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A tela e a artista

Giovanni Maria Benzoni — "Velada Rebecca", 1864



Silente, traçando linhas como o arquiteto,
retrato-te nas telas que já não mais exorno.
Tu nos imorredouros arrebóis que logro a existência,
apesar de ainda ao sol não tocar.

Misturam-se as cores da esperança e da promessa...
Tu alva, cântico doce, suave e bela,
compassada como uma opera milagrosa...
És amada como toda a poesia.

Os versos, essas minhas carnes que caem
ao sofrimento, reverberam e voltam à alma...
Inimagináveis palavras refletem aos teus gestos.
Milhares de seres inanimados renascem ao vibrar.

A pureza inigualável e terna, uma dança de só bailarina,
enchendo a vida e a poesia de novos ventos...
São teus olhos, minh'amada, o novo leme...
O novo tempo que estou a navegar.


Josué Brito 

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