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Em tudo

"Tornando-­nos  recomendáveis  em  tudo:  na  muita  paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias.”
Paulo (II Coríntios, 6:4) 


Que adianta a ostentação da fé periclitante
no culto semanal do templo milenar,
conquanto contemplado, enquanto se abrilhante,
se o crente esquece a crença assim que deixa o altar?

De que vale a virtude efêmera e aberrante,
se, após o culto externo, extingue o seu pulsar?
O que dizer de quem, em casa se agigante,
bradando contra os seus, mas "crente" modelar?

No trabalho a indolência; a alegria orgulhosa;
no infortúnio, a blasfêmia; a palavra ominosa!
Onde a luzes do amor, da paciência, onde estão?

O aprendiz verdadeiro, em qualquer conjuntura
é paciente, é operoso, é gentil, não se apura;
é a virtude confiante; é o perfeito cristão!

Gilberto de Almeida
30/10/2019

Referência: Pão Nosso. Emmanuel/Chico Xavier. 
Capítulo 132: "Em tudo"


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A tela e a artista

Giovanni Maria Benzoni — "Velada Rebecca", 1864



Silente, traçando linhas como o arquiteto,
retrato-te nas telas que já não mais exorno.
Tu nos imorredouros arrebóis que logro a existência,
apesar de ainda ao sol não tocar.

Misturam-se as cores da esperança e da promessa...
Tu alva, cântico doce, suave e bela,
compassada como uma opera milagrosa...
És amada como toda a poesia.

Os versos, essas minhas carnes que caem
ao sofrimento, reverberam e voltam à alma...
Inimagináveis palavras refletem aos teus gestos.
Milhares de seres inanimados renascem ao vibrar.

A pureza inigualável e terna, uma dança de só bailarina,
enchendo a vida e a poesia de novos ventos...
São teus olhos, minh'amada, o novo leme...
O novo tempo que estou a navegar.


Josué Brito 

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Tolerância



Tenhamos tolerância com quem erra
porque ninguém se encontra em tal estado
de perfeição, por ora, nesta Terra,
que possa declarar não ter errado.

O engano, usualmente, mais encerra
ignorância que mal premeditado.
Busquemos silenciar a nossa guerra
de austero redentor, tenaz cruzado.

Estendamos a mão ao irmão caído
certos de que, algum dia, também nós
poderemos, do amparo justo e amigo

necessitar. Que não se desagrade
jamais a nossa ação e a nossa voz
do ofício fraternal da caridade.

Gilberto de Almeida
11/10/2019

Referência: Recados do Meu Coração. Bezerra de Menezes/José Carlos de Lucca. 
Capítulo "Tolerância"



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Diálogo com a Morte


- Quem é que vem chegando? - Sou a Morte!
- Mas, Morte, que desejas? - Vim buscar-te!
- Mas, como? Justo agora? - Sejas forte!
- Não podes me levar... - É minha arte!

- E a qual lugar me levas? - Para a corte!
- Da parte de quem chegas? - De Alta parte!
- Mas tenho esposa e filhos! - Não te importe!
- Não quero que me leves! - Vim levar-te!

- Mas não me preparei... - O que me dizes?
- Não ajudei ninguém! - Pobre coitado...
- Vivi por meu conforto... - Teus deslizes...

- No mais, sou inocente! - Estás culpado!
- E quem me julgará? - Temos juízes...
- Mas posso reparar... - Tempo esgotado!

Gilberto de Almeida
08/10/2019

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Força Criadora


Feliz de quem consegue apreender
 a íntima substância da palavra,
essência revestida de poder, 
que tanto retifica quanto agrava.

Quais flechas de desdém, de maldizer,
quais golpes de ardilosa, espúria clava,
se inventa de acusar e distorcer,
devasta, prejudica, anula, entrava.

No entanto, o mesmo verbo, se perdoa,
se ungido desse amor brando e irrestrito,
é amparo que reergue uma pessoa,

é voz de paz no seio do conflito,

é impulso saneante que abençoa,
é Força Criadora do Infinito!

Gilberto de Almeida


07/01/2019

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Ensaio de amar


As noites de dezembro são mais belas 
e há mais contentamento a cada dia!
Parece que do Alto se anuncia
a cura para todas as mazelas!

Quais novas esperanças, Pai, revelas
aos poucos, Teu Amor, que contagia!
É festa de ternura e de alegria
iluminando ruas e janelas!

E assim, por Teu Clamor, doce e sublime,
a humanidade, aos poucos, se redime...
É assim que Teu desvelo paternal

resulta, entre amigos, no natal,
na gentileza, ensaio alvissareiro,
que ensina a amar, depois, ao mundo inteiro!

Gilberto de Almeida
16/12/2018


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Solidário - Solitário II (uma visão espiritualista)


Gilberto de Almeida
13/11/2018

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a Grávida


Gilberto de Almeida
11/11/2018

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Força inata


Erguer
na vida
a per-
vertida...

Poder
da lida
enter-
necida.

Atento,
o amor
isento

resgata
a for-
ça inata.

Gilberto de Almeida
11/11/2018




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Trovas da Vida - IX


Sobre a paz, há uma verdade
intrigante, mas segura:
- Não tem paz quem a deseja;
só tem paz quem a procura!

Gilberto de Almeida
10/11/2018





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Aborto


Mil anjos em luto.
Inepto, ainda, o concepto,
expulso do útero.

Gilberto de Almeida
10/11/2018


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Pena de morte


Matar é verbo ausente no vernáculo
do Cristo, do cristão e de quem mais
cultiva, da consciência, no cenáculo
brandura, compaixão, amor e paz.

Sequer do criminoso, o espetáculo
da pena derradeira (esse fugaz
narcótico dos néscios, o pináculo
do engodo)..., nunca a morte lhe compraz!

Banhado na serena luz da prece,
chorando, condoído, a rasa pena
o servidor do Cristo se entristece

ao golpe da mortal insensatez.
Porém, nem ao carrasco, não condena, 
pois traz gravado n'alma o "não julgueis"...

Gilberto de Almeida
08/11/2018

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O processo


Os candidatos.
As pessoas.
A natureza.

Processo eleitoral.
Diálogo.
A fauna.

Debate.
Debate.
Embate.

Deselegância.
Pugilato.
Predação.

Acusações.
Rupturas.
Morte.

Fim do Processo.
Fim da amizade.
Fim da vida.

Gilberto de Almeida
05/11/2018

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Até que encontre vida após a morte


O espírito encarnado, em maioria, 
transita pela vida, inconsciente,
pois nada vê, nem mesmo desconfia,
da imensidão do mundo que não sente.

Aquilo em que acredita e que diria
ser fato incontestável, tão somente
é sombra, a escurecer a luz do dia
que resplandece em plano diferente.

A alma é tudo, a carne é quase nada!
Matéria é realidade empobrecida... 
Porém, se traz a vista enevoada,

em meio às ilusões de toda sorte,
a alma vive a morte nesta vida
até que encontre vida após a morte!

Gilberto de Almeida


24/10/2018

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Trovas da Vida - VI


Defender um candidato
deixa a pessoa cega.
Se ele afirmar, ela apoia;
Se ele negar, ela nega!

Gilberto de Almeida
22/10/2018


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Reencarnação - Reviver XXII


Pungente, o despertar da alma estarrecida,
no átrio do triunfo, além da sepultura.
Atrás de si, o pó, a morte, a cova escura;
adiante, a imensidão que pulsa e que convida!

Por força irresistível sente-se atraída
ao seio do zimbório, à imensa altura...
Mas, dor! Eis que a ilusão, no além, se desfigura,
pois pesa sobre a alma a inércia de uma vida!

Que fez da existência o espírito que avança? 
Que saldo de bondade, amor, ou de esperança
entrega ao Criador a alma resgatada?

Viveu no ócio, no egoísmo e quase nada
devolve a Quem lhe concedeu tamanha prenda...
Retorne, então - e ame mais! - até que aprenda!

Gilberto de Almeida
20/10/2018



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O pleito


Lá vai a multidão desenganada
no antigo pugilato da ilusão.
Embora conhecida a mesma estrada,
por ela, entorpecidos, todos vão!

Um clama - poucos pensam! - outro brada
e cada qual possui a solução...
Ninguém, contudo, escapa da cilada
na qual despreocupados cairão.

Amados meus, mostrai sabedoria:
- não é das aparências que se faz
o dom da liderança que irradia 

justiça, entendimento, amor e paz.
Buscais por vosso líder? Eu diria:
- olhai, no coração, o que ele traz!

Gilberto de Almeida
18/09/2018



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O ego


Gilberto de Almeida
10/09/2018



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Neve de natal


Cai a neve de natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Sobre as casas e oficinas,
sobre as almas pequeninas,
cai na Igreja reformada,
cai na ponte e sobre a estrada,
sobre os bancos e as finanças
cai a neve e tudo amansa...

E a criança corre afoita pela neve da cidade!
Cai e escorrega atrás do que lhe agrade.

Tantas luzes cintilantes,
muitas renas e elefantes!
São bonecos sorridentes,
guloseimas e presentes 
e o presépio natalino
(a lembrança do menino!)... 

A esperança cai do Alto como flocos de verdade!
Cai e escorrega e o nosso peito invade.

Todo ano as luzes vêm
despertando mais alguém!
Todo ano cai a neve
Mesmo num momento breve
Todo o ano há quem aguarde
jubiloso, a caridade!

Cai a neve do natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Gilberto de Almeida
22/12/2017


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Cálice sagrado



A vida do cristão é doce alento
oferecido em taça de amargura 
ao coração sofrido que procura
servir sem recompensa, oculto e isento.

É cálice sagrado o seu intento,
na Terra derramado, com doçura,
porque, se entrega luz, recolhe a escura
ingratidão do mundo desatento.

Porém, não se intimida; segue adiante!
Donde a energia imensa que garante
tal brio, tão incomum, tão pouco visto?

É que essa força nasce além da Terra
e ao servidor humilde se descerra
como esperança, luz e amor do Cristo.

Gilberto de Almeida
04/12/2017



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