ESPERANÇA
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Marco Tisi,
Poema
ESPERANÇA
Ela é uma
Linda e meiga Menina Palestina,
que por
coincidência ou não,
esta
trajando um vestidinho verde,
então, como
dizem ser o verde a cor da Esperança,
é ela a
menina Palestina com Esperança.
Ela agora,
esta recolhendo, nas ruínas dos bombardeios,
Livros que
restarão desta guerra insana,
assim como
se estivesse colhendo flores,
talvez até,
porque agora ela seja uma refugiada
em uma
escola, que pensa ser um lugar seguro.
Ms isso é
um ledo engano,
eis que
mesmo as escolas são alvos
que não são
poupados,
da
voracidade ignóbil dos Senhores da Guerra,
porque
estes, estão em seus “ bunkers “ protegidos,
enquanto
tramam a insanidade ignóbil
deste Eterno
conflito,
que a cada
dia que passa só há mais vitimas fatais,
principalmente
crianças inocentes, a contar.
Esse nosso
Mundo louco, é assim,
certas
situações nunca irão acabar,
como por
exemplo agora o “ Nazismo “
que
simplesmente só mudou de lado.
Então se a
Querida Menina Palestina com Esperança
sobreviver
do seu refugio,
que pensa
ser seguro de mais um bombardeio absurdo,
na próxima
obscura Aurora,
Ela irá
procurar mais Livros,
como se
estivesse colhendo Flores,
nos
escombros da Intolerância.
Marco
Aurelio Tisi
( 31/0702014
)
Uma andorinha
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Gilberto de Almeida,
Poema
A igreja só
não faz verão,
mas a andorinha,
matreira
(que Deus lhe pague!),
na minha mão,
mais vale dois
voando!
Por mais que eu queira,
por onde ando
não tem milagre!
Gilberto de Almeida
30/07/2014
Rugas na face
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Josué Brito,
Poema
Fado da tristeza mais que profunda
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Josué Brito,
Poema
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Todos os meus fados são tristes,
Tristes são os fados... fados tem
Que ser tristes, fados são tristes
E abandonados...
Até o canto dos fadistas são tristes,
Amores incompreendidos e mal amados,
Vivem amores estranhos... até hoje
São assombrados...
Pedro e Inês inda são destinos,
Não existem histórias felizes,
Fados são tristes... fados
São destinos...
A Mouraria escolhe o cantor
Quando este nasce, não é escolha
É destino... fado nos torna,
Fado nos mata...
Meus fados e acordeons fazem
A todos sofrerem... é ingrata a vida
De fadista... sofrer é nosso destino...
Fado é nosso algoz...
Mais pelo menos me resta os fados,
Fados e a companhia da solidão,
Resta-me a voz muda dos paços
E a solidão das freguesias...
Sofro por ti, oh Portugal,
Meus fados são sós,
São tristezas desenhadas
Nos alvos lençóis...
Falta pouco
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Isa Lisboa,
Poema
Me procure através do seu coração...
Esse conto do vídeo abaixo foi escrito alguns dias depois da pequena Isabella Nardoni (http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Isabella_Nardoni) vir a falecer. Foi uma pequena homenagem...
JGCostaÉ o teu corpo esta saudade...
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Manuel Marques,
Poema

Cinzelo o teu corpo em minha mente
um corpo em carne e desejo
o meu olhar é um sorriso de saudade
aguardo as noites
aguardo os sonhos
todo o meu desejo te pressente ...
Deita-te comigo
vem e prende-me nos teus sonhos
teu corpo meu último refúgio
meu corpo no teu corpo entrelaçado
é o teu corpo esta saudade...
Manuel Marques (Arroz)
Uma chave do passado - Cap1
Prólogo – Refúgio
Um
soluço, quase inaudível, cortou o silêncio do quarto escuro. Era o soluço de
uma jovem de vinte e tantos anos, quase que desnuda, com uma fina lingerie
preta, sentada no chão frio, no único canto em que a luz da lua conseguia
alcançar através da janela.
Suas lagrimas
eram evidenciadas pelo caminho que a tinta do lápis de olho fez em seu
rosto. Sua boca esbranquiçada e seca era
constantemente mordida. Bastava olhar para porta que ficava a sua frente. Um
sobretudo ensanguentando jogado no chão impedia que a luz que saia pela fresta
da porta chegasse com amplitude aos olhos chorosos da garota.
Ela tentou afastar da sua cabeça as cenas que
presenciou, tentou afastar a dor que sentia. Mas uma dor mais forte que
qualquer pele dilacerada preencheu seu peito mais uma vez, sufocando-a, e
somente um sorriso, preso na memória, foi capaz fazer o ar voltar aos seus
pulmões.
Engatinhou até
o sobretudo e pegou embaixo dele um livro roxo, estava manchado pelo sangue em
algumas paginas e suas mãos tremulas quase não tinham forças para levanta-lo,
então o arrastou até onde estava.
Ficou
novamente sentada no chão frio, com as costas na parede branca, ainda mais fria.
Abriu o livro, e suas lagrimas caíram em uma das paginas. Seu soluço pareceu
mais alto nesse momento. E aumentou mais ainda ao ler as primeiras frases:“21 de maio. Querido diário, Jéssica está feliz...”
Desistiu de
ler, mas se arrependeu e tentou voltar a ler.
TUNC.
Um enorme
murro na porta retirou qualquer possibilidade de ler naquele momento. Evelyn se
levantou como se todas as forças voltassem para seu corpo, apertou contra seu
peito o diário que possuía.
A respiração
estava ofegante.
TUNC!
A porta tomou
outro murro.
Os olhos de
Evelyn procuraram um esconderijo pelo quarto escuro.
Qualquer um.
TUNC!!
E a maçaneta
da porta envergou.
E finalmente,
seus olhos encontraram seu refúgio.
TUNC!
E a porta se
abriu em um sonoro solavanco.
Cap 1 – Clichê, onde tudo começa.
A luz azul do
giroscópio bateu nas paredes e muros pichados das casas na cidade, iluminando
mais que a pouca iluminação âmbar dos ínfimos postes que vez ou outra
surgiam entre os becos, ruas e ruelas. O
bairro era antigo, com ruas de paralelepípedo desgastado pela ação do tempo. As
casas, em geral, tinham mais sorte, apesar de sua arquitetura colonial. Algumas
vezes dava pra se ver um prédio, ainda que antigo, com cores mais vivas do que
o cinza mórbido que as cidades insistiam em apresentar.
A
viatura policial parou em frente a um prédio de cor desbotada e amarronzada,
tinha três andares, com vidros de pouco mais que meio metro, distribuídos em intervalos
um pouco maiores. Na frente das grades
verdes que circulavam o prédio, uma arvore isolada estendia-se até o primeiro
andar do prédio. Era um alfineiro, com
flores brancas que balançavam com o vento, em uma dança de resistência
descompassada.
Carlos
desceu da viatura, olhou o relógio de pulso, marcava 4:30am. O céu já começava
a apresentar um tom mais claro do que o azul negro da noite.
Apesar do horário, ainda haviam pessoas na rua,
e as pessoas são curiosas por natureza,
bastava que algo saísse da normalidade para que um aglomerado de pessoas
aparecesse para entender o que estava acontecendo. E uma cena de homicídio,
ainda que surgisse de tempos em tempos, nos mais diversos lugares, nunca seria
algo normal.
Pelo
menos, não para todos.
Carlos
ajeitou a manga do blazer de camurça, enquanto Bruno, seu irmão de profissão,
aproximou-se acendendo um Lucky Striker. Sempre um Lucky Striker.
Bruno
já tinha quase meio século de vida, e boa parte dele foi vivendo em clichês
policiais de suspense e horror. De tanto presenciar as cenas mais escrotas e
hediondas possíveis, tornou-se apático. Essa apatia, inclusive era explicita na
forma de se portar e vestir. Nesse dia em especial, uma golo polo preta gasta
que mal escondia sua pistola Glock G22 presa a cintura, e uma jeans azul
surrada. Um conjunto harmônico com um cabelo branco desgrenhado e uma barba por
fazer.
Carlos,
por outro lado, tinha seus trinta e poucos anos, e ainda dedicava boa parte de
sua atenção a roupas elegantes e finas. Uma camisa social preta e um blazer
marrom de camurça que escondia um revolver prata, no coldre axilar. Os cabelos negros cortados a maquina, bem
curtos e um olhar serrado. Talvez, alem da profissão, o que mais se assemelhava a Bruno era a barba por fazer.
Ambos
ficaram lado a lado, não trocaram uma única palavra. Eles já viram um par de
cenas igual a essa. Eles viviam esses clichês policiais cotidianamente. E essa
noite seria mais uma dentre tantas outras noites normais.
Uma
rápida olhada no prédio.
E
caminharam para o prédio. Para mais uma cena anormalmente normal.
É a dor do infarto!
Tum-tum, tum-tum...
momento intenso
em que eu compenso,
talvez, algum,
algum jejum...
Faltou incenso?
Faltou consenso?
Tum-tum, tum-tum!
A dor urgente
detidamente
esmaga o peito!
Já não tem jeito;
não sei se parto...
É a dor do infarto!
Gilberto de Almeida
26/07/2014
PEDRINHAS
Labels:
Marco Tisi,
Poema
PEDRINHAS
São duas
Lindas Crianças,
uma
Palestina outra Israelita,
elas tem no
coração
a mais pura
inocência,
que alias é
entre Elas
para a
Amizade a Essência.
E a
brincadeira que mais gostam
e fazer
casinhas de pedrinhas,
para então
para sempre serem vizinhas.
Mas Elas
irão crescer,
e para cada
um de um jeito diferente,
mas com o
mesmo efeito influente,
será
incutida em seus Corações
a semente do
ódio através de Dogmas
que lhes
causará as piores aflições,
que
resultará entre as suas Amizades
a total
dilaceração.
Mas é claro
que daqueles
que
plantaram os tais Dogmas,
nos corações
dos amigos inocentes,
é só um
subterfugioso para obter o Poder,
e entrar em
uma eterna Cisma,
cegando de
vez os corações do rebanho,
que agora só
vive se engalfinhando.
E é claro
que dos céus,
não vira
nenhum raio,
para punir
os incutidores
das sementes
odiosas
nos corações
das crianças
que agora
estão cegas
pelos Dogmas
maléficos.
E então da
próxima vez
que as então
Crianças Amigas
Israelita e
Palestina se encontrarem,
elas
atiraram, uma na outra,
pedras e
mais pedras,
para
destruir de vez,
o sonho que
tinham, quando Crianças,
de serem
vizinhas,
em casas
feitas de pedrinhas.
Marco
Aurelio Tisi
( 26/07/2014
)
A fila
Labels:
Crônica,
EP. Gheramer
Se há uma coisa que posso dizer que detesto, esta coisa é
entrar em fila. Vou contar o que me aconteceu certo dia em que precisei
descontar um cheque no banco.
Tarde quente. Eu me vesti, apanhei o cheque, coloquei os óculos
escuros e saí. O asfalto pisado parecia tapete de sala. Fui andando até o
centro da cidade. Quando dobrei a penúltima esquina que me separava do banco,
quase esbarrei no homem parado, desviei e continuei andando. Na frente daquele
homem havia uma senhora, na frente dela outra senhora, depois um homem, depois
outro, e outro e outro... era uma fila! Tá doido sô! - pensei. Apertei o passo.
Andando ao longo da fila acabamos por chegar junto à porta
do banco... Estanquei, devo ter ficado pálido, virei-me e contemplei –
horrorizado - a imensidão daquela fila. Hesitei... Enfrento ou não enfrento a
desgraçada? Lembrei-me dos bolsos vazios e decidi – fui obrigado – a enfrentar.
Que remédio? Andei para o rabo da fila e posicionei-me, aceitando meu trágico
destino.
Eram duas e meia da tarde e o sol batendo em mim. Ali,
resignado, fiquei a olhar distraidamente os passantes felizes, pois eles não
tinham que estar na fila. Quando enjoei, passei a ouvir a conversa de duas
senhoras atrás de mim que reclamavam do governo e logo o homem da minha frente
também se virava para dizendo que o país estava precisando era de uma revolução
para acabar com aquela pouca-vergonha e blá-blá-blá. Cansei de novo. Voltei aos
felizes passantes que, me parecia, riam de nós. Ali parados sob o sol quente,
rendidos ao poder supremo do dinheiro. O suor pingava. Ah! Um banho frio
agora...
Depois de uma hora eu estava quase no meio da fila. Detesto
fila. Então fiquei a pensar: depois que descontasse o cheque, iria comprar umas
folhas de papel há muito precisado e, depois, para compensar todo aquele sacrifício,
iria fazer um lanche na Confeitaria Modelo, em frente à estação das barcas – um
salgadinho e um caldo de cana. Depois, fumaria um cigarro, tragando forte, que
era pra compensar o tempo que levei na fila sem fumar: sim, porque fumar em
fila, debaixo de sol quente, não tem graça nenhuma. Então, refeito, pegaria o ônibus
para casa, onde tomaria aquele banho frio de meia hora. Que droga, essa fila não
anda!
Às quatro e meia, quando consegui, finalmente, entra no
banco, vi-me diante de vários guichês e, em frente a cada um deles... uma fila
terrível! Mas já estava perto... levei uma hora, marcado no relógio, nesta
filinha. Peguei meu dinheirinho e saí, olhando para os filantes, pensando comigo que eles deviam estar mortos de inveja de
mim.
Passei na papelaria. Escolhi o papel que precisava e fui ao
caixa para pagar... Ah! Não! Outra fila?! – falei um pouco alto e uma dona que
estava perto me olhou com olhos espantados e se afastou. Sim, tinha uma fila
pra pagar. Bem – pensei com meus botões -, para quem enfrentou uma fila de duas
quadras, aquela ali era pinto. Enfrentei
e paguei. Fui até o balcão de embrulhos. Ali não havia fila... Havia um
amontoado de pessoas, grudadas umas às outras pelo suor, que tentavam pegar
suas compras. Afinal, peguei e saí. Ensopado de suor, agora eu ia comer.
Fui descendo a rua até as barcas, dobrei à direita e cheguei
até a confeitaria. Será que ainda tinham aquele salgadinho? Fui ver. Tinha. No
balcão um cartaz: “Fichas no caixa”. É porque tem muita gente que come e depois
sai, distraidamente – ou será disfarçadamente? – sem pagar, e aí, o pessoal que
é dono de comércio de lanches inventou essa de primeira pagar, depois comer. Tinha
fila pra pagar. Mas era uma fila diferente porque, enquanto a pessoa andava, ia
olhando os salgadinhos atrás dos vidros. Paguei, comi, bebi e saí.
Parado na porta, eu acendi o cigarro e traguei forte... Olhei
para um lado, olhei para o outro... gente pra lá e gente pra cá... Fui pra lá
pegar o ônibus. Agora faltava o banho frio. No ponto do ônibus, outra fila,
mas, aleluia, seria a última do dia e de muitos próximos dias, eu juro! O ônibus
veio, entrei, paguei e fiquei em pé, não tinha lugar sentado. De repente, eu
percebi que em pé no corredor do ônibus, junto com outras pessoas, parecíamos
uma fila, onde ninguém andava - quem andava era a própria fila, carregada pelo ônibus...
Afastei da cabeça aquele pensamento. Tudo bem, era a última; já estava pertinho
de casa e iria tomar um banho frio; logo eu ia melhorar. Fila? Se Deus quiser,
não tão cedo – pensei exausto.
Saltei do ônibus, andei dez metros até o meu edifício, subi
a escada, toquei a campainha, meu irmão abriu a porta, entrei direto para o
quarto, tirei a roupa, fiquei só de sunga, peguei a toalha e fui para o banho. Ao
chegar ao corredor, o que vejo?! Meu irmão, toalha no ombro, encostado na porta
fechada do banheiro, perguntando à minha mãe se ela ia demorar no banho... Ah!
Não! Fui direto para a área do apartamento, enchi um balde com água e, com um
canecão, tomei banho ali mesmo, sob os olhares curiosos de meus vizinhos. Eu
havia jurado que em outra fila eu não entraria tão cedo. Ai, que banho bom...
EP.Gheramer
Imagem: Web
Querer
Querer, sempre querer... Eis onde estamos:
- perdidos nos caminhos do deserto
hostil, que vãos desejos vêm - por certo!
- impor, quais inclementes, rudes amos.
Querer, sempre querer! Mas convenhamos:
- deter, possuir, reter é um desacerto
que um dia a vida põe a descoberto
à luz da consciência... e nos curvamos!
E logo percebemos, mais adiante,
que o mundo do querer é uma ribalta,
sinistra pantomima inebriante;
e livre da ilusão, nossa alma incauta
percebe - finalmente! - num rompante
que a quem querer não quer, nem isso falta...
Gilberto de Almeida
25/07/2014
Poema aos escritores
Labels:
Josué Brito,
Poema
Somos nós, os que usam as mãos
e as palavras, somos nós que no fim da jornada
sobre todos escrevemos, mas esquecemos de viver.
Somos nós que tempos amores incorrespondidos,
somos nós que muito amamos e pouco,
pouco pedimos.
Somos nós que registramos a histórica,
somos nós que cantamos as vitórias
e declamamos solenemente as derrotas.
Somos nós filhos de Camões, netos de Shakespeare
sobrinhos de Cervantes, que fizemos grandes heróis,
que coroamos estórias pequenas, tornaram -se em nossas
linhas, grandes.
O que seria do mundo, se não fosse a escrita,
o que seria de nós, se não fosse o papel,
sem a tinta e sem a pena,
somos escritores, somos imaginação.
Reformulando
Imagem Sanna Franco (1947)
Como diz uma certa letra de uma música do Teatro Mágico
"Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz"
Em seu poema Deficiência , Mario Quintana , poeticamente, nos faz refletir sobre algumas palavras como deficiente, louco, cego, surdo, mudo etc...
Resolvi brincar também com estas deficiências
REFORMULANDO
Deficiente
Você no fundo será que está ciente do déficit de energia positiva dessa palavra ?
Louco
É aquele que se denomina louco ? Se assim for, sou louca assumida ! Por uma bela palavra, um belo gesto de protesto.
Cego
É o ego nas alturas?
Surdo
Só ouve a própria voz ? Nem Deus é ouvido!
Mudo
É todo aquele que não procura externar a luz da ética.
Paralítico
Sistema Educacional do Brasil . Uma fachada que nem mais inglês acredita
Diabético
Só contrai quem acredita no discurso doce dos parlamentares brasileiros . Doença longe ainda de ser erradicada.
Anão
Por mais que a vida demonstre, nunca evolui
Miserável
Pessoa desprovida de amor ao próximo em todas as escalas imagináveis.
Claudiane Ferreira
Poema Deficiente - Mário Quintana
ATRÁS DO ARCO IRIS
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Maristela Ormond,
Poema
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ATRÁS DO ARCO IRIS
(Por Maristela Ormond)
Dizem que atrás do arco íris,
Existe um porte de ouro.
Presente dado por Osíris.
Maior que um grande tesouro.
Dizem que é nosso juiz,
E que o fenômeno acontece,
Quando Deus está feliz,
E nossos atos enaltece.
Mas será que realmente,
O homem tem agido certo?
Sei que já faz algum tempo,
Que não vejo arco íris por perto.
Será que a guerra é uma sina?
E nosso Deus está triste?
Guerras e morte, como na Palestina,
E o homem colocando sempre o dedo em riste...
Que motivos nos levam a crer,
Que devemos brigar por territórios?
Vemos tantos homens morrer,
Sendo que o temos é um empréstimo e transitório...VIDA APÓS VIDA.
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Crônica,
Maristela Ormond
VIDA APÓS A VIDA
(Por Maristela Ormond)
É minimamente um assunto interessante quando nos
deparamos com narrativas de pessoas que estiveram em estado de coma e
compartilham, depois de voltarem, suas experiências sobre como se sentiram
quando se encontravam nessa situação.
Existem tantos e tantos casos de pessoas que passam
pela experiência de quase morte. Ouvimos algumas narrativas a esse respeito,
que produzem uma retrospectiva de vida e nesse meio tempo, uma oportunidade de
revisão da vida e a escolha entre o querer partir ou querer ficar.
Sim porque é necessário que o espírito queira ficar ou
partir, embora haja também um caminho traçado para cada um de nós, em que nossa
vontade pode não prevalecer, porém podemos dizer que nos foi dada outra chance
de vida e de melhoria e, em contrapartida, somos criaturas pertencentes a um
Criador.
São narrativas curiosas que nos faz pensar que nosso
espírito é eterno e não sendo sonho, não sendo ilusão, cientificamente
poderíamos dizer que essas experiências seriam uma forma do cérebro lidar com
certos traumas que o colocam num momento de pausa, deixando o corpo inerte, mas
a visão do cérebro é o que funcionaria. Ou poderíamos dizer que existe vida
após a morte, uma vez que várias dessas histórias narram episódios de lugares e
pessoas muitas vezes desconhecidas, mas que interagem. Quando não, tomamos
conhecimento de que há uma visão concreta do espírito fazendo um
semi-desligamento, para volitar pelo ambiente e participar inclusive de uma
ressuscitação do corpo carnal.
Segundo Kardec há uma semiconsciência ou uma ligação
do corpo material com espírito por algum tempo ainda que esse corpo não mais
responda, ou seja, é dada a morte cerebral, e, ainda segundo André Luiz em
“Nosso Lar”, este teve sua estada no umbral para somente depois obter um
resgate dos bons espíritos, quando de um tempo que não podemos precisar, já
havia deixado de fazer parte do mundo dos vivos.
Apesar de ser um assunto discutido nos setores da
medicina, não há explicação para tal experiência de quase morte. Ficam
perguntas sem as devidas respostas para tais acontecimentos e quanto mais nos
perguntamos e desejamos que as interrogativas sejam respondidas, mais
adentramos no campo religioso que é algo que não nos cabe fazer em respeito às
várias crenças e a liberdade religiosa de cada ser humano.
Tomo então a liberdade de falar sobre o assunto como
uma pessoa leiga, mas que se interessa de forma constante em descobrir pelo
menos alguma resposta para mim mesma, no sentido de acreditar que possamos
viver em algum outro mundo que não este e que nosso espírito é eterno, e no
mais, que poderíamos ter o privilégio de nos reencontrarmos com nossos entes
queridos, com pessoas as quais amamos muito nesse mundo e compartilhar com elas
nossas alegrias, preocupações, trabalhos que devem ser feitos para auxiliar
nossos companheiros que deixamos em outros planos, minimizando suas dores e
participando de suas alegrias.
Não sei bem até que ponto posso ou estou autorizada a
falar sobre algo que procuro compreender, mas o que sei é que realmente somos
energia e esta energia é latente em todos nós através do tocar, do olhar, dos
bons pensamentos que podemos transferir para nossos companheiros de jornada,
pelo amor que irradiamos ao outro. Afinal o que nos foi deixado por nosso
criador foi o um mandamento que diz que devemos “amar ao próximo como a nós
mesmos”, e este é o mais difícil de cumprir, uma vez que estamos praticamente
engatinhando nesse aprendizado de tentar compreender o que significa realmente
amar.
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A morte é renascer
(a uma alma abnegada que acaba de renascer em outra vida
e a seus parentes, que, deste lado, choram)
Morrer, de fato não existe, é mito!
A vida continua renovada
em outra dimensão, é o que têm dito
os sábios, a respeito da jornada
que, pacientemente, ao infinito
entrega-nos a vida, iluminada;
entrega-nos aos braços de bendito
destino: - a perfeição, a luz, mais nada!
E certamente não se poderia
acreditar, por pouca fé, ou rebeldia,
que Aquele de quem todo amor emana
criasse a dor, a morte: ideia insana!
Creiamos, sim, mas de alma agradecida
que a morte é renascer em outra vida...
Gilberto de Almeida
23/07/2014
Cem olhos em Gaza
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Gilberto de Almeida,
Poema
Parece que não tem dono,
o abrigo da ONU.
Chega um foguete e arrasa...
... Cem olhos em Gaza!
23/07/2014
Gilberto de Almeida
DAS NECESSIDADES
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Conto,
EP. Gheramer
É possível que o comportamento da
maioria
não seja o mais de
acordo com
a natureza humana e, por isso,
não deva ser chamado normal.
- EP -
Fez-se silêncio. Aquele a que estão acostumados os homens que sabem da
sua necessidade para que possam refletir sobre o que conversaram. É muito
diferente daquela que acontece entre os homens comuns. Naquela ocorre um
diálogo e nesta um monólogo a dois. Somente na primeira há crescimento mútuo.
Alves foi quem primeiro rompeu o silêncio.
- O caminho que leva à verdadeira Vida deve ser percorrido sozinho. Por
isso a dificuldade em encontrar andarilhos nele. São tão poucos, que o mais
próximo nunca será visto. É um caminho solitário e percorrido com alegria cada
vez maior, embora aquilo que o levou até ele tenha sido a tristeza. Para manipular,
o poder necessita da crença de que a solidão é algo triste e que, por isso, deve
ser desvalorizada para não ser buscada. O homem quando fica sozinho é perigoso,
pois ele pode pensar e isto é preciso ser evitado a qualquer custo.
- Continuas com razão – disse o Velho -, porém, ainda está pensando de
forma profunda demais. Se quiseres falar à multidão deves ser acessível para
que possas ser entendido sem nenhum esforço.
- Podemos culpa-los por isso? – perguntou Alves.
- Acho que não. – disse o Velho - Eles encontram-se tão exaustos ao
final do dia, depois da luta pelo pão de cada dia. E isso para falar do homem
que trabalha para sobreviver. Nos outros casos, ele trabalha para atender as
exigências de consumo de produtos que são, muitas vezes, supérfluos.
- Isso se pensarmos que do que o homem precisa para viver e que é,
basicamente, comer, beber e ter um teto para morar. Não concordas?
- Concordo caro Juvenal. - Era a primeira vez que Alves se dirigia ao
velho pelo nome. Como seria bom se o homem não precisasse trabalhar para outro
homem, desperdiçando suas energias em fazer coisas que só servirão, na maioria
das vezes, aos interesses dos patrões e obedecendo a ordens que há muito tempo
não mais procuram entender. E ao chegar a casa no final do dia, ele só tem forças
para ir da porta ao prato de comida que come diante da televisão e daí para a
cama. O que come alimenta seu corpo para a servidão do dia seguinte e o que vê
na televisão o faz acreditar que a vida é assim mesmo. Como podemos esperar que
ainda tivesse consciência de que está sendo enganado para poder ser usado? - Tens razão. – disse o Velho. – Suas
palavras e pensamentos são privilégios da reflexão. E ele não tem tempo para
isso. Os homens que usam outros homens inventam mil maneiras para que pensem que
estão sendo úteis e corretos ao colaborar para o bem do grupo, para o
engrandecimento da nação, para a salvação do planeta, para evitar o efeito
estufa que está destruindo a camada de ozônio e de outras coisas das quais ele
nada sabe e muito menos entende, mas acha que sim. Pobre homem que é impedido
por seu próximo de viver plenamente a vida a que tem direito.
- Posso ver que existe em seu interior, meu amigo – falou o velho – um
vazio muito grande e que o leva a olhar para dentro de si mesmo com uma imensa
tristeza, que se transforma em autoflagelação. É um enrolar-se sobre si mesmo,
em virtude da impossibilidade de voltar-se para o exterior que não tem nada
para lhe dar.
- É verdade – concordou Alves.
- E aí – continuou o Velho -, fica só escutando seus pensamentos varando
este grande vazio, tira conclusões, enxerga verdades e procura viver por elas.
O sofrimento é a característica deste seu modo de viver. Penso que somente
quando conseguir expressar tais verdades é que estará livre dele. Sua mente não
cessa de produzir pensamentos que, se não exteriorizados, acaba prejudicando
seu próprio funcionamento, fazendo-o errar nos pensamentos seguintes. É
necessário descarregar, é preciso ser entendido para que possa ser útil, tanto
para si quanto para os outros. Os filósofos pertencem a esse tipo de homens, e
também os cientistas, os sábios e os poetas. E por que não acrescentar os
loucos?
- Há nisso tudo que falas uma grande dificuldade – disse Alves. Os
homens comuns não estão preparados para enxergar coisas diferentes daquelas a que
foram ensinados. Não será esta a verdadeira loucura? Aquela que ignora a
realidade existente e em seu lugar constrói outra? O excesso de regras
embrutecem os homens e os levam a seus hábitos ancestrais simiescos, segundo a
ciência.
- Talvez possamos...
Ia continuar quando a conversa foi
interrompida pela hora do almoço.
Imagem: Web
Mitologia Moderna
Em uma noite tempestuosa, onde as nuvens escondiam a lua
formosa. Quando o frio apertava o peito, e os ventos cortavam fortes pinheiros
ao meio. Quando nem a luz da lua se atrevia erguer-se. E o medo fazia qualquer o homem prometer no
esquecer-se. Há aquele que anda por esse vale sombrio.
A chuva aperta.
O frio o cerca.
E a chuva o espeta.
Ele fraqueja, cai no chão e esbraveja:
“Maldito seja as trilhas do destino que me levam para perto
do abismo!”
Mas ainda que caído, seus olhos levantam e encontram abrigo.
Uma casa isolada, esquecida na beira da estrada.
O homem corre em direção do casebre, e antes que ele bata na
porta, ela se abre.
Um homem distinto,
com um lampião atende:
“entre, se abrigue, você que segue a trilha do destino”
O homem entra na casa, descansa, sacia sua fome com um rico
banquete, e, aos pés da lareira, afasta o frio temeroso.
Ele se pergunta quanto tempo passou. Um dia? Uma noite? Um
ano? Não há janelas na casa. Não há relógios. Como pode estar uma casa sem
nenhuma noção do tempo? Como pode uma casa estar num lugar como aquele?
E então o homem distinto senta à sua frente. E ele não
resiste:
-Que lugar é este onde acolhe um desamparado em meio à turbulência?
- O mesmo lugar que abriga todos aqueles que procurarem. Desamparados
ou cansados. Preguiçosos ou pacientes. Perdidos ou desiludidos.
- Mas como pode
cuidar de todos em tão singelos quartos?
- Não cuido. Apenas dou abrigo. – o homem distinto jogou a cabeça para trás,
descansando-a na cadeira.
– Cada um acaba por se curar, cedo ou tarde.
O viajante ficou perplexo. Encarou as chamas e considerou
descansar por aquele lugar.
- Mas, se aqueles que aqui ficarem, não se curarem, uma senhora
que aqui reside, os encontra e os cura de todas as aflições.
- E qual o nome de tão bondosa senhora?
O homem distinto o encarou.
- A morte.
O viajante arregalou os olhos, e desconsiderou ficar mais do
que as feridas lhe permitiam e ao terminar de aquecer-se retirou-se.
Na porta da casa, no limite do calor e da chuva que caia, do
interior da casa e da floresta escura, um abraço entre o distinto homem e o homem
viajante sela o adeus.
- Como devo chamar aquele que me deu abrigo?
- Não é necessário me chamar por qualquer nome, mas se assim
lhe agrada, te digo que muitos me chamam de Tempo.
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