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A tela e a artista

Giovanni Maria Benzoni — "Velada Rebecca", 1864



Silente, traçando linhas como o arquiteto,
retrato-te nas telas que já não mais exorno.
Tu nos imorredouros arrebóis que logro a existência,
apesar de ainda ao sol não tocar.

Misturam-se as cores da esperança e da promessa...
Tu alva, cântico doce, suave e bela,
compassada como uma opera milagrosa...
És amada como toda a poesia.

Os versos, essas minhas carnes que caem
ao sofrimento, reverberam e voltam à alma...
Inimagináveis palavras refletem aos teus gestos.
Milhares de seres inanimados renascem ao vibrar.

A pureza inigualável e terna, uma dança de só bailarina,
enchendo a vida e a poesia de novos ventos...
São teus olhos, minh'amada, o novo leme...
O novo tempo que estou a navegar.


Josué Brito 

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Os sonhos em mim

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Estou agora ao passo dos sonhos, a transgressão
Maior à realidade. Não se aceitar que homens
São maus, que o amor é findo, que pais morrem,
E que as vontades envelhecem.

O sonho, um ato de coragem e desmazelo.
É não crer. Duvidar do que se vê à janela.
Não aceitar que se posicionem distantes
Os sóis.

A vida como tanto, como uma luta eterna
Contra o real, é um sonho. Um sonho de
Liberdade. Um sonho que não cabe entre
Ideias e que transcende as mãos.

São enormes os sonhos. E sendo grandes
Como os pensamentos e os homens, não
Cabem os sonhos em lugar algum. São
Os sonhos livres, libertos, escorregadios.

Os sonhos jamais presos e contidos. Morrem
Os homens, eles não. Os sonhos que estavam
No coração de uma mulher vão à cova, os de
Umas crianças se escondem no coração.
Continuam sonhos...

E assim, a vida. A vida como dependente dos
Sonhos, quase um barbarismo, posto que
São os sonhos a vontade primaz
De se viver (livre).

Josué Brito 



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Tende o amor

Tendem o corpo e a alma ao sepulcro.
O olhar dotado do acaso sem escrúpulos
Viajando ao além... se arrefecendo aos poucos,
Criando mundos que não são compatíveis, mas
Que são seus, que são únicos. 

Consoante a uma ampulheta fria e calculista,
As mãos se vão distanciando... Cria-se um mar. A
Sublimação dantes eviterna e fascinada
Torna-se esquálida,  alimentada
Pelo  próprio dissabor.

Faz-se vivo a brecha, o instante, o momento...
Onde o coração não mais se acalenta. Esfriou-se.
As simulações fazem faces, fazem beijos,
Fazem entregas, todas falsas, todas dotadas
De amargura.

E no fim qual a verdade? Qual a real ventura?
Todos os homens são falsos... Todos os pensamentos
São vagos, estão, enquanto se diz eu te amo,
Em outras desventuras.

Josué da Silva Brito 

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Ensaio sobre a loucura

Composição Vii - Petróleo Por Wassily Kandinsky 

O homem sendo a materialização do desejo e a transfiguração do fazer pode ser classificado em duas palavras, que em partes são sinônimos: amor e loucura. A loucura fez do homem capaz de amar, deu a ele a determinação insana e irracional pela conquista e pelo auto sacrifício. O amor tornou o homem louco, capaz de transcender o ambiente racional e conceber as mais tenras ilusões juvenis.
O amor e a loucura juntos deram ao homem a criatividade, a luta e o ar selvagem que ainda permanece vivo no perfume de raça estranha. Ao homem o amor, à loucura o homem.
Durante séculos o amor, o homem e a loucura caminharam em harmonia, criando um ambiente de profunda criação, ética e humanidade.
Alguma coisa, porém deu errado no tempo. De alguns homem se apropriou a loucura, enquanto de outros, o amor. O amor e a loucura não mais como unha e carne, mas como rivais em busca da conquista de seguidores. Eis, então, a origem dos tresloucados do século atual.
O amor desligado da loucura criou uma loucura impalatável. Homens loucos pelo dinheiro, pela glória, pelas guerras... Verdadeiros animais insanos pelas próprias conquistas vazias. Já os que foram dominados pelo amor e não possuem loucura se tornaram silentes, desaparecidos entre a calamidade, como se fossem apenas mais um elemento do caos.
Os homens de outrora que amavam a loucura e dela tinham meio para o amor simplicissimamente se reduziram a lembrança. São alguns poucos e modestos poetas que ainda acreditam em ideias e na ordem do destino. São, entretanto, tão raros e esquálidos que fazem menos diferença que o aljôfar nos olhos de uma dama em um mundo de insensíveis.
O equilíbrio, não obstante, ainda se encontra com o surgimento de novos homens. Uma casta nem superior, nem inferior, apenas diferente. A nova categoria de homens não se domina pelo amor ou pela loucura. São indomáveis. Não são atores da peça que se encena em um universo repetitivo. São observadores. Sem poder para impedir o desastre da guerra entre o amor e a loucura, essa casta se reserva a prevê o que virá. São observadores implacáveis e mais ainda são contadores daquilo que observam. Essa nova geração que se desprendeu da polarização inútil e inglória se denomina escritores...


Josué da Silva Brito 

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A maturidade

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Antes mesmo de abriste os olhos,
Quando tu eras ainda filha do ventre
E no ventre se encontrava a carne
E éreis tu e ele as verdades, mesmo
Quando os olhos não te pertenciam
E tudo que tivesse visto fosse nada
Mais que turgidez...

No dia em que vieste do pó e
Tu se fizeste ser do nada... Lá
Estava aguardando languido na
Clepsidra, como se um dia o tempo
Passasse.

O amor, que te toca hoje a face
E se entranha no teu próprio
Ventre e te conhece cada aleivosia
E entrega ao mar cada um de teus
Pecados, esperava-te e já existia
Como se teu âmago fosse feito
Para amar.

O coração que te não pertencia
Na primavera primeira despertava
Então ao fulgurante pálio do dia 
E dissesse pela vez única o que
Acreditava ser amor.

Todavia, o sentir te assistia antes
Mesmo de tu desprenderes o sorrir
Na vida fora das vísceras... cultivava-te
Feito videira para que quando viesse ao
Solo a flor da figueira já tivesse fecundo
O teu coração.

Acompanhar-te-á a essa e velará o
Corpo para que se diga eterno. E levará
Consigo a alma do fiel amante, como
Pombas vós partireis a evo na mesma
Quimera que criara o amor.

Poeta Josué Brito 

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A desilusão dos amores


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Falta-me desespero para as lágrimas do amor,
Para as estrelas que te prometi no leito
Em quanto nos perdíamos na ilusão
Que achávamos eterna, mas foi o vento...
Foi relento... se perdeu, se perdeu em nó...
Se esfriou feito saudade. Morreu por
Falta de zelo...

Falta fogo nas palmas, falta canção ao peito,
Parece mortalha... tarda sentimento. O que
Restou foi estória, foi poesia muda, foram
Escravos ainda aprisionados na ilusão
Guardada na lua...

E nós vamos caminhando na nossa falta
Que chamamos de destino, traçando a
Ausência como se fosse sempre nossa
Verdade, mas afinal é, foi o desamor
Que nossos próprios corpos
Construíram.

Falta tempo e versos... nosso amor se findou,
Findou o tempo para o céu azul com as lágrimas
Que lhe pertencera com as palmas que
O sentimento lhe dedicava... Vai o corpo
Em sua essa, com a vida perdida em si,
Com o caminho descoberto entre as faltas...
Com o coração que não lhe pertenceu
E sem amada que ainda lhe estava por vir.

Josué Brito

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Haverá o tempo do amor



























Há de ser um dia... o ser menos
Escravo. Os ponteiros que formam as
Mãos, que afagam, poderão ser
Eternos e os beijos que aquecem a alma
Ganharão a eviterna lembrança.

Paralisados olhos apaixonados serão
Abraços que navegam o corpo e
Os toques ígneos serão verdades
Não serão apenas passagem de uma
Poesia que já se fez.

A compassada e perdida vida, que
Segue sempre os mesmos rios e que
Se perde sempre nas mesmas vilas,
Há de se arrevesar... aprender de novo
O que nunca aprendeu sobre amor.

O tempo há de se pausar... a pausa
Profunda para dois... Segundos hão
De durar o tempo que só tem
O tempo que é do amor.


Josué Brito 

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Memento Mori

                 Sempre que resolvo escrever uma crônica, penso duas vezes antes de fazê-la. Não gosto de exteriorizar minhas filosofias, não obstante, algumas crônicas não são escritas... elas simplesmente nos surgem. E hoje, foi um dia em que uma crônica simplesmente surgiu em minha vida. Uma situação comum e rotineira, que talvez eu viva várias vezes e outra incomum me fizeram ter reminiscências desta velha frase latina que meu superego sempre recita nos meus ouvidos, nunca me deixo esquecer do “Memento Mori”.
                Talvez, o querido leitor não se recorde das tradições da antiga Roma... para eles,  conto a pequena história desta frase. Toda vez que um general romano chegava de uma vitória ele era então convidada a passear na cidade das sete colinas sobre uma galé, neste momento tinha sobre sua cabeça depositada uma coroa de louro e então, durante o seu caminho, era agraciado com toda espécie de salva de elogios e palmas. No entanto, aquela civilização tinha uma preocupação importantíssima... Nunca um homem deveria se achar mais poderoso que outro, prepotente ou se esquecer de que na morte todos eram iguais, assim como em vida. Nomeava-se, então, um servo do vitorioso que ia junto a ele na galé dizendo a expressão “Memento Mori” – algumas literaturas trazem “Respice post te! Hominem te esse memento”-. Mas, afinal, o que diz a tradução da expressão? Ela diz de forma contextualizada “lembre-se que é humano, que irá morrer e que nunca será maior ou menor que ninguém, é acima de tudo... homem” – em tradução literal: Olhe para trás e recorda que é homem e morrerá”.
                Quando estava no ponto de ônibus aguardando chegou uma senhora perdida... dizendo não saber horários, apressada e por não mora na zona urbana, desconhecia completamente as rotas da cidade e precisava chegar a casa de sua irmã. Nesta situação tão comum quando se está em um ponto, me levou ao fenômeno da contratransferência – senti empatia e me senti como se aquela senhora fosse eu... Depois que a ajude, dei orientações básicas, subimos no transporte e então comecei a refletir... como todos nós somos seres humanos e como somos exatamente iguais nas diferenças e diferentes nas nossas igualdades.
                Viajei em minhas próprias utopias, recordando de um acidente automobilístico que avistei logo pela manhã e minha memória me levou até a expressão lembre-se que todos morrem... tentei trazer a boca a frase em latim, não veio, fiquei no “Quod Mortis”, nada a ver com o que queria, até que ad posteriori me veio “Memento Mori”... Esta frase que quando esquecemos a vida perde o sentido, tornamo-nos prepotente demais e humanos de menos.  

                Infelizmente, o que mais se ver na atualidade, são pessoas que não tem o “Memento Mori” em seus ouvidos. Por uma faculdade, por um carro, por dinheiro, por conhecimento, por diversas razões... acabam esquecendo-se que a imensurável grandiosidade que podemos ter é a humanidade, é a empatia... Os bons sentimentos e as boas ações superam tudo... Todos nós no findar morreremos e não seremos lembrados por carreiras, por dinheiro ou status – isso se limita a vida... “Memento Mori”. 

Josué da Silva Brito 

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Desapego



























São estes os dias em que vivo mais
Que meu tempo... A me perfumar
Pelas rosas que me perseguem, vou
Eu postergando o tempo da viagem...
Do encontro entre eu e minha alma.

Caminhos mal delineados pelas
Águas que deslocam pedras vão
Levando minha razão em enxurrada,
Vou me desencontrando mais e
A vida vai se tornando cela.

Os papéis que dantes registravam
Minha glória e minha miséria, hoje
Apenas embrulham os pães que vão
Aos pássaros que emprestam asas
Aos sonhos... fármaco para querelas.

O sol que antanho emprestava brilho
Para as noites de engano e ilusão
Profunda, agora ilumina os cismar
Solitário da cadeira que jaz vazia,
Assistindo os dias, vendo as mazelas.

Josué Brito 

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Tu tens a alma minha



























Minh’ alma é negra, tão negra
E tão vazia quanto pode ser uma alma...
Minh’ alma de si própria é tão vazia
Que de si mesma se sente sozinha.

Os murmúrios do meu coração são mudos,
Tão mudos e tão surdos quanto são
Os sussurros, nada pode fazer som a
Alma, visto que a alma é negra e sozinha.

Vão passando os dias e almas tão quanto
Vazias, tão vazias quanto a minha ou
Mais vazias... nada fica, só marcas sozinhas.

Mas por um instante minha alma se
Sente cheia, feliz e menos fria, é quando
Vejo teus olhos, neste momento minha
Alma sorrir com dentes e fica enternecida,
Não é mais uma alma sozinha.

Minh’ alma é tão transparente, tão transparente
E completa, quando tens tua alma próxima
Da minha, que minha alma grita, faz
Festas e alegoria... não é minh’ alma
Uma pobre de uma alma sozinha. 

Josué Brito 

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Sufusão
























Insistes à vida, não entendes que o
Esquecimento que me darias seria dádiva...
Recorre sempre à fuga quando tu encontras lápides,
Não deixas nada ao meu corpo, nem mesmo
As coisas, que dizem os loucos, que são
Inalienáveis, me roubas... Levas o respiro
Descompassado e o respingo do suor frio.

Tiras minhas lágrimas, o sufoco dos dias
Esquecidos, mas me deixas as pobres almas
Que gritam em meus ouvidos, que me lembram
Que já é tarde, porém parece que o sol
Nunca dantes houvera vindo.

Cantas suave e com pouco vigor, não
Obstante perene. Não deixas estancar
O sangue, amarras-me com teu pranto,
Com o seu canto que gosto, fazes-me escravo,
Doente da minha própria dor.

E assim vão indo os momentos, todos
São escravos, eu temo, quem não seria,
Tu insistes à vida, mas o que me deixas
É a morte, o dom secreto de toda flor.


Josué Brito 

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Amor vassalo





















Tão calmos e tão serenos os dias ao seu lado.
Dias que estrelados se condessam sobre o
Céu que é seus olhos. Nada como pausar
A vida e ver todas as marés controladas
Pelas suas palavras mais sutis.

E ver a graça do enevoar que é seu sorriso
E do envenenar que é suas graças... Pelo
Seu beijo vale o mais crítico suplicio, pelos
Seus abraços, os mais infames pecados.

Cantar em seus ouvidos, tão límpidos e
Sacros, os poemas que são hereges, próximos
A você, mas como não se render aos seus
Encantos tantos, se encantar já faz parte
De seu augusto ser.

E vão se passando os dilúculos e plenilúnios
E sua lua se torna crescente. Cresce, então,
O ímpeto varonil de bradar em sua janela
E dizer do meu pobre amor servil... mas tu

Não existe, é anjo simplesmente. 

Josué Brito 

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Sol poente


Le Baiser - Picasso





















Quando chegares, se é que virás,
Amor... Chega antes da primavera...
Esvaia um pouco da tua graça com
O ébrio perfume das rosas.

E encante não tão somente os olhos,
Encante cada praça, encante cada ser
Que te ouvir, encante cada descrente
Que te reza.

Seja a flor mais linda da estação.
Vem no inverno, quiçá, para que
Faças mais, para que degeles o último
Frio do impávido peito.

Demora bastante, vem e estabelece morada,
Fica enquanto houver motivos, e quando
Não mais existirem, criaremos mais
Para que tu possas amar eternamente.

Josué Brito 


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Amor ao sorriso primeiro




















Palpita divinamente ao sorriso incendiário
Da tua boca, o coração que cai de amores
Pelos olhos teus.

Como não mirar as caravelas que tens enjauladas
Dentro das tuas pupilas
Feitas de meles
Das abelhas que pertenceram a um deus?

Tu tens único e serene o olhar mais lindo
Que o sol perdeu... Olhas como se o mundo
Te pertencesse, mas afinal, ele te pertence,
O mundo e o coração meu.

Dia sem ti é uma noite sombria,
Como viver placidamente depois de um
Dia ser irradiado pelo olhar teu...

Vou procurar eternamente pelo sorriso teu,
Pelos olhos que tens na boca e pela
Boca que tens no olhar.

Já podes se considerar dona de um poeta
Arredio... duvido que algum pobre trovador
Conseguiu fugir de teu feliz mirar,
o serei o primeiro... Oh! Como já
Caio de poemas pelo sorriso teu!


Josué Brito 

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De chuva, de amor (Atrás dos muros)

Quão bom ver de tão próximo a tua face
E deleitar de teus toques arredios, experimentar
Da tua boca e da tua carne sem nem mesmo
Figurar na tua austera presença...

Tão bom te amar de milhares de metros e me
Perder nos muros que nem a chuva pode
Ultrapassar... Gritar de cima de incompreensíveis
Lajes e dizer verdades sem nem mesmo perceber.

Mirar a miragem que se chama dia e ver
Apenas pássaros que não tem medo da chuva...
Encarar teus olhares como se cada estrela
Do céu, que ainda está claro e azulado,
Fosse uma pupila tua.

Pegar na terra que germina com a doce
Garoa e sentir como se fosse intimidade
Que cada fino solo de areia pura fosse um
Grão da beleza que só tu podes ter.

Sentir que os mares, tão medonhos e tão
Grandiosos, fosse uma extensão até agora
Não assimilada da tua benevolência e da
Tua simplicidade.

E olhar para dentro e ver uma alma tão cheia
De vida, como se fosse feita a alma minha
De sonhos... tudo tão vivo e tão feliz... quão bom
O amor da ilusão tenra ou a tenra ilusão do
Amor recluso entre tantos portais.

Bom gritar sozinho e não ser por ti ouvido, talvez
O grito perto de ti tivesse o som de um suspiro
Ou nem fizesse barulho algum... chove lá fora,
Não ouvirias nada, nem um susto sequer.

A chuva bagunça teu rosto e mistura tuas cores
Tantas, teus cabelos de estátua grega maravilhosamente
Se tornam cascata... Não escutaria, chove muito lá fora...
Ah a chuva nova para um novo amor. 

Josué Brito 

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Eufônica amada
















Qual seria o tamanho da lua
Se nos teus olhos ela parece tão palpável...
Qual o canto dos doces passarinhos
Se oiço eu dos teus lábios todos
Os cânticos que fazem bem aos
Moucos ouvidos.

A distância do sonho seria
Um instante de ilusão errada...
Qual miragem te domina para
Que ignores as paixões tantas
E tristemente equivocadas.

Do paraíso a casa de Hades
Apenas o inebriar de teus sorrisos
Enclausurados... de tua graça
O vinho negado, negas abrigo
Aos sonhos apaixonados.

E ouves o fino e quase emudecido
Brado sereno... qual seria o tamanho
Do teu desprezo, oh dama... do tamanho
Da lua que prendes em teu olhar ou
Do tamanho do amor que tens,
No teu peito, guardado...


Josué Brito

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Desafio Janeiro 2016 - Branco é o esquecimento - Josué Brito

Brancas são as rosas que não te dei...
São os sonhos que plantei para ti,
Mas tu não quiseres alimentar meu amor...
São negros os teus olhos, é negra
A sua ingratidão.

Branco é o esquecimento que velo
Dentro de mim... é a vontade de apagar
Teu rosto... mas tua rosicler face, que
Um dia chamei de escultura... é
A neve que tende a me perseguir...

Branco é o desmazelo da noite,
É o que não tenho... os teus
Beijos avermelhados... Branco é tudo,
Branco é a neve que tu fizeste
Cair em mim.

Josué Brito 

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Poema do amor talvez




















Amo-te talvez,
Mas amo-te tão incerto
Que chego a ter certeza...

Mas por que dizer que te amo
Talvez?
Porque se fosse certo não era o
Bastante... preciso te amar talvez
Para te amar mais.

Amores certos fazem alarde,
Gritam em excesso, planejam
Demais... amores certos são
Barulhentos... para te amar
Eis o silêncio.

Amando-te vislumbrando
Distante... Amo-te mais...
Mas amo talvez.

Amores certos são burros,
Procuram homizio demais,
Doam-se quando não se precisa....
Amores incertos vivem mais,
São melhores do coração...
Não se machuca, pois são
Talvez.

Mas se um dia disseres que
Sentes também
Um amor, talvez...
Será certo,
Pois te amo mais que talvez. 

Josué Brito 

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Ao apagar das luzes de Montevideo

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Não sei quais luzes a levam...  Seja o vento
Ou seja a noite... talvez pene de  despreparo...
Talvez pene por ter asas demais e liberdade
Que ainda duvida... que ainda ausente.

Ou o tempo... ou  a cegueira... Quem nunca
Ouviu o último tango de Gardel? Talvez
A voz partiu, talvez os ouvidos se tornaram
Moucos... ai Montevideo...

Mas de tanta luz... talvez algum dia padeça
A escuridão... talvez algum dia os poemas
Sejam doces ilusões para sanar os pobres
Corações daqueles que viveram o amor...

Ai Montevideo... ai que pernas a levam
Que só são capazes de levar para lugar
Nenhum... para onde as luzes da velha
Cidade... não podem jamais a iluminar...

Mas Montevideo... de meu velho Uruguay...
Dançaremos um dia enfim os velhos boleros
Das antigas capitais... As luzes das janelas...
A cantiga das flores... as doces serestas...

Um dia a última flor do lácio só terá poemas
Belos, não mais cantará com viola e num
Bordel... os dilemas que o próprio Gardel
Não mais quis cantar... Ah, Montevideo...

Josué Brito


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Emaranhados de amor


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Somam-se os sonhos...
Somam-se as vidas,
Mas não se compartilham os braços...
Há de pensar os poetas moços...
A vida afinal é uma eternal subtração...
De surdos por moucos...

Se olho em teus olhos
Não te vejo humana, 
Vejo-te deia e por um instante
Entrego-me... mas desisto,
Afinal nada há no universo
Se não uma eterna destruição
De fantasias e utopias...

De tanto caminhar errado,
Ainda não caminho certo...
Aprender, talvez, é tudo que não
Se deve... Não se deve viver de vidas
Comedidas, visto que sem amor
Não há sequer um instante
De doce rebeldia.

Quem sabe um dia
Eu te encontre em versos menores...
Em uma poesia com menos lágrimas
E com rancores obliterados... Nesse dia
Caminharemos a pé, os caminhos que só
Valem a pena quando se caminha errado. 


Josué da Silva Brito 

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