se dissemos também não compreendem mais. Descobrimos que seus
olhos agora têm uma névoa e que não enxergam como antigamente, confundindo as
fisionomias dos próprios filhos, descobrimos que caminham com dificuldade,
quando antes nos faziam subir até o teto em seus braços fortes. Descobrimos que
suas mãos estão trêmulas e já não seguram mais uma colher para se alimentar e
por isso precisam de ajuda para fazê-lo. Descobrimos que voltaram ao tempo da
criança que precisa de ajuda para fazer as coisas que fazemos com tanta facilidade
porque ainda somos fortes e descobrimos também nesse momento da vida o quanto
precisamos deles ainda, que temos vontade de chamar, gritar para que nos
acompanhem de mãos dadas a algum lugar, descobrimos que sentimos falta da
história que contavam para adormecermos. Descobrimos que precisamos de suas
presenças e que já não podemos mais contar com ela.
Descobrimos
tarde demais... Tarde demais...
Nossos
amores reiniciam o ciclo da vida e esse ciclo pertence a todos os seres humanos,
inclusive nós, os poderosos, fortes, irresistíveis, imbatíveis...
Rascunhos...partes de mim
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Poemeto,
Ronaldo Savazoni
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| Meu Rascunho |
Um rascunho do que sou
ou das coisas que sinto,
não importa.
É o mesmo.
Sou eu.
Muita vez ignorado
em meio
a tantos outros,
algo assim como
quando nos misturamos
à multidão...
Uma solidão
de estar só entre tantos...
Nenhuma coisa
do que sou
ou do que sinto,
é mais que isso:
um rascunho,
um improviso,
esquecido, talvez
sem concretizar,
sem passar a limpo.
Rabisco mal feito,
apressadamente
incompleto,
sem destino certo
ou definido.
Talvez sem futuro.
Quiçá uma obra
inacabada,
esperando por conclusão
e, ainda assim,
uma esperança.
Mas, seja como for
e além de tudo,
um original.
Escrevo e sinto o que
escrevo porque
hoje é sábado
e amanhã é domingo
e porque, para mim
e para minha vida,
essa diferença é
sem sentido!
Realidade minha,
impar, consciente de si mesma
e que, mesmo misturada
à realidade real,
ainda assim, unica,
absurdamente,
involuntariamente
minha!
impar, consciente de si mesma
e que, mesmo misturada
à realidade real,
ainda assim, unica,
absurdamente,
involuntariamente
minha!
Eu, em Pessoa...
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Poema,
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Eu não sei se gosto de escrever.
Às vezes as ideias se me
atropelam em meu cérebro,
e numa tal velocidade que não
consigo encostar as ideias à escrita.
Muito de mim se perde nesses
intervalos.
Fico incompleto.
Tal qual estava antes.
Por isso, talvez, eu relute em
escrever.
O sentido de mim mesmo fica
perdido,
porque meus pensamentos sobre
todas as coisas
que quero fazer e ser e penso,
são tão mais rápidos
do que posso torná-los
compreensíveis pela escrita.
Também não gosto de rimas.
Falar os pensamentos
escrevendo-os e rimando-os é
formar um entendimento onde o
entendimento deixa de existir.
É não ser natural.
É não ter a espontaneidade que
tem a vida e o ato de viver.
É negar o movimento e o tempo, o
descuido, o informal, o impetuoso,
o único, o inconveniente, o
rápido, o verdadeiro, o real.
A rima torna a poesia incompleta
no seu verdadeiro sentido.
A minha vida não tem rimas, por
isso o seu sentido é completo para mim.
Não há concordância entre os
versos que compõe o meu dia-a-dia.
Ninguém jamais conseguiria me
biografar
utilizando a concordância, ou a
métrica, ou a harmonia e a cadencia
de uma poesia com rimas,
clássica, enfadonha, previsível.
Não existem, apenas, versos
decassílabos, ou dodecassílabos,
nem mesmo versos alexandrinos ou
redondilha maior ou menor
que possam dar vida à minha vida.
Por isso não gosto de rimas em
poesia.
Porque minha vida e minha
existência é real.
Eu não forço a minha vida
a existir e nem existo em vida,
forçosamente.
Eu sinto tudo fluir no entorno de
mim.
Eu próprio sou um fluido de mim
mesmo,
alguma coisa que se acumula em si
mesma,
que nunca é igual em nenhum
instante do viver,
mas que, na essência do existir,
é sempre o mesmo.
Às vezes quero ser diferente do
que sou,
ou ser o que sou e pensar
diferente do que penso.
Nunca há, em mim, uma
concordância entre o que sou
e o que penso que sou de mim
mesmo.
Sempre tenho comigo a nítida
sensação de ser mais que um
e o meu todo é sempre dividido
entre eu e o que sou de mim.
(Muitas vezes aquele que já fui
vem dizer “olá!” àquele que estou sendo, e
aquele que quero ser muitas vezes
sente medo
de querer ser e volta a ser o que
estou sendo agora.)
Pensar o futuro ou desejar coisas
que estão ainda por acontecer
é transformar o presente que
estou vivendo,
porque todo futuro é consequência
do presente,
dos meus atos e pensamentos de
agora,
e todo o meu passado também o é
porque já existiu como presente.
Passado é o presente que deixou
de existir e
o futuro é o presente que ainda
não me dispus a concretizar.
(Hoje eu já pensei tantas coisas
que eu queria escrever, e
já formulei em meus monólogos
internos tanta poesia, e
já conversei comigo mesmo na
forma de poesia tantas coisas, e,
no entanto, agora, já de
noitinha, não me recordo de coisa alguma
que pudesse ter algum
significado, além do significado de só existir!)
Eu gosto das coisas que eu penso,
na forma e conteúdo de como eu as
penso,
e sinto vontade de as partilhar e
aos meus
momentos de lucidez e consciência
viva.
São instantes de clareza, de objetividade
e que me fazem
sentir a vida de uma forma
diferente daquele modo habitual
ao qual eu estou acostumado.
É assim como se as verdades, ou
as coisas que compõe a verdade,
saltassem aos meus olhos e então
eu me sinto verdadeiro, real, certo,
tão absolutamente certo como se
Deus estivesse revelado em mim;
tão certo como se todas as leis
do Universo tivessem sido sancionadas,
promulgadas e ditadas por mim.
(E eu sei que isto não é, nem de
longe, nenhuma verdade!)
Convicção. Verdades. Certezas.
Dogmas. Teorias.
Realidade. Onde estão?
Onde encontrar a convicção de
estar convicto?
Ou a verdade da própria verdade?
E, ainda, como ter certeza da
própria certeza?
Não. Eu não me importo com isso
tudo.
O que, deverás tem importância
para a vida são os opostos;
O Real e Irreal. O Feio e Belo. O
Largo e o Estreito. O Fundo e o Raso.
O Certo e o Errado. O Alto e o
Baixo. A Luz e as Trevas. O Frio e o Calor.
O Amor e o Ódio. O Pequeno e o
Grande. A Alegria e a Tristeza.
O Eu e o mesmo de Mim.
Eu tenho que ter em mim todo o
contraditório das coisas que existem.
São elas mesmas que me permitirão
exercer o poder
da escolha entre o eu que tenho
comigo, escondido de mim, agora
e o eu que já estou sendo hoje,
ontem...amanhã, talvez!
Há uma luz que ilumina o meu caminho
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Prosa poética,
Ronaldo Savazoni
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| Imagem Web |
Há uma luz que
ilumina o meu caminho, uma luz que ilumina os caminhos de todos nós, de cada um
de nós. Luz que clareia e que norteia os meus pensamentos e as minhas atitudes,
os pensamentos e atitudes de todos nós, de cada um de nós.
Sei que Te amo
em todas as coisas que existem entre o Céu e a Terra e sei que sou amado por Ti
e sei com toda certeza porque tenho olhos de ver e sentidos de sentir e ouvidos
de escutar.
Pois, quando
olho, sinto e ouço, o entorno de mim é a verdadeira expressão da vida e o que
vejo, sinto e ouço são todas as coisas que o homem não possui controle sobre sua existência. São
coisas que assoberbam o meu entendimento e compreensão pois que lhes sinto a vida em exuberância e
de forma independente, sem que meu esforço, o esforço de qualquer homem, fosse
necessário, não somente à sua existência , mas, principalmente, à sua
manutenção.
A Natureza com
toda a diversidade de vida que abriga, sempre que lhe presto atenção, ela me
diz da desigualdade e da beleza que há na desigualdade. E da harmonia que é
possível e existente entre os desiguais. Desde então, eu nunca mais me
preocupei com a igualdade entre os seres viventes. Desde então, o único valor
que tem gerado o meu discernimento é a harmonia. É o estar em harmonia.
Já não mais me
preocupa a perfeição, porque quando sinto as coisas à minha volta, com os meus
sentidos, o que percebo, nitidamente, claramente, é o movimento. Movimento que
provoca e que faz mudar, que faz adaptar, que faz transcender.
Movimento que
transforma a semente em flor.
Movimento que
transforma a semente em árvore.
Movimento que
transforma o broto da fruta na própria fruta.
Movimento que
dá ao pássaro o poder de voar.
Movimento que
dá aos meus passos o sentido de caminhar, de ir e vir.
Movimento que
faz o meu espírito ser ou não ser. De existir com verdade ou ser uma mentira
apenas existindo.
O movimento e
o tempo de existir são imperfeitos porque a única coisa que lhes importa, é ser
o que são enquanto existem.
A ausência do
movimento é a perfeição porque tudo que é perfeito não pode mudar e não pode
transformar e não pode transcender. Não pode jamais, em tempo algum, ser outra
coisa diferente daquilo que já é. Não pode viver.
Não.
Não me falem
de perfeição.
Eu quero a
vida.
Eu quero a
transformação.
Eu quero a
mudança.
Eu quero a
transcendência.
Eu quero o
movimento e o tempo.
Eu quero a
eternidade para ser cada vez melhor.
E sentir o
prazer sempre renovado de estar sempre caminhando em Tua direção.
Quando o brilho de sua estrela interior resplandecerá?
Art: Rodrigo Marques
Fonte: http://romaarte.tumblr.com/
Se a noite não tem luar
se apeteça
corra a desenhar
Se o luar adormecer
na própria rede
brinde o novo alvorecer
Se a noite não tem luar/ você não sabe desenhar / ou o luar adormecer
Experimente sonhar... Ouse parir sua estrela interior
amor lunar
amor
glamour
Claudiane Ferreira
" Que eu
jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente, que um pequeno grão de alegria
e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor".
Chico Xavier
"Um sonhador
é aquele que só ao luar descobre seu caminho e que , como punição, apercebe a
aurora antes dos outros"
Oscar Wilde
Olhar, apenas isso...olhar
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Prosa poética,
Ronaldo Savazoni
Quando eu olho
para o Sol, começo a sentir muitas coisas cheias de calor.
Ele se mostra
a mim e eu simplesmente o vejo e sinto calor e isso me basta.
Eu não penso
no seu significado.
Eu não penso
em como seria a vida em meu planeta sem a luz do Sol.
Sem a sua
claridade.
Eu não penso
em como seria a vida sem o seu calor.
Apenas olho
para ele.
Apenas sinto
calor.
Eu
não o penso como uma obra de Deus.
Quando a chuva
cai, eu não penso nela como água que eu bebo,
que mata a
minha sede;
nem penso nela
como elemento que viabiliza minha higiene pessoal,
a higiene dos
alimentos que eu como.
Penso nela
apenas como chuva.
Esqueço-me do
seu papel na fecundação da terra.
Não penso nela
como vida.
Eu não
a penso como obra de Deus.
Sei perceber e
sentir o vento quando há vento para eu sentir;
Agrada-me o
seu toque suave e gentil em todo eu,
muita vez
trazendo frescor ao exagero do calor.
Sinto-o e
agrada-me e, no entanto, não agradeço por existir;
Sinto-o e
agrada-me, mas não o penso como emissário da vida;
Nem como
aquele que leva as sementes da vida de cá para lá e de lá para cá;
Sinto-o
e agrada-me, mas não o penso como coisa de Deus.
Eu olho e, no
entanto, não vejo as coisas com nitidez.
Não as vejo
com realidade.
Eu sinto, mas,
não o suficiente.
Eu tateio as
coisas, sinto-as pelo contato com minha pele,
sei até o que
são e para que servem;
sei,
inclusive, se são boas ou ruins;
mas, ainda
assim, não é suficiente.
Ainda assim,
eu não percebo que são as coisas de Deus para mim.
Eu penso em
Deus e digo acreditar n’Ele.
Penitencio-me
diante das coisas que,
minha crença e
minha fé me dizem serem importantes,
e esqueço-me
de realizá-las
e no final esqueço-me
de venerar as mais simples
e as mais
concretas obras que manifestam a existência
e presença de
Deus em mim e fora de mim.
Quando eu olho
para meu irmão eu o vejo;
Se tocar nele
eu o sinto;
Mas,
verdadeiramente, não o olho e nem o toco com amor;
Então, também,
não o vejo e nem o sinto com amor.
Não porque não
o ame, mas, apenas porque anda não sei que o amo;
Que necessito
dele tanto quanto a vida necessita de mim para se expressar!
Talvez, talvez
agora...
Sim, é bem
possível... Talvez...
PARA SER ARTISTA
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Conto,
EP. Gheramer
Não
profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e
profetizai-nos ilusões. (Isaias 30:10)
Da
última vez que conversamos você disse que sabia que as estrelas continuavam lá,
pois já as vira em épocas passadas, está lembrado? A que épocas passadas você se
referia? - Disse o psiquiatra, procurando dar continuidade à sessão anterior.
-
Criar é muito importante para mim; acho que não viveria sem fazer isso – disse
Davi, parecendo não ter ouvido.
-
Então você confirma sua intenção de continuar a ser um artista? – Perguntou o
psiquiatra.
-
Se eu disser que sim, estarei abdicando de viver como as outras pessoas? –
Disse Davi.
-
Diga-me se estou entendendo. Mesmo depois de seus quadros serem rejeitados para
os Salões, você acha que isso não interferirá em sua capacidade de continuar a
ser um artista, isto é, você ainda terá inspiração para continuar a criar. É
isto que você está dizendo? – Perguntou o psiquiatra.
-
Seu eu puder retirar-me para um lugar onde possa encontrar a reclusão extrema,
eu poderei encontrar isso que chamou de inspiração
– respondeu Davi.
-
Você sente a necessidade da solidão, é isto? – Perguntou o psiquiatra.
- Não
da solidão, mas de sua quietude. Já não
sei se tenho certeza de que sou um artista. Sinto que não nasci predestinado
para alguma coisa. Apenas sei que quando estou sozinho, eu faço coisas que
parecem ter sua origem em algo dentro de mim; algo que eu não sei o que é... –
Foi interrompido pelo psiquiatra que disse:
- O
preço de se viver em sociedade é, em grande parte, o sacrifício da satisfação de
muitas coisas que nos dão somente o prazer. Temos que respeitar o outro e isso
implica em seguir certas normas – disse.
- Nunca
me senti bem ao lado dos humanos, a não ser esporadicamente. Acho-os por demais
superficiais e às vezes em que consegui viver bem ao lado deles, foi quando eu
também me tornei superficial. Eu anseio por uma vida mais plena, mais cheia. Há
dentro de mim a insatisfação quanto a esta vida comum da maioria dos mortais –
trabalhar, ganhar dinheiro, consumir, beber, rir sem estar realmente feliz ou
alegre... – Disse Davi.
E
depois de um intervalo, em que parecia estar pensando, continuou.
- Desejo
viver num lugar onde eu possa abrir a janela e respirar fundo, sentindo que
minhas entranhas estão sendo lavadas por ondas de vitalidade, paz e harmonia.
Quero olhar ao redor e sentir que meus olhos brilham ao ver a paisagem sempre
vitalizante e saudável. Quero viver feliz, com a mente vazia de coisas
pequeninas e supérfluas que enlameiam minha mente, consumindo manchetes de
jornais ou fofocas de vizinhos. Quero dar um basta às coisas medíocres, do
barulho da televisão, com suas novelas que padronizam o comportamento e impedem
verdadeiros sentimentos e emoções. Estou cansado de ser um meio-homem. Quero
ser inteiro.
- Já
percebeu como é curiosa esta sua maneira de querer viver assim e, ao mesmo
tempo, querer criar... o que é a mesma coisa que ser um artista? – Observou o
psiquiatra.
-
Por quê? – Perguntou Davi.
-
Ora, o homem deve trabalhar para prover sua própria subsistência, isto é,
comer, beber, ter um lugar para morar e, para isso, precisa que o seu trabalho
lhe proporcione isso, nem que seja o mínimo necessário e, como parece que você
está desprezando a opinião dos outros, no que se relaciona com sua pintura,
então, eles, que já mostraram que não gostam do seu estilo, também não
comprarão os seus quadros – falou psiquiatra.
Como
se não tivesse ouvido a argumentação do médico, Davi falou:
- Não
sei se sofro por excesso de companhia ou por falta completa de solidão. E,
enquanto não descobrir, nenhuma decisão que tomar quanto ao tipo de vida que
quero levar será verdadeira. Outra coisa. Até hoje sempre procurei entrar em
contato com Deus, com o reino celestial, falando muito, orando, pedindo,
agradecendo, ou seja, nunca fiquei calado. Mas agora acho que chegou a hora de
me calar e ouvir. Devo criar um vazio em minha mente para dar espaço à comunicação
divina. Agora eu devo ouvir e deixar Deus falar. Silenciar minha mente para
ouvir os sons celestiais – falou Davi como se estivesse conversando consigo
mesmo, embora dirigisse suas palavras ao psiquiatra.
E
com uma agilidade que espantou o médico, Davi retornou à pergunta feita pelo
psiquiatra quando iniciara a sessão.
-
Você perguntou de que épocas passadas eu falava?. Pois eu vou lhe dizer, embora
não saiba por onde começar – falou Davi.
-
Comece com a primeira lembrança que lhe vier à mente – disse o psiquiatra.
-
Então, começarei falando do meu filho - disse Davi.
EP.Gheramer
# Fragmento 09 - O ébrio
Imagem: Imagens ao Vento
Solitude
Labels:
Isa Lisboa,
Poema
Falso recheio
Art : Tango
Fonte: Tumbir
Antes de ontem, passeando por http://meninosemjuizoemversos.blogspot.pt/ , que é o blog pessoal do co-criador desse blog que por hora você leitor visita ou revisita... Me deparei com um poema de título "Vazio", os versos me impactaram de uma forma tão eloquente que postei aqui:
http://tubodeensaio-laboratorio.blogspot.com.br/2015/01/vazio_7.html
E um dia após, me deparo no Tumbir,com a imagem acima. No mesmo momento que meus olhos viram um estalo ressonou ... Já intuía que daria um pagode.(A imagem, o poema "Vazio" e a imaginação.
Falso recheio
Quem você pensa que é?
Quem sabe pensa ser mais forte que Eu
Quem sabe pensa que descoloriu todo meu Eu
Quem sabe pensa que a primavera sucumbiu entristeceu, morreu
Quem você pensa que é?
pensando ou não...
Não se esqueça que
sou sempre inundada pelo cheio
quando junto as palmas das mãos
em profunda comunhão...
Falso recheio é isso que você é!
Claudiane Ferreira
O sobrevivente
Hoje de manhã...
Labels:
Poema sem Palavras,
Ronaldo Savazoni
| Foto de Ronaldo Savazoni |
Hoje de manhã, ao acordar de meu
repouso, eu,
sem querer querendo,
comecei a prestar atenção no dia
que
também acordava.
Olhando pela fresta da janela
do meu quarto de dormir, eu
conseguia
perceber as nuances que o dia ia
tomando.
Uma tênue claridade de luz que se
atrevia
e se impunha na escuridão que
ainda
reinava no meu lugar de morar.
Eram os primeiros raios do Sol
que
já chegavam iluminando o meu
quintal
do meu lugar de morar.
Vinha já da sua caminhada por
outros lugares,
e deixando uma certeza de que,
onde houvera passado,
havia cumprido o que a vida
lhe determinara fazer:
dar manutenção à vida dos seres
que habitam nosso planeta e os
deixava
na quietude da noite, companheira
fiel do
repouso de todos nós.
Como que acompanhando o meu
lento despertar, pois que eu
também
vinha aos poucos tomando
consciência de mim, ele também
impunha-se com sua claridade e
seu calor de uma forma lenta e
gradual e aconchegante,
necessária,
bem vinda e gostosa!
Aos poucos eu percebia que
a Natureza o acompanhava nesse
acordar
porque, sentindo sua presença,
dava os primeiros sinais,
também, de sua vida exuberante.
Pássaros aqui e acolá se saudando
uns aos outros, e à vida que os
animava
nesse mais um dia que nascia.
As flores, até então recolhidas
no
repouso da noite finda, abrindo
como um espreguiçar nosso para,
também, saudar a vida que
renascia, mas,
que renascia só por existir
sempre
em cada cantinho de espaço desse
nosso planeta.
O sono e o descanso de todos os
que viam aquele novo dia, havia
sido
protegido, havia sido vigiado e a
vida,
em sua forma latente, havia sido
preservada,
havia sido respeitada, havia sido
mantida.
De forma misteriosa, sublime,
incondicional,
a minha vida e a vida de todos
aqueles seres
que estavam, junto comigo, tendo
o privilégio de
despertar, havia sido conservada.
Eu agradeci e senti que não há
expressão
de amor maior que esta que todos
nós recebemos
todos os dias e que todos nós
deixamos
de perceber todos os dias:
a minha vida a cada novo
despertar;
a sua vida a cada novo despertar;
a vida de todos nós a cada novo
despertar;
A vida! A vida! A vida!
Vazio
Labels:
Claudemir Men@,
Poema
Imagem: Web
Vazio
Quem você pensa que é?
nem eu mais bem sei descrever
Quando por dias se ausenta
eu nem consigo escrever
Vagam meus pensamentos
e as palavras se perdem porque
Conflitam-se todos os temas
da inspiração que é você
Quem você pensa que é?
não mais se afaste de mim
calando-se em meus poemas
não me abandone assim
Deixando sem cor a aquarela
e um vazio que não tem fim
sem luzes e sem primavera
sem flores no meu jardim
Men@
Corpo, mente e alma
Art: Marcos Alexandre Cavalcante
Sorriso de notas
cores das auras oscilam
harmonização
Claudiane Ferreira
"O que o homem pode fazer de melhor para a sua felicidade é por-se em harmonia constante com Deus por meio de súplica e orações"
Platão
"O que o homem pode fazer de melhor para a sua felicidade é por-se em harmonia constante com Deus por meio de súplica e orações"
Platão
Aura
Você com certeza já
deve ter conhecido alguém assim: basta chegar perto para se envolver numa
maravilhosa onda de luz e paz. Sua energia é tão positiva e contagiante que
poderia até ser tocada. Outras pessoas, ao contrário, provocam uma desagradável
sensação de cansaço, como se roubassem nossa energia. Esta capacidade de apagar
ou iluminar o ambiente reflete o poder da nossa aura.
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