Uma Cena de Jarmusch
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Carlos Moraes,
Poema
a rua em que passo, já passamos
tantas ruas, tantas vezes, passamos
custo a crer no não
que ainda vamos passar.
uma cena de Jarmusch: a moça com
seu café temperado, o garçom idiota
completa a xícara, a moça se revolta.
uma cena nossa: a moça com
seu whisky e red bull, o mesmo idiota
completa a taça,
fizemos graça, bêbados de beleza
quanto belo que houve
quanta magia
quanto amor
nada se estabeleceu pelo que seria
estabeleceu-se na logosfera
depois na esfera do que havia
fomos futuristas e sensacionistas
disso nasceu amor e admiração
almas ricas e leves
almas alegres e safadas
almas nossas no céu de cada dia
a rua em que passo numa ida
aonde sempre ia, termina ali
e na volta não fico, nem volto
revolto-me com o que faço
porque não o fiz, porque não quis
o que mais quero
uma cena de Jarmusch: uma bifurcação
cada um segue para um lado
contrários, sentidos, solitários
restam os caminhos
aqueles que percorrermos juntos,
aqueles em que jamais voltaremos.
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4 comments:
A rua é a melhor escola para quem tem maturidade, basta saber o que aprender!
Abraço.
Conseguimos ver a mesma rua de diferentes jeitos, conforme o nosso de cada dia ela muda dentro de nós.Adorei, Bjs
Dos caminhos dos quais jamais voltará o poeta, resta a magia dos versos, gravada na alma do leitor...
Belíssimo, Carlos!
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A mesma rua gera orgulho e nostalgia pelo que foi feito de bom grado e também arrependimento do que um dia, não aconteceu. Vamos aproveitar então o momento e, vamos às ruas, para o dia que passarmos por ali sabermos que ali começou uma "nova vida", um novo amor, como você cita no teu poema. Bacana Carlos, abraços.
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