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Emaranhados de amor
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Josué Brito,
Poema
Somam-se os sonhos...
Somam-se as vidas,
Mas não se compartilham os braços...
Há de pensar os poetas moços...
A vida afinal é uma eternal subtração...
De surdos por moucos...
Se olho em teus olhos
Não te vejo humana,
Vejo-te deia e por um instante
Entrego-me... mas desisto,
Afinal nada há no universo
Se não uma eterna destruição
De fantasias e utopias...
De tanto caminhar errado,
Ainda não caminho certo...
Aprender, talvez, é tudo que não
Se deve... Não se deve viver de vidas
Comedidas, visto que sem amor
Não há sequer um instante
De doce rebeldia.
Quem sabe um dia
Eu te encontre em versos menores...
Em uma poesia com menos lágrimas
E com rancores obliterados... Nesse dia
Caminharemos a pé, os caminhos que só
Valem a pena quando se caminha errado.
Josué da Silva Brito
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LIBERDADE
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Maristela Ormond,
Poema
LIBERDADE
(Maristela
Ormond)
Não
sou um anjo, mas tenho asas.
Não
vejo grades, mas me sinto presa...
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Possuo
o dom da fala, porém calo.
Vejo
com meus olhos, mas não enxergo.
Minhas
pernas me levam a muitos lugares, mas acabo estática.
Meu
sonho me liberta e vejo lugares que desconheço.
Meu
descanso desata os nós e voo.
Acabo
com os grilhões que vejo acordada.
Resolvo
problemas de gentes que nem sei quem são.
Enxergo
coisas que muitos não percebem e afasto o que não é bom.
Pulo
com minhas pernas e voo pelo infinito com asas translúcidas,
Observando
o mundo como um super-herói.
Sim,
não sou um anjo, mas tenho asas...
Série: símbolos & trovas - "Coruja"
Eu observei toda ação
descaramento no ar.
Sentinela proteção
o vínculo ativar
Claudiane Ferreira
Coruja- Associada á magia, o outro mundo, sabedoria e profecia em muitas tradições.
Fonte: O grande livro dos signos & símbolos
Incandescente lampejo do amor
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Josué Brito,
Poema
Talvez goste do orvalhar silencioso
Das madrugadas, vive na noite,
Não para ser flor, mas para ser
Estrela, uma fonte de luz incessante
E apaixonada pelos grilhões tantos
Do homizio do amor.
E para observar as formas mais
Insignificantes, os homens que
Amores juram as suas pungências,
Ajunta-se com a lua... não por
Um instante, mas por toda duração
Das suaves procelas.
Surdez nos ouvidos, para viver
Sem sua veleidade, é a solução
Primeira... Cumpre os motivos
Mais estranhos e as paixões que
Caem por sua beleza, são infelizes,
Em todo instante, porém, verdadeiras.
Deveras busca as ruas mais escondidas
E as pérolas menos nacaradas, não
Atende aos sonhos, mas sim à incredulidade,
Posto que os olhos fazem a sua face falta,
Mesmo que tenha o sol fulgido em
Cada órbita de sua grandiosidade.
A cada noite vazia, em que procura
Pela terra e pelos primores, só na sua
Mente existentes, eu olho o céu
Na esperança em que reflita um raio
Desse seu pavilhão luminoso e veja
Em meus olhos o anseio de vê-la sorrir.
Josué Brito
Tributo a Yung

A mesma indagação seguidamente vem
à tona e, dos confins do pensamento, chama:
- Qual é a finalidade da existência humana?
O que me espera nesta vida ou mais além?
Viemos por prazeres, gozos ou, também,
fortuna, glória, diversão ou fama?
Será que é o casamento aquilo que nos chama?
Ou tudo é passageiro e nada nos convém?
Mas, não! Não faz sentido tal deslumbramento!
Nossa existência há de ter mais nobre intento;
então - com Yung - creio, já contemplativo,
que a vida humana tem por único motivo
mostrar-nos a melhor maneira de acender
a luz que ainda falta à escuridão do ser!
Gilberto de Almeida
27/11/2015
Do poeta ao poeta
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Josué Brito,
Poema
Morreste...
Pintaste sonhos,
Pintaste este,
Mas não viera o sol...
Tua mão infame
E ímpia,
Mãos
De sofrimentos
Domados...
Morreste de sonho,
Morreste da morte
Que mataste só...
Mas não morreste
De outra morte se não
Da tua...
Morreste de verso,
Morreste reverso e do
Avesso...
Morreste desnudo de honra,
Morreste vestido de roupa...
De tantos pobres versos
Escondidos, morreste entalado.
Morreste de mares que
Decoraras de beleza...
Mas afinal morreste
De tanta vida.
Josué Brito
Turbidez
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Gilberto de Almeida,
Poema
A tua verdade me basta,
assim como a minha, também!
Não tentarei mais ser o depositário da razão,
mas esforçar-me-ei
por enxergar a Verdade de Deus,
aquela que diz que a tua convicção
e a minha
são, ambas, degenerescência passageira da realidade,
consequência obscurecida dos véus da matéria,
que turvam a visão.
Não tentarei mais ser o depositário da razão.
Aceito o teu ponto de vista e o meu,
ambos como ilusão.
Não tentarei mais ser o depositário da razão.
Não mais me oponho
e haverá paz!
Gilberto de Almeida
27/11/2015
A força mais pungente do universo
Amor, singela luz agradecida;
amor, formoso oásis no deserto;
amor, que torna o espírito liberto
das sombras da matéria e embala a vida...
Amor, nas lutas, lâmpada escondida;
amor, nas dores, bálsamo, decerto;
amor, seguro leme em mar aberto
que, a conduzir-nos, dócil, na corrida,
refresca a dor humana... O amor é brisa...
Mas não o amor mesquinho, o amor adverso,
mesclado de egoísmo, que escraviza;
E não no possuir - no seu reverso!-,
no dar, então o amor se concretiza
na força mais pungente do universo!
Gilberto de Almeida
25/11/2015
Paradoxo natalino
A data comercial
mais lucrativa do ano
é, se, acaso, não me engano,
exatamente, o Natal.
Mas, pensemos um segundo:
- Que destino teve o dia
d'Aquele que nos dizia
não ter reino neste mundo?
Gilberto de Almeida
25/11/2015
Soneto de natal
Da manjedoura, há dois mil anos, surge à mente,
dos labirintos da memória, tênue aviso
de paz, a incomodar-nos, num conciso
lembrete vivo, tão singelo quão pungente.
Mas, tal mensagem, enxergamos pela lente
duma ilusão..., da nossa falta de juízo!
E, entorpecidos, esquecemos do sorriso
de amor do Cristo, a conclamar-nos, docemente...
Quisera Ele, acaso, o nosso desvario
de comilança, consumismo e ostentação
por celebrar-lhe a imagem pura e imorredoura?
- Ou que abrigássemos quem sofre e passa frio
no tabernáculo de austero coração,
servil e humilde imitação da manjedoura?
Gilberto de Almeida
23/11/2015
De tanto amar, deixo-te partir
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Josué Brito,
Poema
Podem mais machucar... eu só aprendi, eu só
Sei te amar. Talvez seja até egoísmo, mas como
Posso querer a outro se não a ti...
Em meus sonhos mais escondidos...
Em minha vida mais colorida, foste tu, em
Meus dias e em minhas noites, o amor
Mais lindo que eu poderia ter...
Eu bem queria, mas eu sofro por saber
Que só posso adiar... Dizer adeus também
Faz parte do amar, afinal o meu eu prefere
Hoje sofrer do que saber que quem sofre
Por não poder eu realizar teus sonhos... é ti.
Eu muito te amo, todos os anos que passamos
Juntos já sabem... todos os amigos, todos os
Copos e todos os bares, sabem do amor, porém
Eu tenho que te dizer um grande adeus...
E se um dia, se de novo o destino nos colocar
Lado a lado, seremos apenas um doce retrato...
A imagem de um adeus que pôs fim a um
Grande amor... Seremos dois... um dia fomos paixão.
Josué Brito
Buraco negro
Um conto de 2011, inspirado num vídeo...
JG
Você acha que tem um trabalho muito ruim, imagine se eu lhe
contar o meu.
Tá certo, não é dos piores, mas exige um comprometimento
lascado. Pior que o meu só o do camarada ali.
Imagine uma tarde de sábado, um escritório quente sem ar
condicionado, que é responsável por um milhão de processos e somente um
funcionário que ficou encarregado de tirar outro milhão de cópias destes
processos, numa máquina de xérox mais antiga do que uma senhora de idade
avançada.
Imaginou?
Pois é, esse funcionário existe, olha ele ali, com uma cara
de dar medo.
Imagine também então a felicidade que ele deve estar
sentindo, principalmente por saber que não vai ganhar nem um centavo a mais por
isso, uma vez que está pagando horas que o seu terrível chefe – palavras dele -
descontou dos dias em que ele chegou atrasado.
Seu pensamento fixo é que a porcaria do relógio não sai das
15 horas, fica se arrastando, os segundos transformaram-se em minutos e os
minutos em longas horas. O suor escorre por seu rosto e a água fervendo do
bebedouro não ajuda em nada no seu ânimo.
A ansiedade é gritante porque faltam somente umas cem
cópias, depois é só organizar tudo dentro das pastas específicas, separar por
prioridades, catalogar no livro de ações e depois registrar tudo em outro livro
de serviço. Ele fica “feliz” em lembrar disso, assim, devido a essa droga de
burocracia vai sair lá pelas 10 horas da noite.
Mas também, nem sei por que ele está com pressa de ir
embora, sua geladeira lhe espera vazia no seu também sufocante apartamento de
três cômodos, não existe ninguém esperando o seu retorno de braços abertos, o
dinheiro do pagamento do dia anterior só serviu para pagar os gastos atrasados,
literalmente não estava trabalhando nem para comer.
Durante a semana teve a infeliz idéia de desabafar sobre os
seus problemas com seu “querido” chefe, sonhando com algum reconhecimento por
algo que ele não merecia, e assim quem sabe recebendo de presente um aumento.
De fato recebeu, não está vendo? Um aumento de trabalho através dessa escala
não remunerada.
Está se entupindo com mais um copo de água, que apesar de
estar horrível é melhor do que o ronco que incomoda seu estômago.
Vamos, vamos copiadora jurássica, só mais cem cópias - leio
em seu pensamento, enquanto aperta diversas vezes o botão verde. Mas vejam só
isso? Parece que a máquina vai lhe deixar na mão. Tampem os ouvidos que estou
sentindo que lá vem um palavrão: %&*##$@¨%!!!
Bom, o xingo não resolveu, mas ele não se dá por vencido,
quem sabe uma bicuda.
Caramba! Creio que a máquina é dura, escutei o baque daqui,
só faltava ele entornar a ponta do sapato velho ou quebrar um dedão, epa,
voltou a funcionar, faltava só um empurrãozinho.
Mas ele não está com sorte, vejam que bela impressão: um
círculo preto. Ele deve ter ferrado a copiadora e só faltava essa, agora que
ele só sai dali amanhã, se a sorte ajudar.
Eu no lugar dele amassava a prova do crime rapidinho e
triturava, mas ele não, parece calmo até demais ou cansado o suficiente para
não dar bola para mais nada. Pega a estranha impressão e forra um pedaço
lateral da máquina.
Mais uma olhada no relógio, mas uma golada de água quente, e
agora creio que ele vai tentar retomar o trabalho. Mas o que é isso, cadê o
copo, sumiu quando ele o colocou sobre o círculo preto. Essa seria a hora de
parar tudo, dar meia volta e ir embora, escute o que eu digo, tenho experiência
no assunto. Mas não nosso amigo, ele é curioso, precisa saber o que aconteceu.
Encosta primeiro um dedo no círculo e o afasta, parecendo
ter levado um choque. Mas foi só reflexo, pois enfia a mão dentro do círculo
agora sem receio e como um mágico tira não um coelho, mas o copo lá de dentro.
Agora também seria uma ótima hora para dar no pé, mas você
já sabe que isso não vai acontecer. Então vou continuar narrando tudo que vejo.
Ele levanta a folha com o círculo no ar e lhe dá uma boa
olhada, não há sombra de dúvidas que seja um papel comum. Mas ele enfia um
braço no círculo e a mão não aparece do outro lado, como se fosse para outro
lugar...
Espere, isso é coisa do, do, não posso falar o nome dele,
vamos usar um sinônimo, sim, é coisa do mal, só pode ser. E como tal não se
pode esperar que o final dessa história seja feliz, meu sétimo sentido está
prevendo isso.
Mas esperem, creio que o nosso amigo encontrou uma utilidade
para a folha mágica, mas o que será que ele está pensando? Não, não pode ser
isso, pare com isso cara!
Ele se aproxima com a folha e a encosta numa máquina de
guloseimas e faz o teste, que dá certo! Consegue atravessar a mão pelo vidro
através do buraco e volta com uma barra de chocolate.
Não posso culpá-lo, o dia todo sem comer, mas isso se chama
furto, meu filho.
Até concordo que fazer um plantão inteiro sem forrar o
estômago é complicado, mas ele chegou ao fundo do poço se teve que apelar para
tal atitude, por mais absurdo que seja o método utilizado.
Você concorda comigo que agora novamente é o momento
fatídico para se brecar toda uma situação que pode ter conseqüências
desastrosas. Mas creio que assim como eu você também está começando a prever o
futuro do nosso amigo e não prevejo que ele seja dos melhores.
Falando nisso lá vai ele em direção ao escritório do seu
amado chefe, imagino que ele vai aprontar alguma, mas nem faço idéia do que.
Para abrir a porta foi fácil, é daquelas que tem um
dispositivo interno que libera a tranca, bastou colocar a folha com o círculo
colada na porta, atravessar a mão pelo papel mágico e abri-la por dentro.
Creio que ele vai bagunçar a mesa do chefe, mas espere, ele passou
direto por ela e veja só que interessante, tem um grande cofre no fundo da
sala. Agora imagino em que trapalhada nosso amigo vai se meter.
Ele nem olha para os lados, sabe que está sozinho, sabe o
que quer fazer e não reflete um segundo.
Uma esperança! Ele volta para a mesa do chefe, talvez tenha
mudado de idéia, vai só fazer algum brincadeira sem graça e dar no pé, retornar
à copiadora, terminar seu serviço, passar uma borracha nos últimos minutos.
Nada disso, somente encontra um rolo de fita do tipo Durex e
volta correndo para o cofre. Cola desesperadamente a folha na parede de aço
maciço e enfia um braço, quase que imediatamente o retirando com um maço de
verdinhas, o qual ele admira por alguns milésimos de segundo, antes de voltar a
enfiar o braço novamente e sair com outro maço, agora mais desesperado ainda.
É, ele está cavando um buraco sem fundo para ele mesmo,
sabemos disso. O que? Você não sabe de nada, não está acreditando em nenhuma
palavra do que eu disse, não é mesmo. Eu sabia que isso ia acontecer, mas para
seu conhecimento eu não posso mentir, tenho um juramento sagrado que me impede.
Mas não pense você que eu não tenho provas, sou um ser
moderno e sempre carrego comigo preso na cinta uma máquina fotográfica que
também filma, maravilha de tempos modernos! E advinha só, filmei tudo, do
começo ao fim, bom, quase isso!
Ainda não acredita, então olhe abaixo o registro que eu fiz,
olhe e perceba o tamanho da burrada desse nosso amigo.
E aí, o que achou? Eu não falei que isso não ia acabar bem.
Mas é fácil de explicar o que o motivou a não parar quando chegou ao terceiro
ou quarto maço de notas fresquinhas: a ambição humana, sempre ela!
Quando ele colou a folha com o círculo negro, eu já
suspeitava que ele quisesse ficar livre com as duas mãos para poder “trabalhar”
mais facilmente. Agora entrar no cofre era algo que eu jamais suspeitava que o
doido fosse fazer, não imaginei que existisse alguém tão pirado assim.
Acredito que você esteja se perguntando por que eu não
interferi, sendo que acompanhei tudo que aconteceu. Também é fácil de explicar
isso, pois estou preso ao juramento do livre arbítrio, ou seja, deixar que os
homens tomem suas atitudes de acordo com as suas próprias decisões.
É claro que eu lhe mandei bons pensamentos, implorando que
ele não fizesse aquilo, que largasse tudo e fosse embora, mas parece que nesse
caso o mal falou mais alto, ou melhor, sussurrou mais forte em seu ouvido.
É, o negócio e ir embora, apesar das batidas que ele está
dando nesse momento para tentar sair do cofre incomodar meu coração. Quem disse
que a vida de anjo da guarda é fácil, também tem que fazer serão em sábados sem
ganhar hora extra. Brincadeira!
Bom, vou indo, acabou de encerrar meu turno...
Brincadeira de novo, só vou buscar uma ajuda para salvar
nosso amigo trapalhão. Quem sabe acordando o vigia que pegou no sono na frente
da teve no refeitório.
Mas antes de ir embora, você deve estar imaginando como toda
essa história terminou, porque infelizmente a bateria da minha filmadora acabou
e não deu para registrar tudo.
Para resumir, consegui estimular o vigia para que fizesse
uma ronda na empresa. Ele se deparou com o escritório vazio e a porta do chefe
aberta. Já suspeitou de tentativa de furto ou algo do gênero, mas creio que a
sua reciclagem estava um pouco atrasada, isso se ele fez algum bom curso na
área de segurança, pois não chamou ninguém pelo rádio e foi invadindo a sala.
Ele ouviu o barulho do nosso amigo batendo dentro do cofre e
rumou em sua direção. O que ele não viu foi o círculo preto no chão quando ele
chegou na frente do cofre, e acabou indo parar dentro do aterro abaixo do
prédio. Se ele saiu de lá, preciso perguntar para o seu anjo da guarda, depois
eu lhe conto.
Quanto ao nosso amigo trapalhão, bom, não teve jeito, lá vem
ele, chegando aqui no andar de cima.
O círculo preto? Assim como surgiu, desapareceu, só ficou
uma folha branca jogada no chão. Até hoje os peritos não sabem como foi que o
nosso amigo conseguiu entrar no cofre e se fechar lá dentro, o caso entrou para
os crimes sem solução.
Mas eu creio que ele surgirá novamente em outro lugar, numa
outra época, provavelmente para testar outra pessoa.
Pranto de Mãe
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Isa Lisboa,
Poema
A muitos filhos
Dei à luz
Todos tão diferentes
Mas tão iguais
No amor que me inspiram
Todos acolho
Em meu regaço
Todos quero proteger
Mas meus braços
A força perdem cada dia;
Minha carne também se fere
Sangra como qualquer ser
Meus filhos esqueceram-no
A todos quero ajudar a
respirar
Meus pulmões de ar também
precisam
Meus filhos esqueceram-no
Meu ventre nova vida quer
oferecer
Mas precisa de terra fértil
Meus filhos esqueceram-no;
De meus olhos escorre o sal
Do mar que se perde
Assim é o meu pranto
Pranto que não vêm
Que não ouvem
Pranto de Mãe Terra.
Isa Lisboa
Deixar a vida levar parece ser fácil, mas não é...
Deixar a vida levar parece ser fácil, mas não é...
Por Claudiane Ferreira
Você já teve a oportunidade de pegar uma estrela do mar? Apesar da sua aparência dura ela é flexível podendo se retorcer toda bem facilmente. Existe certas situações que, de uma hora para outra, acontece em nossa vida que o mais sensato a fazer é personificar uma estrela do mar .
Cada ser humano que vive nesse planeta tem uma missão a cumprir, tenha você consciência ou não desse fato. Mas não é tão fácil descobrir nosso papel no teatro da vida terrena. O que importa é estarmos conectados nesse buscar. Uma grande aliada é a natureza; pois ela nos fornece exemplos valiosos.
O cavalo marinho move-se devagar na água e para não ser levado pela correnteza, enrosca a cauda em algumas algas ou corais. Às vezes, só o que nos resta é nos enroscarmos na fé; e por que não em nossa intuição?
A águia para não morrer terá que voar com suas asas envelhecidas para a montanha mais alta e enfrentar um dolorido processo de renovação.
Felizes são os que conseguem captar mensagens microscópicas, e mesmo no íntimo, temendo o desconforto, pelo menos a príncipio, que uma mudança provoca, aquieta a mente
Iluminados são aqueles que tiram a poeira da ilusão, do apego às coisas materiais e, desprovidos de egos, para de remoer o passado e de especular o futuro .
O agora é o único momento, permita-se!
O PROJETO - Capítulo 8
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Conto,
EP. Gheramer
A gargalhada de Quiriat ainda ressoava quando, subitamente,
vindo de fora da casa e entrando pela janela, uma luz azulada inundou toda a
sala. Desde a saída dos jornalistas, ufólogos e outros curiosos, aquele
fenômeno cessara e somente agora reaparecia. Porém, a não ser pela interrupção
da gargalhada, o acontecido não perturbou o grupo que estava na sala, sentados
ao redor da mesa. Todos ali sabiam o que significava: havia sido aberta uma
brecha no espaço tempo, permitindo a passagem entre dimensões paralelas. Se
algo, humano ou sobre-humano, passaria por ela, isso ainda não se podia saber.
E a conversa prosseguiu normalmente. Todos estavam ali com o mesmo objetivo.
- Desculpe-me, eu não quis ofendê-los com meu riso –
disse Quiriat dirigindo-se ao grupo. Acontece que fui pego de surpresa, pois,
enquanto eu falava, eu me referia a um tempo remoto e Alves falara com
referência ao seu próprio tempo, isto é, o tempo desta dimensão em estamos
conversando agora. Mais uma vez, peço desculpas a todos pela minha
insensibilidade – disse Quiriat.
- Eu dava um exemplo, quando falava das revoluções
francesa e comunista. Onde está a graça disso? – Disse Alves.
- Não é que tivesse alguma graça no que falou. Na
verdade, eu ri de mim mesmo, pois eu pensava em outra rebelião. Esta sim... –
dizia Quiriat quando foi interrompido por Alves.
- Como assim? Acaso acha que as revoluções que
mencionei não foram significativas e mudaram o rumo da civilização? – Disse
Alves.
- Não disse isso. É que elas são insignificantes quando
são comparadas com a que eu estou me referindo e que aconteceu nas regiões extradimensionais.
As que foram mencionadas são meras rebeliões humanas e não têm o alcance daquela
a que eu me refiro, no que diz respeito ao destino da Humanidade. Estas, meus
caros amigos, são como as rebeliões de aldeões contra senhores feudais, as
religiosas e as anarquistas, que não obedecem qualquer plano prévio, exceto que
a tudo destroem com a esperança ingênua de que algo melhor venha tomar o lugar
do que foi destruído – disse Quiriat.
- E o que me diz de um Golpe de Estado ou da insurreição
da massa? – Perguntou João.
- Nada mudam. Os Golpes de Estado são inspirados por
uma minoria rica e quanto às insurreições, dá no mesmo, embora geralmente
iniciadas por guerra de guerrilhas, elas também dirigidas por alguns poucos
poderosos que somente procuram obter o apoio popular – disse Quiriat.
- E as religiosas? Devo lembrar que a igreja cristã
tem promovido várias revoluções – Disse Maria, que até então estivera apenas
acompanhando o diálogo entre Alves e Quiriat.
- Sim, é verdade. Mas, também é curioso que em todas
elas, os exércitos em marcha sempre pedem que o seu Deus os ajude... – falava
João, quando foi interrompido.
– E tornou-se uma tradição o lado vencedor atribuir a
vitória como resultante da benção divina – completou Quiriat.
- Sim, mas vocês hão de concordar que em muitos casos
elas se têm mostrado por demais pacíficas, ou mesmo acovardadas, diante dos
grandes males sociais – disse Alves.
- Este é o ponto onde eu queria chegar. Dificilmente o
Novo Testamento pode ser usado como texto de orientação para tais revoluções,
embora muitos religiosos sintam em suas consciências, e até afirmem, que certas
guerras são justas – disse Maria.
- Justas?! Pode ser correto e justo um país enviar
tropas com o propósito específico de matar homens e a população em geral de
outros países? – Disse Alves, ainda sem querer acreditar no que acabara de
ouvir.
- Os pacifistas respondem com um sonoro “não”! – Disse
João.
- É justamente aí, e com certa razão, que aqueles que
afirmam que há guerras justas, respondem de modo imediato dizendo que os
pacifistas alegram-se em participar da liberdade e dos benefícios de uma guerra
da qual eles não quiseram participar – disse Maria, como a concluir o que
dissera antes.
- Se é esse o caso, eu sugiro que coloquemos a questão
de outra forma: sob que circunstâncias podem-se preferir cometer um erro menor,
a fim de evitar um erro maior? – Disse Quiriat, olhando para cada um ao redor
da mesa, como se quisesse atingir seus corações.
Foi somente depois de um breve silêncio, pois aquelas
palavras pareciam ter atingido os alvos pretendidos, foi que Alves se
manifestou.
- Não é fácil uma resposta a essa pergunta. Mas, eu
penso que problemas gigantescos não têm respostas fáceis e simples, se é que tem
uma para esta questão. Quando a matança em massa está envolvida, parece
indiscutível que ninguém jamais poderá definir, de forma adequada e
convincente, no que consistiria uma guerra como sendo “justa”. Porém, piores
ainda são as chamadas “guerras santas”, quando os homens enganam a si mesmos,
ao pensarem que a guerra deve ser feita em nome de Deus e em defesa da fé
religiosa, qualquer que seja a religião. Somente fanáticos iniciam as “guerras
santas”, pelo que de santas elas só têm o nome.
- Uma vez que a conversa tomou este rumo, eu não sei
se têm notado, mas, ultimamente, neste tempo dimensional em que nos
encontramos, devido a muitos movimentos revolucionários no mundo, a religião
está em seu centro forte e giratório, nas muitas chamadas Conferências de Paz,
atuando em todos os continentes e em alguns dos lugares mais conturbados do
planeta e disso resulta o que eles dizem ser a aplicação de padrões e
esperanças cristãs aos esforços revolucionários – Disse Quiriat.
- Eu tenho pensado ultimamente sobre isso, mas depois
do que falou, vejo que não dei a devida atenção ao assunto. Apesar de haver
muitos e grandes males sociais a evitar, muitas vezes as forças de oposição são
elas mesmas, malignas, ateias e antialma, que vêm substituir as antigas
opressões com novas opressões, as antigas ditaduras com novas ditaduras e
promovem revoluções militares, mas que não tem nada acerca do que me parece ser
o mais importante, da revolução moral ou, se preferir, espiritual – disse
Alves.
- Na realidade, seus atos manifestam-se de modo oposto
aos ensinamentos de Cristo, como são encontrados na Bíblia – disse Maria.
- Historicamente, isto mais parece com uma variedade
de anarquismo cristão que, presumivelmente, deriva seus princípios dos
ensinamentos de Cristo, advogando a total isenção de leis humanas, como sendo
inerente à liberdade dada por Cristo. Proponentes desta variedade de anarquismo
puderam ser encontrados no passado entre os Levelers e Diggers, os Anabatistas,
os Daukhobors entre outros. Um escritor político inglês, William Godwin, na
década de 1790, chegou a escrever que o progresso moral do homem seria gradual
e terminaria no anarquismo. Está tudo na Internet, para quem quiser saber –
Disse João.
- Mas... Há sempre um “mas”...
Continua...
EP. Gheramer
Fujo de ti e de mim...
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Manuel Marques,
Poema
As minhas mãos moldam-te no vazio
acariciando a tua pele de veludo
Sonho-te na doce ilusão de te ter...
Como eu te queria afagar com as mãos
entre laços e fitas de cetim
e as minhas mãos vazias de ti !
Escrevo com palavras que não se ouvem
quantos sonhos morrem na dor
fujo de ti e de mim...
Manuel Marques (Arroz)
acariciando a tua pele de veludo
Sonho-te na doce ilusão de te ter...
Como eu te queria afagar com as mãos
entre laços e fitas de cetim
e as minhas mãos vazias de ti !Escrevo com palavras que não se ouvem
quantos sonhos morrem na dor
fujo de ti e de mim...
Manuel Marques (Arroz)
Des-iludir
Imagem: José Suassuna
ângulo fugás
sem sombra inexiste
persiga o equilíbrio
Claudiane Ferreira
" Chega de ilusões, encantos e enganos que nos embalam mais nos detêm"
Hermógenes
O PROJETO - Capítulo 7
Imagem da Web (editada)
- Como missionários
que são, o que o cristianismo tem a dizer sobre isso? – Perguntou Alves.
- Isso vai depender
da ideia do que você chama de Cristianismo. Se com esta palavra você está se
referindo às religiões cristãs e institucionalizadas, como o catolicismo, as
igrejas ortodoxas, os milhares de confissões do protestantismo, elas continuam
existindo enquanto tradições dos homens. Mas, se está se referindo à doutrina
de Cristo, como é revelada nos Evangelhos, isto é, da religião de fé em Jesus
Cristo, de sua ética, de sua promessa de redenção, infelizmente já não mais
existe. Foi tragada pela ambição do poder dos homens que se dizem dirigentes ou
líderes do Cristianismo, em todos os níveis – disse Maria.
- Mas, o Evangelho
nunca foi tão pregado como o é hoje... Em cada esquina existe uma igreja... E
querem dizer que tudo que pregam não passa de mentiras? É isso? – Disse Alves.
- É verdade, isso
acontece. Mas, apesar disso, você acha que o Bem reina hoje sobre a face da
terra? – Disse Maria.
- Não é preciso
muito para responder que não. Nós vemos todos os dias, através da mídia,
somente maldade, crueldade, hipocrisia... Enfim tudo o que é mal. Mas, isto não
é de hoje; hoje ficamos sabendo por causa do avanço dos meios de comunicação,
que nos informam em tempo real, como é o caso da Internet, por exemplo - Disse
Alves.
- Você tem razão
quando diz isso, porém, o mal que hoje você fica sabendo praticamente de forma
instantânea, é quase tão antigo como o tempo e tem sido transmitido, desde
então, a todas as dimensões existentes. As guerras, revoluções, rebeliões que
aconteceram e continuam acontecendo é o resultado dessa transmissão – disse
João.
- A transmissão do
mal do qual falam é o mesmo que a Bíblia chama de “pecado”, resultante do ser
humano haver comido do fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal e que
seria uma maçã? – Disse Alves.
Neste momento, foram
interrompidos por batidas na porta. E qual não foi a surpresa de Alves ao abrir
a porta e ver, em pé à sua frente, ninguém menos do que Quiriat. E sem saber
por que, sentiu um enorme alívio no peito.
- Entre, entre, meu
amigo – disse Alves ao mesmo tempo em que o apresentava a João e Maria.
- Quero apresentar-lhes o meu amigo Quiriat.
Após os
cumprimentos, Alves, puxando um caixote, convidou-o a sentar-se e fez um breve
relato do que estiveram conversando, pois sabia que interessaria a Quiriat.
- Este é apenas um
relato humano – disse João, parecendo querer justificar o que havia falado.
Como se estivesse
ali desde o princípio da conversa, Quiriat não tardou a falar.
- Sim, concordo que
é apenas um relato humano, pois, de que outra forma o homem entenderia, não é
verdade? Trata-se apenas de uma coreografia para aquela época. Embora, sendo
uma maneira de expressar a mais pura e plena Verdade – disse Quiriat, sem pressa
de entrar na discussão.
- Como dizia –
continuou João -, esta é a maneira que permitiu ao homem ter acesso ao
conhecimento, embora a maçã seja uma representação, ou possua valor místico, se
preferir.
- Por favor,
corrijam-me se estiver enganado – disse Alves. Nisto consistiu a queda do
homem, como é relatada na Bíblia, quando se atreveram a comer da árvore do
conhecimento do Bem e do Mal. Está correto?
Só então Quiriat
entrou na conversa.
- Você está perto da
verdade. Todos os males somente vieram à existência, após uma rebelião para
assumir o poder, acontecida em tempos remotos e numa dimensão paralela que é
chamada de celestial ou espiritual – disse Quiriat dirigindo-se a Alves, ao
mesmo tempo em que observava as expressões nos rostos de Maria e João.
- Tratando-se da
luta pelo poder, faz sentido. Até onde eu sei historicamente, as revoltas
sempre aconteceram quando os homens quiseram mudanças radicais e nas
consideradas mais importantes sempre ocorreram enquanto um processo
sócio-político, visando à derrubada de algum poder governamental ou das rédeas
do mundo. E sempre utilizando o terrorismo, a sabotagem e os conflitos raciais
– disse Alves.
- Mas, se você olhar
por outro ângulo – disse Quiriat -, pode haver revolução sem qualquer mudança
para melhor, e, sim, para pior, o que com muita frequência pode-se observar. No
entanto, mesmo estas, são apenas rebeliões e não verdadeiras revoltas.
- Como não?! Tem
havido grandes revoluções históricas, que não são apenas golpes de Estado e que
produziram mudanças significativas. Por exemplo, a Revolução Francesa, do
século XVIII, que acabou com o sistema político dos reis franceses em que
tinham poderes absolutos, sem limitações ou restrições e que exerciam, de fato
e de direito, todos os atributos da soberania, ou a Revolução Comunista, em
1917, que pôs fim ao regime Czarista na Rússia – disse Alves.
Para surpresa e
espanto de todos, Quiriat deu uma sonora gargalhada.
Continua...
EP. Gheramer
REFÚGIO
Labels:
Maristela Ormond,
Poema
REFÚGIO
(Por
Maristela Ormond)
Ouço
um barulho, assim como um lamurio.
Passos
apressados ecoam em direção ao ruído.
Pássaros
assustados cobrem o céu como nuvem.
O
que seria?
Penso
em correr junto à turba, mas qual o quê...
Estagnada,
descubro a atração das pessoas por refúgios, pela sobrevivência.
Descubro
a metamorfose que afasta os predadores.
Escondida
em meu refúgio observo e ouço o motivo de tal alarido.
Meu
coração. Sim, meu coração!
O
refúgio de mim mesma. E pela primeira vez percebo que tenho vida própria.
Não
sou mais aquilo que esperam que eu seja.
Não
espero que ninguém aprove aquilo que desejo e que sou.
Sou
minha própria obra de criação, mestre de minha própria criação.
Meu
refúgio de mim mesma, para a sobrevivência.
Sairei
daqui assim que tudo se acalmar...
Sairei
do casulo. Colorida e transformada...
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