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O maior natal


Do nascimento à páscoa,
da manjedoura à cruz,
Sua existência, vasta
de compaixão, conduz.

Como vertente d'água
que, sob o Sol, reluz,
as multidões arrasta,
no vicejar d'A Luz.

Está encerrada a espera!
Chega a alvorada astral!
Quando Jesus descerra

todo o esplendor moral
que desce ao chão da Terra,
eis o maior Natal!

Gilberto de Almeida


06/12/2019

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Ensaio de amar


As noites de dezembro são mais belas 
e há mais contentamento a cada dia!
Parece que do Alto se anuncia
a cura para todas as mazelas!

Quais novas esperanças, Pai, revelas
aos poucos, Teu Amor, que contagia!
É festa de ternura e de alegria
iluminando ruas e janelas!

E assim, por Teu Clamor, doce e sublime,
a humanidade, aos poucos, se redime...
É assim que Teu desvelo paternal

resulta, entre amigos, no natal,
na gentileza, ensaio alvissareiro,
que ensina a amar, depois, ao mundo inteiro!

Gilberto de Almeida
16/12/2018


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Crucificando o Natal


Gilberto de Almeida
11/12/2018

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Neve de natal


Cai a neve de natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Sobre as casas e oficinas,
sobre as almas pequeninas,
cai na Igreja reformada,
cai na ponte e sobre a estrada,
sobre os bancos e as finanças
cai a neve e tudo amansa...

E a criança corre afoita pela neve da cidade!
Cai e escorrega atrás do que lhe agrade.

Tantas luzes cintilantes,
muitas renas e elefantes!
São bonecos sorridentes,
guloseimas e presentes 
e o presépio natalino
(a lembrança do menino!)... 

A esperança cai do Alto como flocos de verdade!
Cai e escorrega e o nosso peito invade.

Todo ano as luzes vêm
despertando mais alguém!
Todo ano cai a neve
Mesmo num momento breve
Todo o ano há quem aguarde
jubiloso, a caridade!

Cai a neve do natal sobre os templos da cidade!
Cai e escorrega e aos poucos tudo invade.

Gilberto de Almeida
22/12/2017


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Nove natais


A consulta era com a mãe.
À despedida, perguntei à menininha:
- Quem é que você está esperando no natal?

- Papai noel!

Reformulei a pergunta:
- Mas no natal, a gente comemora o aniversário de quem?

Olhar de ponto de interrogação dirigido para a mãe.

A mãe justifica-se:
- A gente esquece de ensinar!

Nove natais da pequenina.

Gilberto de Almeida.
17/12/2016


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Pistas sobre a origem do natal moderno




Gilberto de Almeida
12/12/2016

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Nem sombra


No natal não tenho visto
nem mais sombra do Cristo.

Gilberto de Almeida
11/12/2016



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Poema em zigue-zague


Termina o ano. Termina o dia.
Dia quente. Ano frio.
Vem o natal. Sussurra a brisa.
Refresca o corpo. Aquece a alma.

Gilberto de Almeida.
10/12/2016

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Heroísmo de natal


Descer da morada dos anjos
para mergulhar no lodo
da ignorância humana;

eis aí

o heroísmo de natal.

A cruz foi redenção!

Gilberto de Almeida
09/12/2016



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Tela em branco


Não me perguntem por quê!
Senti. Somente senti. Só isso.

Depois do natal,
depois de um bem sentido natal,
em que, por alguns instantes,
tomamos posse de nós mesmos,
furtando-nos às frivolidades acessórias;

depois desse natal,
em que, apartados, em pensamento, da sintonia comum,
deixamos o Cristo nos penetrar a alma;

Depois desse natal, quando abrirmos os olhos,
estaremos diante de uma tela em branco...

Um convite para reescrever
nossas vidas!

Gilberto de Almeida
08/12/2016



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Natal é ensaio


Natal é ensaio;
humanidade é espetáculo.

Aqui se treina
doação e afeto;
ali se realiza.

Natal é laboratório;
humanidade é campo.

Aqui se experimentam
luzes artificiais;
ali se ilumina.


Natal é banquete;

humanidade é fartura (e fome!).

Aqui se devora
quitutes e guloseimas;
ali se alimenta.

Natal é prelúdio;
humanidade é sinfonia.

Aqui se inicia
o entendimento fraterno;
ali se ama.

Natal é primário;
humanidade é superior.

Aqui engatinhamos
no entendimento coletivo;
ali nos diplomamos.

Que o sentimento nascente
conduza à humanidade.

Aqui somos chamados
ao exercício do bem;
ali realizamos.


Gilberto de Almeida

07/12/2016


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Natal em flocos


Ah! Que sensação confortante
quando o natal começa a cair, em flocos,
sobre as neves da minha vida...

Gilberto de Almeida
06/12/2016



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Natal diferente


Estou imaginando um natal diferente
porque, no natal, de fato,
 há muito que não compreendo.

No meu natal diferente,
Ao invés de Papai Noel
(de onde ele veio?)
todos esperariam, 
procurariam,
aguardariam
e elevariam seus pensamentos 
a Jesus.

Ao invés de um pinheiro
(de onde ele veio?)
no máximo uma oliveira,
porque isso faz sentido.

Ao invés de um monte de gente
em conversação ruidosa
fartando-se até o limite
da glutonice,
haveria pequena família
em silêncio reverente
em refeição frugal.

Nem uísque, nem cerveja,
nem álcool de espécie alguma.
Vinho, talvez,
uma taça,
porque isso faz sentido.

Quem sabe, haveria as luzinhas que piscam
porque são poéticas
e porque fazem sentido, também...
Mas poderia haver velas.
uma meia-luz acolhedora
lembrando aquele tempo
em que toda luz era escassa...

Não haveria troca de presentes
(que se compra com medo de gastar
e se dá com medo de errar),
Haveria, talvez,
incenso e mirra,
ao pé da Oliveira, se tanto,
como homenagem póstuma
a Quem desprezamos em vida.

Não haveria conversação fútil
sobre o valor do dólar,
sobre o último eletrônico da moda,
nem mesmo sobre a receita do peru
(não haveria peru!).
Seria um momento de contar histórias
para as crianças e adultos
a respeito da Vida
do Homem-Luz.
Seria momento de entrega,
de revivescência,
de agradecimento
e de oração.

No meu natal diferente,
ninguém deblateraria,
nem daria gargalhadas estridentes,
ninguém contaria bravatas,
nem esbravejaria com as crianças.
Todos se diminuiriam
para o aniversariante aparecer
e sentir-se-iam felizes
de uma felicidade serena.

É assim que seria
o meu natal diferente,
mas é claro que,
exceto num santuário,
 ninguém quer um natal assim!

05/12/2016
Gilberto de Almeida




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Negação















N ego, nego, nego!
A ssim procedeu o apóstolo.
T ambém negarei, eu?
A cima de qualquer dúvida
L uzes de Eterno Amor...

Gilberto de Almeida
04/12/2016

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Na época do natal


Conheci uma pessoa,
a primeira,
cuja inspiração, na época do natal, era tamanha
que sempre renovava votos
de não cometer mais
os mesmos erros,
os mesmos erros,
os mesmos erros...

Conheci outra pessoa,
a segunda,
que nas proximidades do natal,
colhia a inspiração
de onde a inspiração brotasse...

Finalmente,
conheci outra pessoa,
a terceira
(desta vez, do plural),
cuja inspiração, na época do natal, era tamanha
que sempre renovava votos
de não cometer mais
os mesmos erros,
os mesmos erros,
os mesmos erros...

É claro! Este poema é uma generalização,
mas tenho forte razão para crer em sua veracidade, 
pelo menos no que diz respeito à primeira pessoa.

Gilberto de Almeida
03/11/2016


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Hoje também é dezembro


Hoje é dezembro, segundo;
o que, a outra questão,
quase tudo reduz:

- por onde, no mundo,
(onde é que estarão?)
os discípulos de Jesus?

Gilberto de Almeida
01/12/2016

-----------------------------------------------
Auto-parodiando, "Hoje é dezembro"

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Hoje é dezembro


Hoje é dezembro, primeiro,
o que tudo reduz
à questão essencial:

- será verdadeiro
que ainda é Jesus
o motivo do natal?



Gilberto de Almeida
01/12/2016

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Todo dia é natal


Quando eu morrer, uma parte imaginária de tudo isto
desvanecerá.
Com o corpo, perecerão 
todas as coisas efêmeras que fiz.

O que restar, em meio à aparente desolação,
nascerá das sementes de eternidade
que porventura
eu tiver plantado.

Quando eu morrer, 
no entanto, 
uma parte significativa de tudo isso
renascerá.
Porque, para o espírito, 
todo dia é natal!

Gilberto de Almeida
30/11/2016


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Eu, Alberto e os duendes de Papai Noel


Despertei bem cedo e olhei para o Alberto, que descansava sobre o criado mudo.

Ele estava literalmente verde. 

Para aqueles que conhecem o Alberto, sabem que essa não é, nem de longe, sua aparência habitual. Olhos claros, cabelos também claros (mas que, dependendo da iluminação, parecem acastanhados) e, sobretudo, uma testa muito branca, muito alva. Nada de verde.

Mas, em matéria de Alberto, nada me surpreende. Se ele estava verde, estava. Ponto. No entanto, não pude evitar de divagar, inspirado no matiz esmeraldino do facies de meu amigo. De relance, desviando um tanto do caminho, lembrei-me de Jennifer Connelly. Mas foram os duendes de Papai Noel quem tomaram posto nos celeiros de minha mente. Embora não sejam verdes (nem os duendes, nem minha mente). Foi do assim, aparentemente do nada, que perguntei:

- Alberto, você sabe a história dos duendes do Papai Noel?

E ele, com a mesma simplicidade (e idêntica profundidade) de quem pergunta "o que é o número trinta e quatro?", respondeu:

- Mas quem é Papai Noel?

Pensei um pouco. Pensei um pouco mais.
Decidi que o número trinta e quatro tanto existe quanto não existe. Que é um conceito. Que é abstrato. Mas não consegui avançar muito na questão do "Papai Noel".

Fiz uma receita de Ferrum metalicum para o Alberto e decidi tomar uma boa ducha!

Gilberto de Almeida
29/11/2016

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Pomar sobre a montanha


No natal eu penso 
na pobreza
bem-aventurada
do espírito.

No natal eu choro;
penso na mansuetude,
na fome e na sede
de justiça.

Imagino a misericórdia
em toda parte;
e os corações limpos
e pacificadores.

No natal eu penso
nos que são perseguidos
e nos que são injuriados;
penso nos discípulos de Jesus.

Chego a sentir o sabor
salgado da terra,
a vislumbrar a luz
na noite do mundo.

Penso nas leis de Deus,
escritas com gramática celeste
nas páginas eloquentes
do Infinito; 
penso que são imutáveis e justas,
generosas e boas,
misericordiosas e pacientes
e que nos conduzirão, 
inexoravelmente,
à eternidade.

E me entristeço pela justiça da Terra,
tão necessária,
mas tão pequena.

Penso nas mortes,
na ira e na cólera
e na reconciliação entre os inimigos.

Penso em quanto o egoísmo provoca
separação, adultério,
 escândalo
e em como é possível
evitar tudo isso.

Imagino a verdade pura
do sim
e do não
saindo de todas as bocas,
com simplicidade.

De repente, penso em não resistir
ao mal que me queiram fazer;
em oferecer a outra face,
em dar a túnica e a capa,
em andar duas milhas,
em dar a quem me pede.

Imagino o epílogo dos problemas do mundo
quando todos formos capazes
de amar nossos inimigos,
de bendizer a quem nos maldiz,
de fazer o bem a quem nos odeia,
de orar pelos que nos perseguem e caluniam.

De repente eu penso que não basta
ser mais ou menos;
que há uma perfeição moral
que nos busca a todos;
e que todos devemos buscá-la.

É no natal que eu penso
em dar esmolas
em segredo;
em orar 
escondido,
sem palavras,
apenas com sentimentos,
no recinto íntimo
do coração.

Penso que tenho um Pai Criador
que está em toda Parte;
e cujo nome devo honrar
através da integridade
do meu proceder.

Imagino viver
em Sua casa.

Sinto Sua vontade soberana,
mas generosa,
manifestar-se 
em todas as dimensões.

Sinto-me protegido e alimentado.

Desejo perdoar, e sou perdoado.

Resguardo-me e sou amparado.

De repente, não há mal.
Sinto-me imerso num Reino
único,
poderoso
e glorioso.

No natal tenho um impulso íntimo
de perdoar
a tudo e a todos;
de jejuar;
de jejuar, com alegria,
das futilidades,
do desperdício de tempo,
dos pensamentos mesquinhos,
das palavras ferinas,
das atitudes infelizes.

Não penso em renda,
nem em dinheiro;
não penso na propriedade
transitória
sobre o que quer que seja.

Ao contrário,
sou posse
de um sentimento inexplicável
que vem do Alto,
onde deve estar
meu coração.

Meus olhos acendem luzes,
inesperadas,
de redenção.

No natal não importa
o que hei de comer
de beber
ou de vestir.
Não há os pássaros?
Não há os lírios?
Então por que me afligir?

No natal sou o que sou.
Nem mais alto,
nem mais baixo.

Sou de Deus.
Ele assim o determina.
Busco-o pois.
Não há inquietude.
O resto é o resto.

No natal já não julgo.
Também não sou julgado.

No natal, já não meço,
nem sou medido;
já ninguém tem defeito;
 não reparo.

Vejo um plano perfeito
de revelação
gradativa
da Verdade.

A cada um o que o alimenta,
a seu tempo.

Sinto a Fartura Infinita,
a bondade de Deus:
- aquele que pede, recebe;
- quem procura, encontra;
- as portas se abrem.

No natal vejo os homens,
generosos,
dando uns aos outros
o que gostariam de receber.

Penso nessa trilha
verdejante
e estreita
que conduz à Vida,
já trilhada,
já compartilhada
e que titubeio em percorrer.

Por que a exitação?
Qual o medo?
Não é esta a Boa Árvore?
A dos bons frutos?

Então, no natal, também desejo
ser árvore e dar frutos,
porque esta árvore que veio,
não foi planta ornamental;
não veio para ser paisagem,
mas veio, sim, ser pomar!

Gilberto de Almeida
28/11/2016

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