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ERA UMA VEZ...
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Crônica.Maristela Ormond
ERA UMA VEZ...
(Por
Maristela Ormond)
Era uma vez um país onde as pessoas
não valorizavam as pessoas que gostavam de ensinar e estudar.
Essas pessoas gastavam anos e anos
aprendendo, gastando tudo que tinham para realizar o sonho de um dia poder
falar com muitas outras pessoas sobre tudo aquilo que aprenderam. Sentiam-se
felizes por poder conversar com a população do país, ensinando sempre mais e
mais e com isso, gastavam muito dinheiro para fazer cursos de aperfeiçoamento
para aprenderem mais, saber mais, ensinar mais.
A alma dessas pessoas ficava muito
feliz, afinal tudo o que queriam era conversar infinitamente e dar um pouco
mais de sabedoria a um povo que era tão inteligente, mas não tinha conhecimento
do potencial que possuíam e por isso nunca se revelavam, estavam sempre
taciturnos e chateados...
Acontece que no meio desse povo
existiam também pessoas que não se preocupavam em saber nada e não tinham
vontade de aprender, então maltratavam demasiadamente o instrutor dos saberes e
este se sentia muito magoado chegando a pensar em desistir, em abrir mão da
alegria de ensinar.
Nesse país, mais e mais pessoas eram deprimidas
por não conseguir estudar e acabavam desistindo porque desta forma nada entrava
em suas cabeças. Era tudo uma bagunça, um barulho que não permitia a quem
queria o direito de pensar e aprender.
Um dia o mestre deste país ficou
muito, muito triste mesmo e começou a adoecer. Seu coração estava quase parando
de tristeza quando descobriu que não conseguia ser tão feliz em sua profissão,
pois ninguém se interessava pelo seu trabalho. Descobriu também que a pessoa
que governava o país não dava importância para que o povo aprendesse, ao contrário,
tinha até medo de que se as pessoas soubessem, causassem problemas, pois se
tornariam pessoas críticas e começariam a exigir alguns direitos que este
governante não pensava em hipótese alguma em doar.
Algumas leis foram outorgadas (e
muito bem pensadas) para que tudo desse errado e para desestimular o mestre.
Chegou a tal ponto que esta pobre criatura já não tinha mais nem como se
manter, para continuar seu trabalho. Ora vejam só...
A população deste país foi ficando
cada vez mais alienada e como não sabiam e não compreendiam o que os dirigentes
faziam e quais eram suas estratégias, mais eram subservientes aos comandos que
lhes eram impostos.
Era uma população carente, com fome,
com a pele amarelada por carência de vitaminas, remédios, saberes que pudessem
acordá-los para a realidade que viviam, pois a Saúde também não funcionava. Mas
eles não sabiam pobrezinhos... E não sabiam por que algumas dessas pessoas não
deixavam que pudessem estudar e compreender o que acontecia bem diante
deles. Com isso, iam ficando cada vez
mais doentes e ficavam mais doentes ainda os mestres, aqueles que gostavam do
que faziam e sentiam que era preciso salvar a população carente mesmo diante de
tantos desafios a serem vencidos: aqueles que queriam atrapalhar e aqueles que
governavam o país que não queriam que compreendessem o que lhes acontecia.
Nesse país, aos poucos, as pessoas
foram esmorecendo, foram morrendo à mingua. Tristes, sem motivação, sem
alimentação suficiente. Não havia alimento para a vida prosseguir e não havia
muito menos alimento para a alma.
Era uma vez um país, onde as pessoas
não valorizavam aqueles que gostavam de ensinar e aqueles que gostavam de
estudar...
(Qualquer
semelhança com fatos reais é mera coincidência).
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POSSESSÃO
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EP. Gheramer
O
que posso concluir depois de tudo o que passei é que antes eu era um, depois
fui dois e agora voltei a ser um, mas de uma natureza diferente daquela que eu
fora.
Quando
estava dividido, a impressão que tinha era a de que minha alma estava sendo
disputada por espíritos de naturezas diferentes. O desenrolar desta disputa,
numa alternância de vencedores que parecia não ter fim, ora sob o jugo de um,
ora sob o jugo de outro, tomando minha alma e habitando este meu corpo, fazia
com que eu experimentasse tanto a confusão da semiescuridão quanto a
desorientação completa da escuridão total das trevas. Porém, muitas e
incontáveis as vezes em que me senti confuso e também desesperado; como o
pêndulo de um relógio que não para de oscilar, minha alma ora pertencia a um,
ora pertencia a outro; com isso, minha mente ficava dividida entre um extremo,
em que era capaz de, neste corpo, levar a cabo as mais inexprimíveis maldades e
outro, onde ficava a culpar-me das maldades que cometia no primeiro, embora não
tivesse consciência do que eu tanto me acusava; havia apenas um sentimento de
culpa abstrato que me atormentava a existência. Hoje, sinto que sou peregrino
neste corpo e nesta terra; eu escrevo o que vejo através destes olhos. Nada,
além disto. Eu apenas olho, vejo e escrevo.
A experiência que narrarei aconteceu muito antes que eu pudesse formar, digamos, uma pálida opinião a respeito e em seguida expressá-la nas palavras do último parágrafo que o leitor acabou de ler. Porém, a impressão mais forte, a sensação indizível e que jamais se apagará de minha memória, esta, não conseguirei escrevê-la; a que experimentei quando, depois que tudo acabou, eu abri os olhos e pude, então, chorar.
Nesta
história eu serei o autor, o narrador e o protagonista; os demais personagens e
os acontecimentos poderão ser reais ou fictícios. Excetuando a minha pessoa,
tudo o mais poderá levar a divagações devido à ambiguidade, ou não, e à maneira
como será percebido pelo leitor inconsciente, aquele que lê ao mesmo tempo em
que o leitor consciente, mas que, diferentemente deste, penetra na supra
realidade. Comecemos.
No
dia onze de junho de 200..., exatamente às onze horas, entrei na livraria, no
centro da cidade. Meu objetivo era específico e a intenção há muito
determinada: comprar o livro de Waldemar Ribeiro, intitulado “Cura em
Cafarnaum” e outro chamado “Concordância bíblica”. Depois de folheá-los, mais
por hábito do que por curiosidade, entreguei-os à vendedora que preencheu a
nota de venda; depois, dirigi-me à caixa para efetuar o pagamento e foi aí que
aconteceu uma coisa que veio tirar da rotina todo o resto daquele dia e de
muitos outros depois dele: a moça da caixa, depois de ler o preço a ser pago,
falou para outra a seu lado, encarregada da seção de embrulhos, que aquele era
o número da besta. Despertado por
aquelas palavras e mais ainda pelo tom com o qual elas foram pronunciadas,
perguntei-lhe o que estava acontecendo e ela, trêmula, respondeu-me que o valor
a ser pago correspondia ao número da Besta, que estava na Bíblia. Achei curiosa
a coincidência e, se não fosse a agitação que percebi nas duas, aquilo teria
sido esquecido ali mesmo. Paguei e ao estender o braço para pegar o embrulho
notei que a balconista segurava-o com as pontas dos dedos, parecendo querer
evitar que minha mão tocasse na sua. Foi num misto de encabulado e confuso que
apanhei os livros e saí da livraria, pretendendo nunca mais voltar ali, mas não
sem antes verificar que havia guardado e bem guardado, a nota de venda; queria
olhá-la com calma enquanto estivesse na barca que fazia a travessia da baia,
levando-me de volta para casa. E assim fiz.
Acomodei-me
numa das cadeiras do andar de cima da barca, junto à janela e, depois de
colocar a pasta e o embrulho sobre a cadeira vazia ao meu lado, retirei a nota
de venda do bolso e passei a examiná-la: o papel era branco e as letras
impressas na cor preta; escritos a caneta estavam a data, os nomes dos livros,
os valores e, ao pé da nota, no canto direito, o total a pagar com o desconto:
148,666 reais. Nada mais; uma nota como outra qualquer, não fosse o acontecido
na loja por causa do número. Dobrei papel e recoloquei-o no bolso. Cruzei os
braços, olhando através da janela distraidamente e pensei na bobagem que era
aquilo tudo. Porém, curiosamente, embora eu tenha ficado a pensar também em
outras coisas durante o tempo da travessia da baia, aquela bobagem não saia da minha cabeça, como acontece com outras coisas
que pensamos e que daqui a dois minutos são substituídas por outros
pensamentos. Era como se algo de concreto, e não de abstrato como um
pensamento, houvesse entrado em minha mente e agora ocupasse um lugar discreto
e obscuro, bem lá no fundo, com os olhos a mirar o meu interior, como que a
fazer o reconhecimento do lugar onde, daquele momento em diante, passaria a
habitar e, horror dos horrores, a agir.
Desde
este maldito dia, eu não consigo executar meu trabalho. Todas as vezes que
tentei escrever algo, o fazia durante o dia inteiro para, logo chegada à noite,
reler e atirar dentro de uma gaveta destinada a “Escritos não concluídos –
ideias”; muitos manuscritos sem encadeamento ou uma ideia central foram ali
colocados; apenas escritos doloridos e confusos de uma alma que vivia em
permanente inferno, pois, como se verá adiante, o que eu queria escrever, isso
não o fazia, mas o que não queria era o que eu escrevia. Junto aos editores já
não tinha mais crédito e há muito meus livros foram relegados ao esquecimento.
Não só não conseguia dirigir o que escrevia como, também, nada mais me distraia
ou me dava alegria. Quando em frente ao espelho, desespero é o que eu via em
meus olhos; não eram mais meus olhos, não era mais o meu olhar. Era algo que
passou a habitar o meu interior e que aos poucos foi deformando o meu corpo,
provocando-me rugas, muitas rugas em meu rosto e rachaduras em meus lábios e
por entre os meus dedos – e como doíam! E eu queria chorar e não conseguia; sentia o
choro subir e ser barrado na garganta, preso... A cada choro não chorado, sentia
meu corpo e principalmente minha cabeça inchar de ar, de desespero e de agonia.
Até
os amigos mais chegados se afastaram de mim; era grande a minha solidão e o meu
desespero, pois nem mesmo a minha própria voz era a mesma e as palavras que
pronunciava careciam de sentido. Quando me olhava no espelho, o que me parecia
era que a minha verdadeira imagem refletida estava embaçada, deixando a nitidez
para uma visão horrenda que eu não conseguia encarar por um mínimo de tempo que
fosse. Eu sabia que havia alguém ou alguma coisa lá, algo que eu conhecia, mas
que me negava a encarar; não queria ver a máscara que agora cobria meu rosto
real, se é que um dia o fora – até disso eu duvidei. Era triste, não queria
ver-me; desviava o olhar do espelho e encontrava comigo em pensamento. Sabia
que deveria olhar de frente a verdade da qual sempre fugira, mas tinha medo.
Um
dia, já não sei mais quando, obriguei-me a ficar em frente ao espelho; foi logo
depois de, mais uma vez, eu tentar chorar e não conseguir. A força para isso
foi encontrada no meu desespero. Então, olhei bem para a imagem nítida,
enquanto mantinha meu pescoço e minha cabeça vacilantes eretos, e vi que não
era eu; era outra pessoa que andava – eu pressenti – perdida num passado do
qual eu me esquivava de lembrar. Aos poucos, obrigando meu corpo àquela posição,
sentindo uma dor infernal, consegui perceber que havia mais alguém – agora com
certeza – dentro de mim que, inexplicavelmente, estava a me olhar; era uma
presença que eu não conseguia determinar ou localizar, mas sentia estar ali
comigo. Era algo feio, nascido do húmus da maldade que espreitava e sorria...
Ria... Gargalhava! Agora eu era dois!
Ledo
engano o meu; ao continuar olhando, consegui perceber uma legião dentro de mim.
Então, eu me indagava, onde a unidade dentro de mim, onde o indivíduo... Onde o
ser único que sempre ouvi dizer que cada pessoa é? Sentia que estava desintegrando-me
a cada momento que passava. E estes pensamentos estranhos feriam minha mente,
fazendo-a sangrar; já há muito não conseguia mais me controlar, manter a
unidade mais simples de um único pensamento que fosse meu de verdade. Ah! Que
verruma era aquela que penetrava em mim querendo arrancar meus rins e meu
coração, minhas últimas gotas de sanidade e minha já tão minguada alegria de
outrora?
Já
não suportava mais tanto sofrimento físico e mental. Minha carne estourava em
furúnculos que depois de abriam, deixando sair o prurido amarelo e nauseante;
não se fechava e não cessava de sangrar e arder e eu tentava chorar, mas as
lágrimas não saíam. Tinha o meu corpo coberto de chagas, chagas superficiais
resultantes de uma luta que estava se travando dentro de mim e da qual eu só
conseguia sentir a dor, mas nunca participar; meu corpo era apenas a arena de
um confronto muito grande, não em tamanho, mas em profundidade e de que meu
pensamento lógico não conseguia formar uma apagada ideia.
Assim,
encontrei-me neste estado, não sei se no corpo ou fora dele, não sei se
dormindo ou acordado, pois já não conseguia separar o real do irreal, assim.
Neste estado, certa vez tive uma visão: estava diante do espelho e ouvi, saindo
de dentro de mim, pelos olhos (única janela ainda aberta para o exterior em que
não havia chagas, apenas dois buracos enevoados), uma voz que ora parecia ser a
minha, para logo em seguida, misturar-se com outras. Foi quando ouvi um som que
me pareceu de trombeta e que saia do meu interior como a voz de muitas águas
caindo:
- “Sei bem o que queres, já descobri teu novo ardil. Prostrado está esse corpo sobre o leito por causa de nossa luta. Deixaste-o com uma pergunta sem resposta e o pensamento confundiu-se e o corpo caiu extenuado. E então tomaste as rédeas e colocou outro pensamento em sua mente, um pensamento de que não adianta lutar nesta vida, de que não há felicidade, de que não há solução e o que existe é nada e confusão e desespero e um debater-se em vão – falaste certo, pois falaste do que é próprio de ti, pois és o pai da mentira. Mas, como sempre, cometeste um erro: esqueceste que todo ser humano é habitado por um espírito, que pode ser de luz ou de trevas e este esta ocupado pelo de luz, embora, por causa de nosso confronto, pareça ser de semiescuridão; e enquanto te preocupavas em trazer a confusão a este ser, eu me fortalecia na fonte de água viva desde o nosso último encontro e agora eis-me aqui novamente. Se nosso confronto impede que este homem coordene o pensamento, farei com que ele narre nosso encontro, segundo seus símbolos. E tu, espírito de Asmodeu, não selarás as palavras desta boca e nem prenderás a mão que as escreverá. O corpo está fraco, mas narrará, mesmo sem o saber, para que todos saibam e fiquem conhecendo o que é o tormento de uma mente dividida. Tal escrito parecerá estranho, extremamente estranho, beirando mesmo as raias do absurdo e da loucura, pois esta, a loucura, é a mente dividida. É necessário saber que se trata de uma luta travada no interior do ser, uma luta entre a Luz e as Trevas, entre a Alegria e a Tristeza, entre o Bem e o Mal... entre Deus e o Diabo e, por isso, nem sempre inteligível – pelo menos por enquanto. É a luta da Vida contra a Morte. É o retrato em preto e branco do que acontece dentro de cada ser humano, sempre que tiver que escolher entre dois valores... Deus e o Diabo lutam por almas, destruindo corpos. Durante a transcrição deste combate, a disputa pela posse desta alma não cessará e por isso a escrita oscilará entre a extrema lucidez e também – infelizmente – a extrema escuridão e incompreensão. Não sei em que estado ficará este corpo material depois de finda a batalha, mas haverá orgulho por parte do autor que escreve, e também um sentimento de vitória por ter o privilégio de estar parcialmente consciente, nesta vida terrena e passageira, daquilo que é vedado conhecer à maioria dos mortais: a luta entre o Bem e o Mal. Esta mente dirá com orgulho: 'que se realize em mim a tão atroz e antiga disputa; sinto satisfação – ele dirá nesta sua narrativa e nas posteriores – e agradeço ao Senhor da luz o privilégio de poder presenciar como as coisas acontecem, verdadeiramente, dentro de cada ser humano'.”
25
de agosto
Agora
sei que estou são, pois tenho medo de ficar louco. Quando minha mente é atacada
por espíritos malignos, o espírito de luz que em mim habita vem em meu socorro.
É uma coisa horrenda ser o campo de luta onde se trava a batalha pela posse de
minha alma. O doutor Inglaterra disse que uma pessoa louca não consegue
escrever seus próprios pensamentos; se é verdade, então eu não estou louco.
Isso me faz lembrar que o meu editor não me tem mandado o pagamento pelos meus
escritos que tenho lhe enviado.
26
agosto
Percebo
que a poesia não passa pelo intelecto, ela sai direto dos rins e do coração
para o papel. Hoje recebi um e-mail contendo um poema; fiquei com medo de abrir
porque minha boca começou a sangrar e apareceu um furúnculo logo abaixo de meu
olho esquerdo; dói, mas eu não sei se quero chorar. Abri o e-mail e constatei
que eu estava certo: era uma mensagem do Diabo. Respondi imediatamente com
aquilo que me ocorreu no momento. Acho que minha missão começou hoje. Os meus
inimigos serão os da minha própria casa.
27
de agosto
Mandei
hoje a resposta para o Diabo; não coloquei endereço porque ele já sabe o que
está escrito. Tenho uma cópia do e-mail e vou transcrevê-la neste meu diário.
Ei-la:
'Neste
mundo... Acreditar que a moeda só tem uma face é estar vulnerável à outra! Se
no tempo presente uma prevalece sobre a outra, é para mostrar que em toda
afirmação está contida sua negação! Neste mundo... Se andarmos na escuridão, é
porque desconhecemos a luz; quem é da noite, anda nas trevas, quem é do dia,
anda na luz. Existem os que querem mais do que a luz comum! Existem os que
buscam a luz plena e já a vislumbraram; estes trazem no peito o escudo em
espelho e contra tais as trevas não prevalecerão! Chegará o dia, e agora já é,
em que deixaremos de ver somente as aparências e em espelho! Neste dia, e agora
já é, conheceremos plenamente, como plenamente já somos conhecidos! E este dia
chegou, e este dia já é... E nos veremos face à face e o som da primeira
trombeta já soou! Está declarada a batalha da Luz contra as Trevas e contra
aquela, estas não prevalecerão! Os despojos pertencem ao Vencedor! E para a
alma que das trevas será libertada, tudo se fará luz! A morte foi vencida! O
clarim da batalha já soou. '
28
de agosto
Leio
bons livros e a cada dia que passa, à medida que vou escrevendo, caracterizando
os personagens, vou, ao mesmo tempo, percebendo com mais fineza os caracteres
das pessoas que conheço. Não posso dizer que as acho mais bonitas
interiormente; o que tenho achado é mais tristeza e poucas alegrias, sendo
estas passageiras, fruto de pensamentos fugazes que hoje valem e amanhã já não
prestam mais.
Definição
de Homem: um sonho que uma personagem de uma narrativa está sonhando.
29
de agosto
Hoje
lavei o meu quarto para ver se consigo melhorar o “clima” dentro de minha
cabeça. Eu poderia explicar agora qual a relação que uma coisa tem com a outra,
mas estou sentindo muitas dores por causados furúnculos que apareceram atrás a
orelha e debaixo do queixo; também não escrevo, porque, quando abaixo a cabeça
para escrever, o papel fica todo pingado de sangue; qualquer dia, em qualquer
hora, coloco novamente a situação diante de uma personagem e aí ela que se
preocupe com as explicações, justificativas ou seja lá com o que ela quiser. E
pronto.
30
de agosto
Tenho
andado com minha atenção desperta desde que recebi aquele e-mail desafiando-me
para lutar pela posse de minha alma. O desafio foi aceito.
Tento
não me irritar e nem deixar que este espírito do mal me distraia de meu ofício.
Devo procurar conhecer bem as maneiras de que se utiliza para melhor poder
escrevê-las em meus livros que não devem falar do particular, mas do universal.
Mas é difícil para meu intelecto apreender o que está acontecendo na esfera
espiritual.
31
agosto
Uma
coisa estranha aconteceu hoje de manhã: sai para comprar um livro sobre os
mitos da antiga Ásia e que há tempo encontrava-se esquecido e empoeirado na
prateleira de um antigo Sebo e ele havia desaparecido; indaguei do dono e ele
não se lembrava de ter aquele livro na livraria. O que me dirá esse livro? Devo
ser cauteloso em meus julgamentos. 'Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos.
'
32
agosto
Terminei
o meu noviciado no dia em que fiz oitenta e dois anos; foi o tempo que levei
ouvindo, vendo e aprendendo. Agora, sinto que estou sendo submetido a provas
para saber se sou digno de tornar-me um Iniciado. Por outro lado, sei que isto
não depende de mim; sou apenas terreno de peleja. A primeira prova já veio;
outras mais virão e eu não sei se passei na primeira. Desde ontem sinto que meu
espírito descansa; há calmaria dentro de mim, mas não sei se o inimigo se
prepara para outro ataque. Digo “inimigo” porque as provas para a iniciação
constituem-se de enfrentamentos com as forças do mundo inferior: ou se é
derrotado e aí – ai de mim! - ou se é vitorioso e inicia-se uma nova fase.
Estou em estado de alerta. Porém, sei que de nada adianta eu me preocupar,
porque na hora da peleja, será o espírito divino que em mim habita quem irá lutar.
Eu, por mim mesmo, nada posso fazer, só me resta esperar.
33
de agosto
Sinto
que o inimigo está à espreita, como fera acuada. Talvez o ataque venho hoje ou
amanhã. Se vier hoje, estou atento, porém volto a dizer para mim mesmo que quem
está escrevendo estas palavras não é o espírito divino que em mim habita; quem
está alerta – atitude vã – é minha mente, minha razão, meu intelecto – arma
inútil e, às vezes, até aliada ao mal. Quem tem ouvidos ouça o que o espírito
diz ao seu templo humano.
34
de agosto
Urinei
na cama durante a noite passada. Acho que o espírito divino, durante a luta,
abandonou o meu corpo, deixando-me à mercê do espírito infernal, que fez com
ele o que quis, para mostrar o seu poder e a sua força. Não sei o que aconteceu
durante o sono. De qualquer maneira, hoje, a minha consciência não me acusa de
nada, isto é, o demônio não me flagela. Estou bem.
35
de agosto
A
luta, que parecia haver cessado, continuou no silêncio, impedindo-me de fazer
qualquer coisa. Queria chorar, mas “ele” não deixa; tenho medo e sinto dor. O
pai da mentira usa pessoas inocentes, entrando em seus corpos e fazendo com que
elas, sem o saberem, trabalhem para ele. Seu objetivo é ganhar a alma. Agora me
ataca diferente, não é mais cara a cara; agora, tira minhas forças criativas,
enfraquecendo meu corpo e minha mente, tomando conta de minha alma. Quem virá
em meu socorro? Ó Espírito Divino, senhor dos céus e da terra, Deus todo
poderoso! Vinde em auxílio de minha alma; livrai-me dos espíritos infernais
dando-me o poder de exorcizá-los! Fortalecei minha alma levando-a para mais
perto de vossas asas protetoras e então terei forças para continuar a lutar.
Vinde em meu socorro, não me deixeis naufragar novamente! Deus meu, Deus meu, por
que me abandonaste?!”.
Estas
anotações, em forma de diário, foram encontradas dentro da gaveta de “escritos
não concluídos...”; tenho a certeza de que não as escrevi antes daquele dia
onze de junho, mas a caligrafia é minha. Além do que acabei de contar, só uma
coisa mais resta a narrar e que me devolveu a alegria de viver: o que senti um
pouco antes de abrir os olhos. Neste momento, senti meu corpo todo ser sacudido
e depois ser suspenso no meio da escuridão das trevas do que me pareceu ser o
Abismo e nem o meu próprio corpo, eu conseguia enxergar. A única certeza que eu
tinha era a de que havia um pensamento e esse pensamento era eu; sentia que era
fortemente puxado para cima e para baixo; senti o que acho ser meu próprio
corpo ser partido ao meio; no mesmo instante, uma voz vinda de dentro de mim
gritou, não para mim, mas para outro alguém que estava fora de mim: “que temos
nós contigo? Vieste destruir-nos? Bem sabemos quem sois”. E logo em seguida
ouvi uma grande voz, como a voz de muitas águas, que imperativamente falou:
“cala-te e sai dele!”. Foi então que senti meu corpo sendo convulsionado pelo
que falara primeiro e que, gritando com grande voz, foi arrancado de dentro de
mim e jogado de volta ao Abismo. Neste exato momento, abri os olhos e senti uma
grande paz e vi que estava deitado em minha própria cama e tinha as vestes
rasgadas e sujas de sangue, mas por baixo delas, o meu corpo estava são.
Levei
as mãos ao rosto e, então chorei.
EP. Gheramer
Dói-me o teu corpo que não afago...
Labels:
Manuel marques.poema
Tremem-me as minhas mãos quando apertam o teu lugar vazio
chamo-te porque a minha voz nasce e tenho que amar-te
senão morro de amor
o silêncio na noite enlouquece-me...
É tão fundo o silêncio entre nós
o que será feito daqueles restos de saudades
dói-me o teu corpo que não afago...
Manuel Marques (Arroz)
chamo-te porque a minha voz nasce e tenho que amar-te
senão morro de amor
o silêncio na noite enlouquece-me...
É tão fundo o silêncio entre nós
o que será feito daqueles restos de saudades
dói-me o teu corpo que não afago...
Manuel Marques (Arroz)
Horário de Deus
Labels:
Gilberto de Almeida,
Poema
Os sabiás do entorno da minha casa
nem sabem o que é horário de verão:
- continuam cantando às cinco e quinze da manhã,
seja isso que horas forem!
Gilberto de Almeida
17/10/2016
Gilberto de Almeida
17/10/2016
Parêntese
Labels:
Gilberto de Almeida,
Poema
A vida na Terra é um parêntese
recheado de ponto-e-vírgulas
em meio à reticência infinita
digna de exclamação...
A vida perene é uma página
que, livre de simbolismos.
aceita nossas histórias.
Gilberto de Almeida
15/10/2016
Alma nascitura - II
Do alto, no infinito, alguém procura
tornar à efervescência desta pira...
É o espírito, exitante, que pedira
a chance de uma nova investidura.
Esforça-se, trabalha e se depura
até que, na matéria, então, se atira...
Não mais rancor, nem medo, nem mais ira;
no ventre, a paz da alma nascitura!
Em breve vem ao mundo uma criança,
guerreira dessa guerra interior
de imenso desafio, ao qual se lança!
E cabe ao mundo adulto, então, propor
a chama acolhedora da esperança
manter, na voz do exemplo e à luz do amor!
Gilberto de Almeida
12/10/2016
E o HOMEM criou deus
Labels:
EP. Gheramer
A Bíblia relata que Jesus veio instaurar
uma nova etapa na evolução da humanidade - a etapa Espiritual! Parafraseando as
lendárias palavras de Buda: “A noite do erro deixou de ensombrar a alma do homem:
levanta-se no horizonte o sol da sabedoria; estão aferrolhadas finalmente as
portas que levam à existência angustiosa e miserável; patenteia-se a estrada do
céu.".
Oh!
Como é enganosa a ideia que fazemos de nós mesmos, como seres humanos que
somos. E, se isso é verdadeiro, como poderemos transcender a condição por
demais superficial e artificial que é a condição humana? E como essa condição,
enquanto aceita passiva e resignadamente, impede o homem de ter experiências em
esferas mais altas, infinitas e eternas do viver pleno para o qual foi
destinado originalmente?
Chegamos
a um ponto de altíssimo desenvolvimento tecnológico. A Ciência penetra em todos
os campos do conhecimento humano - quer na exploração das profundezas dos
mares, quer na exploração do espaço sideral. No entanto, ainda é pouco, ainda é
muito pouco. Encontramo-nos neste ponto. Não há mais aventuras a serem
empreendidas pelo homem. E a população aumenta e o mundo vai ficando pequeno
demais e podemos até pensar que chegará o dia em que seremos tantos, que a cada
um caberá um metro quadrado, se tanto. Aí então, se entredevorar-se-ão mutuamente.
Aliás, já podemos perceber os prenúncios de tal estágio no presente. Porém, há
um mundo quase que totalmente desconhecido ainda, que é o nosso próprio mundo
interior. Houve um ponto na história em que o homem errou o caminho e enveredou
- para não dizer escolheu - pelo caminho que nos levou até este ponto em que
estamos. Dirão alguns que a Psicologia, já há muito tempo, nos descobriu este
mundo. Mas, não é deste mundo que desejo falar, pois ele é demasiadamente
humano. Então de qual "mundo" estou falando? E se existe como chegar
lá? Há algo lá? É possível?... O que nos é desconhecido instiga nossa
curiosidade e nos enche de perguntas. Que bom que é assim.
Apesar
de todo o progresso da Ciência, do Saber, da Técnica que o homem possui, é
pouco... Quase nada se tem conseguido para chegar a este Mundo do qual estou
falando. O instrumental que o conhecimento humano nos proporciona não é
suficiente para alcançá-lo. É preciso, antes, transcender este cárcere
conhecidos sentidos humanos para começar a entrar em contato com a plenitude a
que temos direito. Chega de viver uma vida monótona, cheia de tédio e de insatisfação,
enfim, uma vida que não é Vida! O tato, o olfato, o paladar, a audição, a visão
e o sentido somestésico são apenas alguns dos sentidos que conhecemos e
desenvolvemos e, por isso, só conhecemos o que nos permitem tais sentidos. Aí então,
vamos vivendo a nossa vida como se aquilo que percebemos fosse a verdadeira Realidade.
Porém,
e isso é fundamental, possuímos muitos sentidos além dos que usamos; são
dezenas, centenas, milhares... Somos um corpo inteiramente sensitivo, voltado
para a recepção de todas as forças e energias do universo e, no entanto,
ficamos restritos à meia dúzia de maneiras para apreender a Realidade e, então,
com estas mínimas, vulgares, quase desprezíveis percepções forjamos, para nossa
própria segurança psicológica, uma realidade falsa e por isso, mentirosa e
enganadora e, portanto, irreal! Mas alegremo-nos! Já é possível dar o salto
para uma Evolução Criadora, aliás, este salto já foi dado e está a nossa
disposição há mais de 2000 anos. Como assim? Quem deu esse tal salto? - Alguns
podem estar se perguntando e alguns outros já sabem a resposta.
Há dois mil anos atrás, mais ou menos,
Jesus deu este salto e deixou o caminho aberto para quem quiser. O caminho para
uma evolução criadora, para uma vida plena e abundante. Ele nos abriu as portas
do Reino de Deus, embora tal Reino já estivesse dentro de nós, mas era preciso
que Ele viesse para nos abrir a porta. Trata-se do Salto Espiritual.
Uma enorme interrogação surge em nossas
mentes: "Se a porta foi aberta há dois mil anos por que não foi vista?”. E
eu respondo - ela foi vista, por poucos, é verdade, mas foi vista.
Não
foi vista por todos porque a interpretação dos judeus - Jesus era judeu - a
respeito do Reino de Deus era somente terrena, por demais de acordo com a
natureza humana, sem nenhuma centelha divina aparente ainda não se evidenciara,
mas com a chegada do Messias, começou a manifestar-se no interior do homem e já
podia começar a acender-se. Deus não pensa pequeno, como nós. Então é preciso deixar este Reino que está
dentro de nós, manifestar-se como tal: ESPIRITUAL! É o Espírito que fala de
agora em diante, deixando a estreiteza do pensamento humano e penetrando na
largueza do pensamento divino. Embora ainda num corpo material, não deve ser
mais a matéria (os sentidos) que continua a falar apenas. Que se dê a palavra
ao Espírito, ao imaterial que, na verdade, sempre esteve em nós, animando o
corpo humano material - é o sopro da Vida, dado pelo Criador desde o início dos
tempos, mas que somente com o advento de Jesus - e através dele - passa a
manifestar-se, pois, antes d'Ele, vivíamos sob o domínio da Lei, dada por Deus
e escrita em papel perecível - éramos apenas carnais. E somente com a Lei era
impossível dar o salto para o Espiritual – o salto no absurdo da fé.
Com
o caminho já aberto por Jesus, um novo pacto foi feito, com a boa notícia trazida
por Ele. Isso se tornou possível - o Reino de Deus chegara para habitar dentro
de nós. Diante de tal Reino, de tal maravilha, somente nos resta apontar nossos
passos para trilhar este Novo Caminho que, por ser novo, pode muitas vezes ser
mais difícil caminhar - e até mesmo encontrá-lo -, porque o ser humano prefere
o velho caminho no qual já está acostumado, apesar de irreal; estamos, ouso
dizer, como que viciados no velho e largar um vício não é fácil, principalmente
por tratar-se do que se trata, ou seja, deixar a maneira material de pensar a
vida, solidificada por milênios de tradição, para abraçar o Novo Caminho - o do
Evangelho - o qual só pode ser trilhado andando pelo Espírito. Mas isso não é
difícil para aquele que se dispuser a colocar-se nas mãos sempre estendidas do
Espírito Santo de Deus. E elas estão sempre estendidas aos homens, pois, fomos
criados segundo os propósitos de Deus, para sermos a sua mais preciosa obra, à
sua perfeita semelhança.
Qual
é a ideia que fazemos de Deus? Ela tem sua origem em nossa parte humana ou
divina? Material ou imaterial? Será que fazemos Deus à nossa imagem, como
faziam os gregos com os seus deuses? Se o fazemos, então devemos
apagar o que está escrito em Gênesis, capítulo 1, versículo 27 e, em seu
lugar, escrevermos "E o Homem criou deus à sua imagem...". Outra
pergunta se impõe: Em que tipo de Deus quer que acreditemos? É aquele criado pelos
homens religiosos e que pretendem encerrá-lo num templo físico, erroneamente
chamado de igreja?
Não é tarefa fácil responder a estas
perguntas. Porém, não nos esqueçamos de que tal como os discípulos que no
princípio acompanhavam Jesus e viam tudo o que Ele fazia, custaram a perceber
que Ele era o Messias, quão mais difícil é para nós, hoje, perceber isso.
Assim, não desanimemos porque, há seu tempo, Ele se revelará àqueles que o
procuram. Apenas tenhamos paciência - o Tempo de Deus não é igual ao tempo do
homem.
Deus
se mostra aos poucos - ele usa conta-gotas!
EP. Gheramer
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PRESUNÇÃO
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EP. Gheramer
Lucas 21. 29-36
O Quebra-cabeça há muito estava montado. Mas, uma
única peça ficara fora do tabuleiro e para ela não se achava lugar. Somente o
seu inventor poderia saber por que assim o era. Mas, quem conhecia a mente dele?
Quem primeiro deu a ideia a ele para que possa lhe dizer?
E quanto àquela peça sozinha, sem lugar para ela no
grande tabuleiro da vida? Ela sentiu até medo de pensar. Mas é natural que
sentisse. Tinha medo de expressar o que pensava daquilo tudo. Mas, se estiver
certo seu pensamento? Não, não pode ser... É loucura pensar o que pensava –
dizia para si mesma. Mas o que pensava? Será
possível ao ser mortal conhecer ou sequer imaginar o que é ser imortal? Ter a vida eterna?
O Cristo conhecido é o próprio Anticristo! Como
escapar do desespero causado por este pensamento? Somente será livre se
receber, por revelação do próprio Deus, que esse é o Cristo pregado pelas
religiões criadas pelos homens, só assim poderá se ver livre da agonia de uma
existência deslocada. Satanás é tão astuto que deixou nas religiões a mentira
de que o Anticristo um dia chegaria ao mundo quando, na verdade, ele sempre
esteve no mundo, desde um tempo que não se consegue imaginar. Neste caso a
palavra bíblia deve ser escrita com letra minúscula porque, na verdade, não é a
palavra de Deus, é a palavra do Diabo!
Neste caso, que o Verdadeiro Deus ajude ou destrua o
justo, pois, ele pensa contrariamente ao que toda a espécie humana pensa e
acredita desde sempre. Mas a situação pela qual a Humanidade está passando e
sempre passou, só pode ser fruto diabólico! Não é parecido com o belo e
prometido narrado na Bíblia.
De cabo a rabo a Bíblia descreve a desgraçada vida do
homem sobre a face da terra. Segundo ela, tudo teve seu início no Éden, quando
o ser humano preferiu acreditar nas palavras do ser maligno que lhe dizia que
não morreria se comesse da árvore do Conhecimento, antes, pelo contrário, teria
o mesmo Conhecimento do Bem e do Mal, seria como o próprio Deus.
Desde então, desprovido de sua imortalidade, o homem foi
lançado fora do tabuleiro edênico e desde então vive como peça deslocada porque
fora do belo quebra-cabeça. Não encontra lugar para si e é obrigada a enfrentar
e aceitar sua mortalidade. Seu nome é Presunção e toda sua existência seria
pautada pelo falso conhecer do que é o Bem e o Mal. Assim, e até os dias de
hoje, todo seu julgamento parte de uma premissa falsa que é a de possuir o
verdadeiro Conhecimento. Por toda a Bíblia encontramos o homem desgarrado de
Deus e praticando o mal, achando que pratica o bem. O conhecimento que possui é
falso porque veio do pai da mentira.
E tudo vem se repetindo, desde então. Também foi assim
nos dias de Noé e depois dele, quando aqueles que saíram da arca continuaram a
praticar o mal pensando que faziam o bem, pois, ainda carregava em sua natureza
o mesmo falso conhecimento. E a morte continuou a reinar!
Estamos na Primavera e logo aparecerão as flores em
toda a sua exuberância. Afinal, é a estação das flores e o anúncio da chegada
do verão.
Na leitura do texto de hoje, Lucas fala na forma de
parábola, sobre a vinda do reino de Deus. Ele nos adverte para que tenhamos
cautela; para que os corações dos discípulos não fiquem “sobrecarregados com as
consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo”, para que
a sua vinda não venha “sobre nós repentinamente, como um laço, pois há de
sobrevir a todos os que vivem sobre a face da terra.”.
Mais uma vez a história se repete. Mais uma chance é
dada ao homem. Não posso deixar de imaginar o profundo sofrimento contido no lamento
de Jesus-homem e Deus quando, do alto de um monte e tendo à sua frente Jerusalém,
ele diz:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas
e apedrejas os que a ti foram são enviados! Quantas vezes quis eu reunir os
teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós
não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois,
que, desde agora, já não me vereis, até que venhas a dizer: Bendito o que vem
nome do Senhor!”
Como das outras vezes, nos é oferecido uma
escapatória: devemos vigiar e orar para estar em pé quando ele vier.
Voltando um
pouco, ainda em Lucas, encontramos a chamada “Oração Sacerdotal”, onde Jesus
pede ao Pai, referindo-se aos seus discípulos: “Não peço que os tires do mundo,
e sim que os guarde do mal.”; e mais: “Não rogo somente por estes, mas também
por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio de sua palavra.”.
Como vimos no texto do dia 13 passado, esse dia virá
como um “relâmpago, fuzilando” e brilhando de “uma a outra extremidade do
céu.”.
Mas o homem, ainda carregando a sua presunção, não tem
paciência para esperar e diz consigo mesmo: “meu senhor tarda em vir” e continua
praticando a maldade. E, como nós que vivemos hoje, os discípulos queriam saber
quando ele voltaria. E a resposta é a mesma: “Cuide que não sejais enganados”.
Mas, pela sua misericórdia, ele nos diz que “Levantar-se-á nação contra nação,
e reino contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários
lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu.”. E mais: Antes,
porém, “lançarão mão de vós e vos perseguirão... E sereis entregues até por
vossos filhos, irmãos, parentes e amigos..., Haverá sinais no sol, na lua
e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações com perplexidade por
causa do bramido do mar e das ondas; (...) Os poderes dos céus serão abalados.
Então se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.
Ora, ao começar a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa
redenção se aproxima.”.
Ora, de todos os sinais acima, qual - ou quais - ainda
não se vê? Sim, porque quase todos eles já acontecem nos dias de hoje; não há
quem ligue a televisão ou olhe à sua volta e não veja o que já acontece. A
corrupção de Israel, relatada pelo profeta Miquéias, não é diferente da que
vemos nos dias de hoje no mundo todo.
Os complicados estudos e comparações feitos pelos
estudiosos dão a entender que os discursos pronunciados por Miquéias foram feitos
após o ano de 722 a.C. Não obstante, é impossível datar com exatidão seus
discursos.
As injustiças sociais eram notórias nos dias de Miquéias
– nos dias de hoje - e por esta razão já ia surgindo no horizonte profético a
ameaça do exílio babilônico do povo de Israel.
Entre os pecados por ele denunciados no seu tempo,
podemos salientar os seguintes: a idolatria, a cobiça dos nobres que se iam
apossando dos campos dos pobres; a desconsideração para com os direitos da
herança; visitantes estrangeiros eram assaltados e roubados. Infelizmente, são
os mesmos que vemos nos nossos dias. Porém, o pior de todos os pecados
denunciados por Miquéias era a prática de sacrifícios humanos! (Miquéias 6.7 e
II Reis16. 3 -40). Já no seu tempo
Miquéias nos diz que “pereceu da terra o piedoso, e não há um entre os homens
que seja reto; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande
fala dos males da sua alma.” E nos aconselha: “Não confiais no amigo, nem
confiais no companheiro. Guarda a porta de tua boca àquela que reclina sobre o
teu peito. Porque o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, a
nora contra a sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.” - o mesmo
acontece hoje! Qualquer semelhança com
os dias de hoje não é coincidência.
Eu, na minha falta de conhecimento, penso que só falta
surgir “grandes sinais do céu.”. Então eu saberei que chegou a hora.
Ah, Homens com suas Religiões! Quantos males causam
com sua Presunção!
Esta será a última vez?
A Bíblia diz que sim.
EP.
Gheramer
CONVERSANDO COM O TEMPO
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Crônica,
Maristela Ormond
CONVERSANDO COM O TEMPO
(Maristela Ormond)
![]() |
| Imagem retirada da web |
Gosto mesmo de falar do tempo. Será
que ele me incomoda?
O tempo é algo que sempre busco
acompanhar e enfim ele sempre sai vencedor porque descubro que não sei
administrá-lo. Sou sempre a última a chegar e ao mesmo tempo a última também a
sair. Corro para alcançá-lo e quando abro os olhos passaram-se meses, anos...
Aquela ruga não estava em minha
testa na foto anterior, o tempo colocou-a e não percebi enquanto passava por
mim e me enganava, porque certa de que poderia superá-lo, fui novamente deixada
para trás.
Como não deixar nada para trás? Como
voltar no tempo e consertar algo que ele levou surrupiando (sem que me desse
conta) meu tempo com pequenas bobagens
que eram imprescindíveis e que hoje já não significam nada? Ah tempo! Se me
enganares novamente não terei tempo nem ao menos para me perdoar e perdoar tuas
travessuras quando se ri de mim deixando-me cansada correndo atrás de ti...
Tempo dê-me um tempo para pensar,
para entendê-lo e ande de braços dados comigo ensinando-me como acompanhá-lo de
maneira a render-me a teus encantos que são tantos... Faremos assim: Eu dou
tempo ao tempo e você me dá um tempo para que possamos contemporizar nossas
diferenças tornando-nos condescendentes e assim quem sabe um grande romance há
de surgir entre nós, eu compreendendo-te e você me ensinando aceitá-lo e sentir
suavemente tua passagem e a sabedoria que poderei adquirir junto de ti...
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