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DESPERTAR





Acordando em indefinido pensamento.
Em sonhos e pesadelos derretidos.
Na sonolência postada em deslizes.
No corrimão da vida.

Buscando a fiação perdida,
na mistura das linhas,
na costura de um modelo,
antes programado e definido,
hoje embaralhado e perdido.

Um caminho a percorrer, 
sem base, direção e sentido.
Fico estático em mortificação,
sem espera de um toque ou presença.

Muitos vagueiam num vai e vem.
Muitos cruzam, mas não se aquecem.
Uns conheço em parte, outros não.
O que ausente persiste é justamente,
o que me faz presença em falta constante.

Pintei em aquarela no gotejar de meus sonhos.
Viajo em rios de tinta num afogar colorido
Tomo-te de vez em meu pensamento...
...
em ausência


mochiaro





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VERDADE









VERDADE


O GRITO É A MUDEZ DA VERDADE
O SILÊNCIO É COMO O VAZIO CHEIO
ONDE AUSCULTO A HARMONIA DOS SONS
VINDO DA NATUREZA EM ORQUESTRAÇÃO
LIMPO, PURO, SUAVE, ENVOLVENTE

ASSIM VOU PERSISTIR
NA OBSCURIDADE DO DIA
NA CLARIDADE DA NOITE

DENTRO DE MIM
UM SILÊNCIO GRITA
ECOANDO PARA SENTIMENTOS OUVIDOS
EM VERDADE ACORDADA


mochiaro

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Talvez adormeça-mos lado a lado...



Faz-se silêncio e não há luz
quero de volta o amor que nunca tive
um dia destes chamo-te...

Todas as ilusões me pertencem
não interessa aonde nos leva os sonhos
talvez adormeça-mos lado a lado...

Meu corpo adormece com o teu dentro
rodeado de arame farpado...

Manuel Marques (Arroz)

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Amar-te é o que me resta de ti...

Vejo no céu o teu olhar
no fundo dos teus olhos o teu amor adormecido
dói não te ter aqui...

Talvez ainda possa escrever sobre os meus sentimentos
abitar teus sonhos
amar-te é o que me resta de ti...

Manuel marques (Arroz)

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Indagações (retornando)

Olá! Estou retornando ao blog e já trago novidades!


Minha nova plataforma literária se chama Reversos Literários

Deixo aqui um dos textos postados lá.


Abraços!!





Texto postado originalmente no Instagram: @reversosliterarios e no Facebook:  @reversoslitterarios, em 20 de janeiro de 2018.

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Neve de natal


Cai a neve de natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Sobre as casas e oficinas,
sobre as almas pequeninas,
cai na Igreja reformada,
cai na ponte e sobre a estrada,
sobre os bancos e as finanças
cai a neve e tudo amansa...

E a criança corre afoita pela neve da cidade!
Cai e escorrega atrás do que lhe agrade.

Tantas luzes cintilantes,
muitas renas e elefantes!
São bonecos sorridentes,
guloseimas e presentes 
e o presépio natalino
(a lembrança do menino!)... 

A esperança cai do Alto como flocos de verdade!
Cai e escorrega e o nosso peito invade.

Todo ano as luzes vêm
despertando mais alguém!
Todo ano cai a neve
Mesmo num momento breve
Todo o ano há quem aguarde
jubiloso, a caridade!

Cai a neve do natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Gilberto de Almeida
22/12/2017


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Cálice sagrado



A vida do cristão é doce alento
oferecido em taça de amargura 
ao coração sofrido que procura
servir sem recompensa, oculto e isento.

É cálice sagrado o seu intento,
na Terra derramado, com doçura,
porque, se entrega luz, recolhe a escura
ingratidão do mundo desatento.

Porém, não se intimida; segue adiante!
Donde a energia imensa que garante
tal brio, tão incomum, tão pouco visto?

É que essa força nasce além da Terra
e ao servidor humilde se descerra
como esperança, luz e amor do Cristo.

Gilberto de Almeida
04/12/2017



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Abre-me a porta do sonho e serei eu...

Desenho, invento beijos, construo sonhos
busco através do poema
uma palavra que me conforte...

Desenho caminhos sobre o mar
onde possa caminhar
possa amar antes da morte...

Reinvento o Sol as  Luas
rascunho  lembranças
as minhas, as tuas...

Costuro a memória do meu corpo junto ao teu
retalho de sonhos,balanço de corpos
abre-me a porta do sonho e serei eu...

Manuel Marques (Arroz)

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Os sonhos em mim

Imagem da Web
Estou agora ao passo dos sonhos, a transgressão
Maior à realidade. Não se aceitar que homens
São maus, que o amor é findo, que pais morrem,
E que as vontades envelhecem.

O sonho, um ato de coragem e desmazelo.
É não crer. Duvidar do que se vê à janela.
Não aceitar que se posicionem distantes
Os sóis.

A vida como tanto, como uma luta eterna
Contra o real, é um sonho. Um sonho de
Liberdade. Um sonho que não cabe entre
Ideias e que transcende as mãos.

São enormes os sonhos. E sendo grandes
Como os pensamentos e os homens, não
Cabem os sonhos em lugar algum. São
Os sonhos livres, libertos, escorregadios.

Os sonhos jamais presos e contidos. Morrem
Os homens, eles não. Os sonhos que estavam
No coração de uma mulher vão à cova, os de
Umas crianças se escondem no coração.
Continuam sonhos...

E assim, a vida. A vida como dependente dos
Sonhos, quase um barbarismo, posto que
São os sonhos a vontade primaz
De se viver (livre).

Josué Brito 



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Labirintos do amor...

Navego nas lágrimas que me vêm do fundo da alma
percorro o teu corpo como quem quer apenas sentir o teu calor
amo-te com sede e desejo...

Deixa que o  amor seja a estrada do sonho
que os labirintos do amor
se transformem em lugares onde nos podemos amar eternamente...

Manuel Marques (Arroz)

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Na noite fria nada existe...

No eco dos meus sonhos oiço vozes
alguns silêncios
mas na noite fria nada existe...

Como gostaria de tocar as tuas mãos
pernoitar no teu peito
nestas noites de ilusão...

Deixa-me que me encontre em ti
para despertar os teus sentidos
e assim poder mergulhar no teu corpo.

Manuel Marques (Arroz)

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O outro lado dos sonhos...

O outro lado dos sonhos.
Noites longas
silêncios que têm voz
sonhos ilusões
o que resta de nós ...

Olha-me para os olhos
aonde se escondem fantasmas
em sonhos exaustos, vazios ...

Deixa-me adivinhar no teu olhar
o outro lado dos sonhos
e enquanto encontrar o teu sorriso
nunca te deixarei de amar...

Manuel Marques (Arroz)

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O que separa as minhas mãos do teu corpo ?


Os meus dedos tocam-te
corpo onde me perco e encontro
corpo quente de amor
ilusão de sonhos perdidos
corpo que nasce na mente de um sonhador...

O que separa as minhas mãos do teu corpo ?
não sei se te toco
se te provoco...

Manuel Marques (Arroz)

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Dá-me um sonho que seja nosso...

De memória em memória atravesso-te
nas minhas lágrimas ainda restam alguns sonhos
procuro palavras,procuro-te...

Silêncio e mais silêncio
o vazio a realidade o sonho
o sorriso nos lábios de um amor triste...

Grito surdo,sonho de poeta
na noite escura o teu olhar fulmina-me
dá-me um sonho que seja nosso...

Manuel Marques (Arroz)

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Setembro

Setembro
faz isso
Deix(a)gosto
Passado


LitoNazareth

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Fica em mim esta noite...

Vagueio na escuridão desta noite
nos meus sonhos há fragmentos de solidão
sombrias madrugadas de ilusão


Nem sempre da janela do meu quarto encontro o sonho
são inocentes os meus olhos quando te olham
e no silêncio da noite a alma resiste .

Fica em mim esta noite
até que tudo se dissolva em sonhos
abraça-me e envolve-me de amor.

Manuel Marques (Arroz)

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Independência (ou morte)?

Imagem: Google


Hoje, dia da Independência do Brasil.
E eu fico me perguntando: que independência? 

A cada nova notícia nos jornais e nas redes sociais,
minha inconformação aumenta.
Vejo estampada a notícia de um abuso sexual num coletivo.
E nada fez a justiça para punir o indivíduo. 
Quatro dias depois, o mesmo "homem" repete o ato contra outra mulher.

E o mesmo se repete em outro Estado mais alguns dias depois.
Ambos os casos são reduzidos a nada, a pó.
A uma insignificância sem dó.
Pois os sujeitos "responderão" em liberdade.

Quanta impunidade! 
O ato em si não atinge apenas àquelas mulheres.
Mas a todas nós.
Que temos nossa liberdade ameaçada a cada segundo.
Poder? Podemos. Sempre poderemos mais. 
Não deixaremos de lutar.

Mas, como prosseguir?
Se de plenos poderes gozam Legislativo, Executivo e Judiciário.
E como ficamos nós? 

Exploradas/os a cada dia.
A cada dia desatando nós.
Tolhendo vontades.
Cortando gastos.
Comendo o necessário
para não morrer de fome.

Sem nome. Só números.
Estatisticamente comprovados.
Como os daqueles/as negros/as e favelados/as.
Que são mortos/as ou detidos/as mesmo sem terem cometido crime algum.
A cor da pele como justificativa.
De quê? 

Mas, falando em números,
os de ontem me deixaram ainda mais chocada.
Em muitas malas estavam guardados muitos milhões.
51 MILHÕES de reais, para ser mais exata.

E mais uma vez meu coração se parte em milhões de pedaços.
Ao refletir que com tanta coisa esse dinheiro poderia ser gasto. 
Dinheiro que é nosso. Dinheiro que é do povo. Dinheiro. Muitos.

De cá, apenas assistimos
nossos direitos serem tomados.
Basta uma canetada e está consumado.
20 anos de cortes em investimentos na população.

Bem que poderiam clamar não por "ordem e progresso", mas por Ordem no Congresso.

Só sei que nosso povo trabalhador,
com o suor de seu trabalho
leva para casa ínfimos novecentos e poucos reais por mês.
Para alimentar muitas bocas e alguns ideais.
Ideiais e sonhos. 

Como o sonho de ver filhos/as, netos/as e sobrinhos/as com diplomas na mão.
Para quem sabe no futuro conseguirem colocar no papel aquilo que seus pais, mães, avôs, avós, tias e tios não conseguiram.
Para quem sabe usarem a caneta e
reescreverem uma nova história.

Uma história de libertação.
Uma história sem opressão.
Uma história sem corrupção.

Uma utopia? Talvez.
Talvez uma utopia mais uma vez.
Mas, vivemos de utopia.

Pois que a história fala que somos independentes.

Mas continuo a me perguntar: que independência?

Marcilane Santos, 
07 de setembro de 2017.



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A Culpa Não é Do Celular



Por Osny Alves


Com a possibilidade de enviar muitas mensagens em um clique, a sociedade tem enlouquecido a si própria. O exibicionismo virou a modinha do século, crianças na idade de brincar de bola ou boneca ou melhor que isso, lerem um bom livro, se sujeitam a tirar selfies de seu rosto, de seu corpo, de suas intimidades, como se fosse algo normal é que o pudor fosse algo negativo e ultrapassado. O mais interessante é que isso tem atingido uma classe maior de pessoas, e temos visto jovens e adultos, fazerem a mesma coisa! Esses dias recebi no app do WhatsApp, uma anciã fazendo um filme, onde ela tirava peça por peça, até ficar totalmente nua, se insinuando tentando seduzir alguém do outro lado da tela de seu celular, a senhora beirava seus setenta anos de vida, e parecia insana, menos para quem fora daquele banheiro achava que ela seria a nobreza e retentora da moral e dos bons costumes. Ou o mundo quase todo enlouqueceu, ou fui eu que enlouqueci. Mas a verdade é uma só, a malícia e a falta de vergonha é contagiosa, bem como se fosse um vírus contaminando a tudo é a todos. Parecem zumbis, mortos-vivos, caminhando pela face da terra. Hoje é comum ver pessoas filmando a si próprias e seus parceiros realizando aos obscenos, escandalosamente e postando na internet, como se fosse uma simples foto de rosto. Fico pensando na coragem ou irresponsabilidade dessas pessoas, essa insanidade total que tem afetado o mundo, atravessando a moral da sociedade, sua fé no religioso, destruindo culturas e lares. Outro dia vi no celular de um colega uma menina que pedia para que a filmassem transando com diversos meninos, e dizia: - "olha aí fulano como é que se coloca chifre"... Penso eu que ela queria punir a si própria, pensando equivocadamente que estava punindo o namorado. Nossos celulares tinham que ter um tipo de filtro que recusasse nudes, filmes pornôs, pouca vergonha de idosos, adultos, jovens e crianças... Músicas que falam abertamente sobre tudo relacionado a sexo e crimes, dos mais hediondos. Em nossas escolas estão cheias de vídeos pornográficos que rapidamente viralizam e em questão de segundos tomam conta das redes sociais e na maioria dos casos quem liberou tais vídeos, foram as próprias "vítimas". É incrível como a inversão de valores se agigantou com imensa rapidez, tal qual como o mar de lama que devastou Mariana e outras cidades, ou como o Vesúvio que cobriu de larva cidades inteiras destruindo tudo o que com sacrifício foram criadas. O que é moral hoje em dia? E bons costumes? Ainda vamos ouvir que são uma espécie de animais em extinção. Nem tanto a Burca, nem tanto o Nude. Mantenhamos o equilíbrio. A sociedade já tem muito pecado e crime com que pagar, e quem vai pagar a conta são as crianças dessa geração e dos que estão por vir. Hoje o natural é o voyeurismo, exibicionismo, e tantas outras coisas que sabemos que o mundo entrou num caminho perigoso, um colapso sem volta.

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O TEU DESEJO É A TUA ORAÇÃO



‘Meu coração grita e geme de dor’ (Sl 37,9). Há gemidos ocultos que não são ouvidos pelos homens. Contudo, se o coração está possuído por tão ardente desejo que a ferida interior do homem se manifesta em sons externos, procuramos a causa e dizemos a nós mesmos: Talvez ele tenha razão de gemer; e talvez lhe tenha ocorrido algo. Mas quem pode compreender esses gemidos, senão Aquele a cujos olhos e ouvidos eles se dirigem? Por isso diz: ‘Meu coração grita e geme de dor’, porque os homens, se às vezes ouvem os gemidos de um homem, ouvem frequentemente os gemidos da carne; mas não ouvem o que geme em seu coração.

E quem seria capaz de compreender por que grita? Escuta o que diz: ‘Diante de Vós está todo o meu desejo’ (Sl 37,10). Não ‘diante dos homens’, que não podem ver o coração, mas ‘diante de Vós’ está todo o meu desejo. Se, pois, o teu desejo está diante do Pai, Ele que vê o que está oculto, te recompensará.
Teu desejo é a tua oração: se o desejo é contínuo, também a oração é contínua. Não foi em vão que o Apóstolo disse: ‘Orai sem cessar’ (1Ts 5,17). Será preciso ter sempre os joelhos em terra, o corpo prostrado, as mãos levantadas, para que ele nos diga: ‘Orai sem cessar?’ Se é isto que chamamos orar, não creio que possamos fazê-lo sem cessar.

Há outra oração interior e contínua: é o desejo. Ainda que faças qualquer outra coisa, se desejas aquele ‘repouso do sábado eterno’, não cessas de orar. Se não queres cessar de orar, não cesses de desejar.

Se teu desejo é contínuo, a tua voz é contínua. Ficarás calado, se deixares de amar. Quais são os que se calaram? Aqueles de quem foi dito: ‘A maldade se espalhará tanto, que o amor de muitos esfriará’ (Mt 24,12).

O arrefecimento da caridade é o silêncio do coração; o fervor da caridade é o clamor do coração. Se a tua caridade permanece sempre, clamas sempre; se clamas sempre, desejas sempre; se desejas, tu te recordas do repouso eterno.

‘Diante de Vós está todo o meu desejo’. Se o desejo está diante de Deus, o gemido não estará? Como poderia ser assim, se o gemido é a expressão do desejo?

Por isso o Salmista continua: ‘Meu gemido não Vos é oculto’ (Sl 37,10): Não é oculto para Deus, mas é oculto para a multidão dos homens. Ouve-se por vezes um humilde servo de Deus dizer: ‘Meu gemido não Vos é oculto’ e vê-se também esse servo sorrir. Será por que o desejo está morto em seu coração? Se o desejo permanece, também permanece o gemido; este nem sempre chega aos ouvidos dos homens, mas nunca está longe dos ouvidos de Deus” (Comentário ao Salmo 37,13-14; CCL 38,391-392).

Santo Agostinho de Hipona, +430

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Tende o amor

Tendem o corpo e a alma ao sepulcro.
O olhar dotado do acaso sem escrúpulos
Viajando ao além... se arrefecendo aos poucos,
Criando mundos que não são compatíveis, mas
Que são seus, que são únicos. 

Consoante a uma ampulheta fria e calculista,
As mãos se vão distanciando... Cria-se um mar. A
Sublimação dantes eviterna e fascinada
Torna-se esquálida,  alimentada
Pelo  próprio dissabor.

Faz-se vivo a brecha, o instante, o momento...
Onde o coração não mais se acalenta. Esfriou-se.
As simulações fazem faces, fazem beijos,
Fazem entregas, todas falsas, todas dotadas
De amargura.

E no fim qual a verdade? Qual a real ventura?
Todos os homens são falsos... Todos os pensamentos
São vagos, estão, enquanto se diz eu te amo,
Em outras desventuras.

Josué da Silva Brito 

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