
No horizonte, amanhece,
a paz timidamente começa
e eu aprecio
sobre a aridez insulada da minha vida.
Amanhece sobre o mar,
oscila o espelho luminoso
e eu aprecio
da altura do rochedo dos meus temores.
Na mata fresca, amanhece,
doura-se o verde contemplativo
e eu aprecio
sobre o leito rude do meu pranto.
Amanhece a música na vida,
São bem-te-vis, sabiás, nem-sei-mais
e eu aprecio
do silêncio indevassável da noite antiga.
Na Terra, tudo amanhece,
fluem os rios, prateando o dia
e eu aprecio
sobre a inércia, ávido de movimento.
Amanhece o firmamento,
Deus vibra, infinitamente manifesto,
e eu aprecio
sobre o sólido reduto das minhas preces.
Dentro de mim, amanhece.
Gilberto de Almeida
28/02/2014
O pastor sobre o rochedo
Caramba, como dói está decisão
Caramba como dói , está decisão
mas te ver assim...
Foi você que nos escolheu
e hoje escolhi não te ver sofrer
Você sempre estará no coração dessa família
já sinto falta de seu latido, Lobaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Está página estava em branco
Foi tingida com seu sangue
e o meu sal
LOBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Nunca mais como galinha.
Pena de Amor
A Arte: Cotidiano de Todos
Felina 2
Do inútil ao importante
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| Arte: Alessandro Gottardo |
As cartas se escrevem pelas paredes, 6
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Rodolpho,
...estou preocupada...
Faz duas semanas que lhe escrevi pela última vez e, nenhuma notícia sua desde então eu recebi. Não tenho outro contato seu. Em nossa correspondência moderna não nos ocupamos de nos dar mais de nós mesmos.
O que foi que fizemos? Nos ocupamos de falar em um bendito livro encontrado por você e que te trouxe a mim. Ainda não sei como isso aconteceu – as vezes nem parece possível e, já me questionei tantas vezes sobre a verdade por trás dessa troca que poderia ser imaginária...
Acabei comprando o livro na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na última semana – foi o jeito que encontrei para tentar por fim a esse silêncio que se estabeleceu entre nós dois e, também para tentar compreender o que foi que te trouxe até mim. Confesso que não avancei muito na leitura, mas percorri, de certa maneira os mesmos caminhos que você, com o livro em uma das mãos e a esperança na outra. Pensei que talvez pudéssemos esbarrar um no outro e, você me reconheceria como na cena do filme em que Tom Hanks e Meg Ryan combinam um encontro no café sem saber um do outro – assisti novamente a esse filme na noite passada.
Eu sou mesmo uma sonhadora – sou igualmente solitária e, desde que você atracou em meu mundo é que percebi que essa casa tem cômodos demais e, móveis de menos... Eu sigo alimentando o gato do vizinho que me faz companhia nas noites em que o sono foge de mim – quase todos os dias são assim. Quando me esqueço de deixar o vitrô da cozinha aberto, ele estala suas unhas contra o vidro e choraminga como se estivesse a chamar por mim...
Eu acho que estou a delirar – e, isso me consome e preocupa – tenho razões para temer a loucura já que é coisa comum em minha família...
Reli seus escritos todos na última hora e, fiquei a pensar por alguns segundos nessa sua história de vida – nesse seu amor do passado e, comecei a imaginar o que teria acontecido a ela. É o que faço de melhor: imaginar. Sonho o tempo todo – inclusive quando acordada. Não sei absolutamente nada sobre vivencias – não pratiquei muito nessa minha vida. Sei apenas sobre viver do lado de dentro, com os olhos presos ao branco da parede. As vezes eu acho que seria uma boa escritora – ao menos na construção da história. Escrever já seria outra coisa – mas, tenho pra mim que não me sairia muito bem. Talvez se não precisasse do papel sendo possível escrever apenas em minha mente que é onde tudo de fato acontece.
Eu deliro enquanto escrevo também – me perco – me afasto –, vou em outras direções deixando de lado a tela e as palavras. Sempre fui assim. Tive dificuldades em concentrar-me nos estudos quando em idade escolar. Fui uma estudante regular – com notas suficientes para o ano seguinte viver. Os cadernos eram eternos rascunhos. Vivia comprando novos para passar o anterior a limpo e, assim o ciclo nunca se completava. Eu sempre fui incompleta – uma pessoa a espera que algo acontecesse...
Na última hora visitei umas cem vezes a minha caixa de entrada – de minuto em minuto – pensando encontrá-lo por lá... O seu silêncio esta a me torturar, mas eu imagino que a essa altura você deve ter percebido que sou uma maluca-desvairada-e-totalmente-insana que cuida do gato do vizinho e se debruça na janela para espiar sombras no meio da noite. Em seu lugar também iria evitar contato comigo, afinal, eu poderia comprometer sua sanidade.
Entendo! Mas, por favor, ao menos diga-me se esta bem... Não precisa dizer nada mais, apenas uma palavra. Diga-me de qualquer maneira "vivo e sobrevivo – não espere mais por mim" –, ou apenas "estou bem". Mas se preferir menos, não me magoará. Só quero sabê-lo bem – para tanto, uma palavra apenas será o bastante porque esse seu silêncio está a destroçar minha alma.
Ontem, na Biblioteca Mário de Andrade – lugar que passei a frequentar na esperança de tropeçar em você – vi esse senhor a ler o “nosso livro” e, pensei ser você. Talvez fosse – já que não me aproximei – permanecendo a distancia. A sabê-lo de dentro do meu silencio. Ele ficou lá com sua ausência de movimentos – apenas o ato comum de virar página por página com a ponta dos dedos... Levantou-se ao final da leitura, enxugando os olhos com um lenço branco – aparentemente emocionado e, em seguida limpou as lentes dos óculos (embaçadas). Passou por mim sem saber-me ou notar-me ali em meu canto e, foi embora. Poderia ser você... Todos os homens pelos quais passo – ultimamente – pode ser você. Abraços
Ps. Terminei de ler o “nosso livro” há pouco, queria que soubesse. Estou sem chão – vazia. A história narrada ali poderia ser minha – sua – poderia ser de qualquer um. Vou comprar flores hoje a caminho para o trabalho e, mandar entregar aqui em casa…
Júlia
(fim)
Mealheiro de sonhos (Parte III)
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| Arte: Little Ballerina_Joe Chicurel |
( Parte I )
Mealheiro de sonhos (Parte II)
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Arte: Little Ballerina_Joe Chicurel
Swan lake - Four little swans
(Parte I)
Deixou-me brincar na areia molhada, sentir o
frescor da água, saborear o sal que se sentia até nas narinas. Deixou-me
brincar até me cansar, até que me fui sentar ao pé dele e lhe perguntei porque
não vivíamos ali.
“Eu e a tua mãe sempre quisemos viver aqui.
Vês ali aquela pequena casinha branca e azul? É muito bonita, já está há alguns
anos à venda. Se a pudéssemos comprar, seria suficiente para nós, todos os dias
podíamos acordar, e dizer bom dia ao mar.
“Oh papá, mas essa é uma ideia muito
boa!”Gritei eu, batendo palmas.
Ele sorriu e explicou: “Comprar uma casa
para os adultos não é o mesmo que comprar uma casa como a que fiz para as tuas
bonecas… Tudo é muito maior, e precisamos de lhe pôr mais coisas dentro. E por
isso tudo custa mais dinheiro.
“E como podemos arranjar mais dinheiro,
papá?”
“É por isso que os adultos trabalham, para
poderem comprar as coisas do dia-a-dia, como a nossa comida, por exemplo. E
depois, quando conseguem, guardam-mo no banco – assim como uma espécie de
mealheiro grande. E às vezes, quando o dinheiro não chega, precisam trabalhar
mais.”
Aí fez uma pausa para me deixar entender
tudo.
´”É isso que vou ter que fazer. Vou ter que
começar a trabalhar mais. Mais tempo. E por isso, terei menos tempo para estar
contigo, já não poderei ir tantas vezes ver a tua aula de dança. Mas quero ir
ver os espectáculos.
“E precisas trabalhar mais para colocar no
teu mealheiro?”
“Sim, um mealheiro diferente. Não vou
guardar, vou usá-lo. Em algo que todos gostamos muito, e é ainda melhor que
pô-lo no mealheiro.”
“E vais gastar em quê?”
“Ora, vá lá, não te preocupes com isso. Hum,
digamos que vou gastá-lo em sonhos, e esse é um bom uso, não achas?”
“Acho que sim, papá!”
|
QUANDO CHEGA A PRIMAVERA
Desafio Bailarina - ai de ti...
Sawabona Shikoba
Claudiane Ferreira
Mealheiro de sonhos (Parte I)
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Arte: Little Ballerina_Joe Chicurel
|
Os "Causos" Do Zé Mané Em:A PEQUENA BAILARINA por Danka Maia
Vínculo Axioma
Ave, Alma e Ninho
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| Foto: www.birdsasart.com |
Cometa Sem Juízo ?
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Arte: Joe Chicure
Litte Ballerine
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Ao longe um cometa risca o céu
Juro, sorri para mim.
Onde vai com tanta pressa?
Ora Menino...
inda chove dentro d'alma dela
Quer parar de bancar o Sem Juízo.
Um relógio soou 15 vezes
a festa por enquanto aqui na Terra acabou
lá no alto é claro, serenata de saudade
Por segundos volto a ser criança bailarina
que dança ao som da saudade de um grande amigo espiritual
Sonhar é utopia?
Por cima do mar
voltarão a se encontrar.
As estrelas riscarão o luar
e o sentimento irá desaguar
em um sorriso que vai compactuar
com o verbo amar.
Claudiane Ferreira
Um minuto
de homenagem ao co-criador do Tubo de Ensaio( Claudemir, o Mena) e a nossa anfitriã Dulce Morais que tem muito a agradecer por esse menino, ter feito morada em seu ser.
Convido-os a visitarem seu cantinho http://meninosemjuizoemversos.blogspot.com/
A Aula dos Gestos
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| Arte: Joe Chicurel Little Ballerina |
Cabe a Mim
Decisão
"Difícil é ser tão simples"
Decisão
Difícil é ter um olhar inocente para a maioria dos políticos...
Não é difícil sentir e ignorar a dor alheia, fingindo que não faz parte de nós.
Difícil é ter que sobreviver com um salário tão modesto!
Não é difícil ficar em cima do muro.
Difícil é embaralhar as letras do nosso EU.
UÉ! não é difícil ser feliz, difícil é compreender que estamos aqui para evoluir. SIMPLES ASSIM!?
Claudiane Ferreira
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