Todo dia é natal
Quando eu morrer, uma parte imaginária de tudo isto
desvanecerá.
Com o corpo, perecerão
todas as coisas efêmeras que fiz.
O que restar, em meio à aparente desolação,
nascerá das sementes de eternidade
que porventura
eu tiver plantado.
Quando eu morrer,
no entanto,
uma parte significativa de tudo isso
renascerá.
Porque, para o espírito,
todo dia é natal!
Gilberto de Almeida
30/11/2016
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Eu, Alberto e os duendes de Papai Noel
Despertei bem cedo e olhei para o Alberto, que descansava sobre o criado mudo.
Ele estava literalmente verde.
Para aqueles que conhecem o Alberto, sabem que essa não é, nem de longe, sua aparência habitual. Olhos claros, cabelos também claros (mas que, dependendo da iluminação, parecem acastanhados) e, sobretudo, uma testa muito branca, muito alva. Nada de verde.
Mas, em matéria de Alberto, nada me surpreende. Se ele estava verde, estava. Ponto. No entanto, não pude evitar de divagar, inspirado no matiz esmeraldino do facies de meu amigo. De relance, desviando um tanto do caminho, lembrei-me de Jennifer Connelly. Mas foram os duendes de Papai Noel quem tomaram posto nos celeiros de minha mente. Embora não sejam verdes (nem os duendes, nem minha mente). Foi do assim, aparentemente do nada, que perguntei:
- Alberto, você sabe a história dos duendes do Papai Noel?
E ele, com a mesma simplicidade (e idêntica profundidade) de quem pergunta "o que é o número trinta e quatro?", respondeu:
- Mas quem é Papai Noel?
Pensei um pouco. Pensei um pouco mais.
Decidi que o número trinta e quatro tanto existe quanto não existe. Que é um conceito. Que é abstrato. Mas não consegui avançar muito na questão do "Papai Noel".
Fiz uma receita de Ferrum metalicum para o Alberto e decidi tomar uma boa ducha!
Gilberto de Almeida
29/11/2016
Pomar sobre a montanha
na pobreza
bem-aventurada
bem-aventurada
do espírito.
No natal eu choro;
penso na mansuetude,
na fome e na sede
de justiça.
Imagino a misericórdia
em toda parte;
e os corações limpos
e pacificadores.
No natal eu penso
nos que são perseguidos
e nos que são injuriados;
penso nos discípulos de Jesus.
Chego a sentir o sabor
salgado da terra,
a vislumbrar a luz
na noite do mundo.
Penso nas leis de Deus,
escritas com gramática celeste
nas páginas eloquentes
do Infinito;
penso que são imutáveis e justas,
generosas e boas,
misericordiosas e pacientes
e que nos conduzirão,
inexoravelmente,
à eternidade.
E me entristeço pela justiça da Terra,
tão necessária,
mas tão pequena.
Penso nas mortes,
na ira e na cólera
e na reconciliação entre os inimigos.
Penso em quanto o egoísmo provoca
separação, adultério,
escândalo
e em como é possível
evitar tudo isso.
Imagino a verdade pura
do sim
e do não
saindo de todas as bocas,
com simplicidade.
De repente, penso em não resistir
ao mal que me queiram fazer;
em oferecer a outra face,
em dar a túnica e a capa,
em andar duas milhas,
em dar a quem me pede.
Imagino o epílogo dos problemas do mundo
quando todos formos capazes
de amar nossos inimigos,
de bendizer a quem nos maldiz,
de fazer o bem a quem nos odeia,
de orar pelos que nos perseguem e caluniam.
De repente eu penso que não basta
ser mais ou menos;
que há uma perfeição moral
que nos busca a todos;
e que todos devemos buscá-la.
É no natal que eu penso
em dar esmolas
em segredo;
em orar
escondido,
sem palavras,
apenas com sentimentos,
no recinto íntimo
do coração.
Penso que tenho um Pai Criador
que está em toda Parte;
e cujo nome devo honrar
através da integridade
do meu proceder.
Imagino viver
em Sua casa.
Sinto Sua vontade soberana,
mas generosa,
manifestar-se
em todas as dimensões.
Sinto-me protegido e alimentado.
Desejo perdoar, e sou perdoado.
Resguardo-me e sou amparado.
De repente, não há mal.
Sinto-me imerso num Reino
único,
poderoso
e glorioso.
No natal tenho um impulso íntimo
de perdoar
a tudo e a todos;
de jejuar;
de jejuar, com alegria,
das futilidades,
do desperdício de tempo,
dos pensamentos mesquinhos,
das palavras ferinas,
das atitudes infelizes.
Não penso em renda,
nem em dinheiro;
não penso na propriedade
transitória
sobre o que quer que seja.
Ao contrário,
sou posse
de um sentimento inexplicável
que vem do Alto,
que vem do Alto,
onde deve estar
meu coração.
Meus olhos acendem luzes,
inesperadas,
de redenção.
No natal não importa
o que hei de comer
de beber
ou de vestir.
Não há os pássaros?
Não há os lírios?
Então por que me afligir?
No natal sou o que sou.
Nem mais alto,
nem mais baixo.
Sou de Deus.
Ele assim o determina.
Busco-o pois.
Não há inquietude.
O resto é o resto.
No natal já não julgo.
Também não sou julgado.
No natal, já não meço,
nem sou medido;
já ninguém tem defeito;
não reparo.
Vejo um plano perfeito
de revelação
gradativa
da Verdade.
A cada um o que o alimenta,
a seu tempo.
Sinto a Fartura Infinita,
a bondade de Deus:
- aquele que pede, recebe;
- quem procura, encontra;
- as portas se abrem.
No natal vejo os homens,
generosos,
dando uns aos outros
o que gostariam de receber.
inesperadas,
de redenção.
No natal não importa
o que hei de comer
de beber
ou de vestir.
Não há os pássaros?
Não há os lírios?
Então por que me afligir?
No natal sou o que sou.
Nem mais alto,
nem mais baixo.
Sou de Deus.
Ele assim o determina.
Busco-o pois.
Não há inquietude.
O resto é o resto.
No natal já não julgo.
Também não sou julgado.
No natal, já não meço,
nem sou medido;
já ninguém tem defeito;
não reparo.
Vejo um plano perfeito
de revelação
gradativa
da Verdade.
A cada um o que o alimenta,
a seu tempo.
Sinto a Fartura Infinita,
a bondade de Deus:
- aquele que pede, recebe;
- quem procura, encontra;
- as portas se abrem.
No natal vejo os homens,
generosos,
dando uns aos outros
o que gostariam de receber.
Penso nessa trilha
verdejante
e estreita
que conduz à Vida,
já trilhada,
já compartilhada
e que titubeio em percorrer.
Por que a exitação?
Qual o medo?
Não é esta a Boa Árvore?
A dos bons frutos?
Então, no natal, também desejo
ser árvore e dar frutos,
porque esta árvore que veio,
não foi planta ornamental;
não veio para ser paisagem,
mas veio, sim, ser pomar!
Gilberto de Almeida
28/11/2016
verdejante
e estreita
que conduz à Vida,
já trilhada,
já compartilhada
e que titubeio em percorrer.
Por que a exitação?
Qual o medo?
Não é esta a Boa Árvore?
A dos bons frutos?
Então, no natal, também desejo
ser árvore e dar frutos,
porque esta árvore que veio,
não foi planta ornamental;
não veio para ser paisagem,
mas veio, sim, ser pomar!
Gilberto de Almeida
28/11/2016
Pisca-alerta
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Fico hipnotizado com essas luzinhas que piscam!
Gilberto de Almeida
26/11/2016
Falta um mês
Falta um mês para o noite da festa.
Falta um mês!
E será que haverá seresta -
cantoria e coisa e tal,
porque afinal de contas
as pessoas ficam tontas -
na noite de natal?
Falta um mês para o dia dos sinos.
Falta um mês!
E será que haverá pequeninos
correndo - que não faz mal
correrem esses moleques
como sacis serelepes -
no dia de natal?
Falta um mês para os anos do Cristo.
Falta um mês.
E será que haverá tudo isto
e o esquecimento normal
da prece e da caridade -
que afinal a humanidade
nem bem sabe o que é o natal?
Gilberto de Almeida
25/11/2016
Labels:
Manuel marques.poema
Procurando o sonho...
Na imensidão do teu corpo anoitecido
tropeço na tua sombra e abraço-te
não sei se existes se te sonho...
Gostava de segredar-te as palavras que não ouso dizer-te
perder-me ,amando-te na nudez do teu corpo.
percorrendo a estrada do desejo procurando o sonho...
Manuel Marques (Arroz)
Na imensidão do teu corpo anoitecido
tropeço na tua sombra e abraço-te
não sei se existes se te sonho...
Gostava de segredar-te as palavras que não ouso dizer-te
perder-me ,amando-te na nudez do teu corpo.
percorrendo a estrada do desejo procurando o sonho...
Manuel Marques (Arroz)
Boa viagem
Virá o quinquagésimo quarto natal
desta vida.
Cinquenta e quatro gotas de esperança
na taça
do alheamento.
Cada uma delas,
a seu tempo,
teve seu matiz,
seu aroma,
seu sabor.
Sabor de curiosidade,
sabor de desejo,
sabor insípido,
sei lá...
Mas o que importa é que, recentemente,
cada gota deste cálice
parece lembrar que as outras todas
tinham gosto de amor.
Amor que veio escondidinho
na irreverência das festas,
na frivolidade prazerosa dos encontros,
nos excessos regados a dedicação,
em todas essas tolices
(agora, meigas tolices!)
que gotejaram na minha taça.
O que importa é que, agora,
essas gotas de esperança
com gosto de amor
já não mais parecem esperança;
elas têm a o matiz, o aroma e o sabor
de realidade.
Ou de quase realidade.
São mais expectativa que esperança.
É como se eu tivesse de posse do bilhete aéreo,
a aeronave já estacionada no portão de embarque
e já houvesse soado
a chamada.
Agora é só aguardar.
O voo vai partir.
Tenho certeza.
...
Duas mil e dezesseis gotas no cálice da humanidade;
cinquenta e quatro no meu cálice
e agora é certo.
O voo vai partir.
Sei disso.
Feliz natal!
Boa viagem!
Gilberto de Almeida
24/11/2016
Abro o meu coração ao amor...
Labels:
Manuel marques.poema
Durmo em sonhos cobertos de medo
de volúpia repletos do teu corpo
a minha solidão tem medo que a noite viva eternamente...
A minha boca se entreabre e se funde na tua
meus olhos beijam o teu corpo na clandestinidade
reinvento o teu corpo...
Na tua ausência escuto o silêncio
falo de nós
do nós clandestino
abro o meu coração ao amor e quem se aloja nele és tu...
Manuel Marques (Arroz)
de volúpia repletos do teu corpo
a minha solidão tem medo que a noite viva eternamente...
A minha boca se entreabre e se funde na tua
meus olhos beijam o teu corpo na clandestinidade
reinvento o teu corpo...
Na tua ausência escuto o silêncio
falo de nós
do nós clandestino
abro o meu coração ao amor e quem se aloja nele és tu...
Manuel Marques (Arroz)
Luzes de natal
Luzes de natal.
Espírito de natal.
Expressões que nos convidam,
no natal,
a iluminar
o espírito.
Gilberto de Almeida
21/11/2016
Biacróstico de natal
N ova esperança, afina L,
A lcança, a partir do cé U -
T razendo a brisa da pa Z -
A alma que se enternec E.
L embrança viva de Deu S!
Gilberto de Almeida
20/11/2016
Já vem dezembro
Já vem dezembro e lágrimas do céu
virão beijar a Terra em manifesto
encantamento, bálsamo e refresco
de amor divino em meio ao fogaréu!
E o ser humano, náufrago e ilhéu,
futuro anjo, fora de contexto,
lembrar-se-á, talvez, do Rei modesto
que, por servir e amar, aqui nasceu.
E. nesse instante de inspirado susto,
a humanidade, em transe natural,
sentir-se-á mais perto do Rei justo.
Renascerá, então, da dor, benquisto,
o homem que, da fonte do natal,
beber o amor e as lágrimas do Cristo!
Gilberto de Almeida
19/11/2016
Natal sem sede
O natal contemporâneo,
por mais materialista que seja,
por mais distraído de sua origem,
é um treinamento de doar
e de servir.
Ensaiamos passos tímidos,
nessa escola de amor.
Nem sempre damos
com desinteresse.
Nem sempre servimos
com entrega.
Mas, natal trás natal,
ano trás ano,
experiência trás virtude.
E vamos guardando na memória da alma
um sentimento de felicidade
ligado ao ato de doar
e de servir.
Bendito será o natal
em que a felicidade de doar
e de servir
será como água viva em nosso espírito.
Nesse natal
ninguém mais terá sede.
Gilberto de Almeida
18/11/2016
O seu amor...
O único presente que desejo neste natal
é o seu amor.
Mas não desejo que me ame.
Desejo o seu amor, sim,
mas que você ame quem lhe compartilha a existência,
sobretudo quem parece mais difícil de amar.
Desejo o seu amor
para o parente ou o amigo desagradável, impertinente;
para o egoísta, que se imagina o centro do mundo;
para o alcoólatra, que magoa a todos quando embriagado;
para o filho malcriado;
para o filho que o afronta e ofende e que parece ter esquecido
o que é amor filial;
para a mãe acamada e desorientada,
que destrata quem só deseja ajudá-la;
para o marido ou esposa fúteis e irresponsáveis,
irritantes e desagradáveis e, mesmo, violentos;
para aquele que o trai;
para quem fala pelas costas;
para quem deve e não paga;
para o vizinho petulante;
para o chefe arrogante e desumano;
para o colega traiçoeiro;
para o colega traiçoeiro;
para o subordinado e indolente...
E também para
quem fura a fila;
quem não o cumprimenta;
quem não ajuda na cozinha;
quem diz impropérios no trânsito;
quem esquece o seu aniversário;
quem come de boca aberta;
quem não te reconhece;
quem ronca;
quem só sabe falar mal!
Porque amar o bonzinho,
o correto,
aquele que só dá motivos para ser amado...
...isso é muito fácil
e não muda o mundo.
O que muda o mundo
é curar todos os doentes da alma que nele vivem
e doente da alma
não se cura com grito;
não é isso que Ele nos dizia?
Doente da alma
se cura com amor.
E porque em cada natal
eu quero mudar o mundo,
o único presente que desejo neste natal
é o seu amor.
Gilberto de Almeida
15/11/2016
Claridade anunciada
Por entre escuras nuvens
a lua enorme anuncia
claridades que virão.
E nesses dias, a luz,
como foi há dois mil anos,
virá da mesma fonte,
atravessará as sombras da nossa própria ignorância,
e será natal novamente...
Mas, desta vez, a manjedoura
será nosso planeta.
Desta vez, o rebento
será a humanidade inteira,
mais amorosa,
mais compassiva,
mais humilde.
Depois da escuridão será Sol,
o mesmo que nos ampara
há muito mais de dois mil anos.
Gilberto de Almeida
14/11/2016
ARRASTE NA NOITE
Madrugada silêncio por vezes intolerante,
uma forma de esconder as verdades,
uma busca de perdido,
um perdido do nada.
Reticências... sem definição.
pousada do tempo adormecido,
num vagar de sonhos acordados,
acorrentado em momentos tateados.
mochiaro
uma forma de esconder as verdades,
uma busca de perdido,
um perdido do nada.
Reticências... sem definição.
pousada do tempo adormecido,
num vagar de sonhos acordados,
acorrentado em momentos tateados.
mochiaro
Pequena trova de natal
Mas o anjo Gabriel
segundo, um dia, eu supus
não veio a nós por Noel;
antes, veio, por Jesus.
Gilberto de Almeida
13/11/2016
O Segredo dos natais
No sopé da montanha
quando a neblina da noite
estende seu véu nacarado
sobre a escuridão da floresta
é que eu desejo mais
conhecer de perto
o Segredo dos natais.
E porque eu desejo,
Ele me aconchega
e me diz: - Gilberto,
não há mais mistério...
E me dá Seu beijo
e adormeço em paz!
Gilberto de Almeida
12/11/2016
Eu, Alberto e a árvore de natal
De uns tempos para cá, eu e o Alberto andamos nos falando menos.
A amizade persiste, é claro, mas nossos assuntos parecem diferentes,
nossas crenças parecem mais distantes...
Na manhã de hoje, no entanto, quando dirigia por certa floresta de pinheirais, lembrei-me do Alberto.
Saquei-o do porta-luvas, desculpei-me pela longa ausência e perguntei-lhe, só para iniciar uma conversação, inspirado pela paisagem ao derredor:
- Alberto, você já providenciou uma árvore de natal?
O Alberto, como se houvéssemos nos falado ontem mesmo - e como é da sua natureza, diga-se de passagem - sem mais delongas, principiou a explicar-me, no seu jeito característico de falar:
"Há uma árvore no sopé do outeiro
no quintal da minha casa.
Mas não fui eu quem a plantou.
Então ela não é minha,
é da natureza.
Mas eu não preciso que seja minha,
porque não preciso de nada
que não tenha em mim mesmo.
Mas que aquela árvore,
lá no sopé do outeiro,
no quintal da minha casa,
é de natal, eu sei que é, sim.
Porque toda árvore neste mundo,
toda árvore plantada no chão
e que vive da seiva da Terra
é de Deus, nosso pai,
e é de Nosso Senhor, Jesus Cristo."
Aí, enquanto dirigia, olhos fixos na estrada, mas com atenção no silêncio significativo a que se entregara o amigo a meu lado, pensei que deveria voltar a conversar mais frequentemente com o Alberto, porque, afinal de contas, em meio a nossas concordâncias e diferenças, sempre havia um quê de poesia a escapar de nossas palestras, e isso, no fundo, é o que, para mim, sempre valeu a pena.
Gilberto de Almeida
11/11/2016
nossas crenças parecem mais distantes...
Na manhã de hoje, no entanto, quando dirigia por certa floresta de pinheirais, lembrei-me do Alberto.
Saquei-o do porta-luvas, desculpei-me pela longa ausência e perguntei-lhe, só para iniciar uma conversação, inspirado pela paisagem ao derredor:
- Alberto, você já providenciou uma árvore de natal?
O Alberto, como se houvéssemos nos falado ontem mesmo - e como é da sua natureza, diga-se de passagem - sem mais delongas, principiou a explicar-me, no seu jeito característico de falar:
"Há uma árvore no sopé do outeiro
no quintal da minha casa.
Mas não fui eu quem a plantou.
Então ela não é minha,
é da natureza.
Mas eu não preciso que seja minha,
porque não preciso de nada
que não tenha em mim mesmo.
Mas que aquela árvore,
lá no sopé do outeiro,
no quintal da minha casa,
é de natal, eu sei que é, sim.
Porque toda árvore neste mundo,
toda árvore plantada no chão
e que vive da seiva da Terra
é de Deus, nosso pai,
e é de Nosso Senhor, Jesus Cristo."
Aí, enquanto dirigia, olhos fixos na estrada, mas com atenção no silêncio significativo a que se entregara o amigo a meu lado, pensei que deveria voltar a conversar mais frequentemente com o Alberto, porque, afinal de contas, em meio a nossas concordâncias e diferenças, sempre havia um quê de poesia a escapar de nossas palestras, e isso, no fundo, é o que, para mim, sempre valeu a pena.
Gilberto de Almeida
11/11/2016
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