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Eu rio
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Poema,
R. H. Andrade
Eu rio.
Eu rio de medos
Eu rio de defeitos
Eu rio de palavras.
Eu rio de minhas amarras.
Quem sabe um dia
Eu seja um oceano.
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Chave do Passado - Cap.2
Cap. 2 – As mortes
A
primeira baforada sempre é a melhor. O ar quente entra em seu peito e você se
distancia do mundo por um instante. Quanto maior o tempo de abstinência, maior
o prazer ao sacia-lo.
Bruno abriu uma das janelas do
quarto da kitnet para fumar mais um dos seus cigarros, 30 minutos já eram o suficientes
para ele sentir aquele prazer que só o
vicio poderia trazê-lo. Enquanto Carlos examinava o pulso da jovem que acabará
de morrer, Bruno examinava o cigarro queimar em suas mãos e soltar aquela
fumaça cinza e maldita.
- Cicatrizes no pulso esquerdo e pescoço.
- Uma suicida. - Pontuou o velho policial
tragando mais forte o cigarro. A terceira baforada é sempre uma merda, todo êxtase
da abstinência desaparece nas duas primeiras tragadas, se a primeira é comparável
ao topor do sexo, a segunda é o pós sexo. Aquele momento em que você ainda
sente os espasmos musculares. Mas a terceira...
era uma merda. Pura e simples.
- São lesões de hesitação. Tem
certo tempo, uma ex-suicida. – continuou Carlos – tem algumas equimoses no abdômen
e cicatrizes nas costas.
“Urrr”
Bruno fez um ranho com a
garganta, tentando recuperar saliva. Se perguntou como entrou nesse vício e deu
seu ultimo trago enquanto seus olhos faziam o percurso da rua, chegando até a
viatura, o grupo de curiosos, as grades verdes e a entrada do prédio cinza.
Carlos se
levantou e observou o corpo da garota jogado ao chão. Ela tinha uma pele
branca, e olhos claros, desses capazes de hipnotizar se você olhar de mais. Ela
estava jogada de bruços com a bochecha rosada colada ao chão frio. Seus cabelos
estavam jogados para trás da nuca. A pele branca já possuía a frieza do Algor
Mortis e era ainda mais branca com o Pallor mortis. São as fases da morte,
dentro de algumas horas o corpo da pobre menina tornar-se-ia rígido e ela mais
pareceria uma boneca do que uma pessoa, mas o Rigor Mortis, nunca seria tão
cruel quanto o Livor Mortis, manchas vermelhas de sangue acumuladas na pele. E ai... depois de todas as fases da morte... como um fruto que caiu da arvore, o corpo apodrece.
Bruno pós se de
lado de Carlos e com uma tosse seca perguntou o que achava.
- Que se você
não parar de fumar, vai morrer. -
respondeu sem retirar os olhos do corpo da garota.
- Todos morrem,
Carlos, pela velhice, pelo cigarro – o policial apontou para cabeça da jovem,
mas precisamente para o buraco no canto da testa – ou por um tiro na cabeça.
A resposta de Carlos
foi apenas um profundo inspirar.
- Ela pelo
menos morreu feliz. – continuou o velho enquanto se retirava do quarto. – a julgar
pelo meio sorriso.
O estranho e tímido
sorriso chamou atenção de Carlos. Ele se agachou, quase encostou seu nariz na
bochecha gelada da garota e seus olhos acompanharam o olhar dela, pelo braço
estendido, a mão rosada até para de baixo da cama, onde um pequeno livro roxo
se encontrava.
-------
Nota de quem escreve: Tentei não aprofundar muito na Traumatologia e Tanatologia (ramos da medicina legal que estudam, respectivamente, os traumas e as fases da morte) sem deixar que os policiais parecessem pouco técnicos com seu ramo. Apesar disso, não sei dizer se consegui ser claro ou muito bobo. De qualquer forma, Algor, Pallor, Rigor e Livor são características que o corpo vai apresentando com o tempo após a morte.
Algor é a frieza do corpo pela falta de circulação sanguínea.
Pallor é a palidez do corpo que, como Algor, acontece poucos minutos após a morte.
Após, mais ou menos 3 horas os músculos tornam-se rígidos, é o Rigor Mortis
Por fim, temos o Livor, manchas vermelhas provocadas pelo acumulo de sangue conforme a posição do corpo.
Lesão de hesitação são lesões tipicas de tentativas de suicídios, mas de corte no pulso e pescoço.
Equimose é uma mancha de sangue causada por um impacto, ex: soco, e que varia de cor conforme o tempo do trauma.
Espero que tenham gostado, abraços e até a próxima quinzena o/.
Espero que tenham gostado, abraços e até a próxima quinzena o/.
Uma chave do passado - Cap1
Prólogo – Refúgio
Um
soluço, quase inaudível, cortou o silêncio do quarto escuro. Era o soluço de
uma jovem de vinte e tantos anos, quase que desnuda, com uma fina lingerie
preta, sentada no chão frio, no único canto em que a luz da lua conseguia
alcançar através da janela.
Suas lagrimas
eram evidenciadas pelo caminho que a tinta do lápis de olho fez em seu
rosto. Sua boca esbranquiçada e seca era
constantemente mordida. Bastava olhar para porta que ficava a sua frente. Um
sobretudo ensanguentando jogado no chão impedia que a luz que saia pela fresta
da porta chegasse com amplitude aos olhos chorosos da garota.
Ela tentou afastar da sua cabeça as cenas que
presenciou, tentou afastar a dor que sentia. Mas uma dor mais forte que
qualquer pele dilacerada preencheu seu peito mais uma vez, sufocando-a, e
somente um sorriso, preso na memória, foi capaz fazer o ar voltar aos seus
pulmões.
Engatinhou até
o sobretudo e pegou embaixo dele um livro roxo, estava manchado pelo sangue em
algumas paginas e suas mãos tremulas quase não tinham forças para levanta-lo,
então o arrastou até onde estava.
Ficou
novamente sentada no chão frio, com as costas na parede branca, ainda mais fria.
Abriu o livro, e suas lagrimas caíram em uma das paginas. Seu soluço pareceu
mais alto nesse momento. E aumentou mais ainda ao ler as primeiras frases:“21 de maio. Querido diário, Jéssica está feliz...”
Desistiu de
ler, mas se arrependeu e tentou voltar a ler.
TUNC.
Um enorme
murro na porta retirou qualquer possibilidade de ler naquele momento. Evelyn se
levantou como se todas as forças voltassem para seu corpo, apertou contra seu
peito o diário que possuía.
A respiração
estava ofegante.
TUNC!
A porta tomou
outro murro.
Os olhos de
Evelyn procuraram um esconderijo pelo quarto escuro.
Qualquer um.
TUNC!!
E a maçaneta
da porta envergou.
E finalmente,
seus olhos encontraram seu refúgio.
TUNC!
E a porta se
abriu em um sonoro solavanco.
Cap 1 – Clichê, onde tudo começa.
A luz azul do
giroscópio bateu nas paredes e muros pichados das casas na cidade, iluminando
mais que a pouca iluminação âmbar dos ínfimos postes que vez ou outra
surgiam entre os becos, ruas e ruelas. O
bairro era antigo, com ruas de paralelepípedo desgastado pela ação do tempo. As
casas, em geral, tinham mais sorte, apesar de sua arquitetura colonial. Algumas
vezes dava pra se ver um prédio, ainda que antigo, com cores mais vivas do que
o cinza mórbido que as cidades insistiam em apresentar.
A
viatura policial parou em frente a um prédio de cor desbotada e amarronzada,
tinha três andares, com vidros de pouco mais que meio metro, distribuídos em intervalos
um pouco maiores. Na frente das grades
verdes que circulavam o prédio, uma arvore isolada estendia-se até o primeiro
andar do prédio. Era um alfineiro, com
flores brancas que balançavam com o vento, em uma dança de resistência
descompassada.
Carlos
desceu da viatura, olhou o relógio de pulso, marcava 4:30am. O céu já começava
a apresentar um tom mais claro do que o azul negro da noite.
Apesar do horário, ainda haviam pessoas na rua,
e as pessoas são curiosas por natureza,
bastava que algo saísse da normalidade para que um aglomerado de pessoas
aparecesse para entender o que estava acontecendo. E uma cena de homicídio,
ainda que surgisse de tempos em tempos, nos mais diversos lugares, nunca seria
algo normal.
Pelo
menos, não para todos.
Carlos
ajeitou a manga do blazer de camurça, enquanto Bruno, seu irmão de profissão,
aproximou-se acendendo um Lucky Striker. Sempre um Lucky Striker.
Bruno
já tinha quase meio século de vida, e boa parte dele foi vivendo em clichês
policiais de suspense e horror. De tanto presenciar as cenas mais escrotas e
hediondas possíveis, tornou-se apático. Essa apatia, inclusive era explicita na
forma de se portar e vestir. Nesse dia em especial, uma golo polo preta gasta
que mal escondia sua pistola Glock G22 presa a cintura, e uma jeans azul
surrada. Um conjunto harmônico com um cabelo branco desgrenhado e uma barba por
fazer.
Carlos,
por outro lado, tinha seus trinta e poucos anos, e ainda dedicava boa parte de
sua atenção a roupas elegantes e finas. Uma camisa social preta e um blazer
marrom de camurça que escondia um revolver prata, no coldre axilar. Os cabelos negros cortados a maquina, bem
curtos e um olhar serrado. Talvez, alem da profissão, o que mais se assemelhava a Bruno era a barba por fazer.
Ambos
ficaram lado a lado, não trocaram uma única palavra. Eles já viram um par de
cenas igual a essa. Eles viviam esses clichês policiais cotidianamente. E essa
noite seria mais uma dentre tantas outras noites normais.
Uma
rápida olhada no prédio.
E
caminharam para o prédio. Para mais uma cena anormalmente normal.
Samurai
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Poema,
R. H. Andrade
Samurai
Acorda bem cedo, assim que raia o dia.
Oh, samurai.
Não se deixe esmorecer, sublime ser.
Sua alma cresce, transcende, passa dos Montes de Sinai³.
E poderão até dizer que o ardor da dor é sua companheira.
Mas o que é a correnteza para cachoeira?
Dificuldades vão e vêm, mas elas não te detêm.
Sua alma cresce, transcende, passa
dos Montes de Sinai.
² - A imagem é do manga Lobo Solitário, que conta a historia de um samurai que acaba sozinho com seu filho, vivendo uma vida errante se desdobrando em ensinar sobre a vida a seu filho ao mesmo tempo que tenta sobreviver.
³- Montes de Sinai é bíblico, e é dito ser onde o paraíso e a terra se encontram, pois foi onde moisés recebeu as 12 tábuas.
Liz e o Mito da Prosopopeia.
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Conto,
R. H. Andrade
Liz era uma garota diferente, mirrada e franzina, possuía cabelos
acastanhados, quase que vermelho claro, talvez dai sua mãe quis dar lhe o nome
de flor. Seus olhos eram sua marca registrada, olhos
felinos, puxados e angulosos. A cor dos olhos tinha mais fases que a própria lua,
ora verde, ora castanho claro, ora ambos, diziam ser da cor do mel, outras vezes de amêndoa.
Mas não era só de aparências que vivia Liz.
Liz sempre teve atitude. Brincava de boneca, mas preferia jogar bola e handebol. Aos 12 anos bateu o pé no chão, esperneou e fez cara feia até entrar na aula de Karate, e depois saxofone, e depois trompete! Sempre teve um brilho no olhar e uma alegria, isso até os 15 anos, quando as línguas felinas, afiadas como navalha, diziam que gostava mais de meninas que de meninos.
Mas, bonita como era, se envolveu com um menino da rua de baixo. Por pouco tempo. Um pouquinho... Só o tempo de saber o que era amor e o significado da dor, sem cortes e sem sangue.
Se isolou.
Sumiu o sorriso.
Sumiu o brilho nos olhos.
Só os encontrava ao som do Sax.
De noite, quando passavam por sua janela, se ouvia o som desse Saxofone. E ai, quando o Dó encontrava Lá, diziam que dava pra ver as árvores dançar, a lua procurar o mar para namorar e até sol aparecer de fininho para olhar. Que dava pra sentir o vento a bailar e a chuva cantar.
E há quem diga, que se você sentar no solado, da pra pra ouvir Liz conversar com o som e brincar de pique pega com a melodia.
Mas enquanto as coisas tornavam-se pessoas, lá do outro lado da janela, onde o som emanava... . A flor de lis florescia.
E esse, senhores, é o Mito da Prosopopeia.
Um conto de "al"
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Conto,
R. H. Andrade
Estava na sala, perto da lareira, lendo meu gibi,
quando Valéria, eufórica como ela é, entrou na sala e disse:
Largue esse protótipo de Jornal!
Vou te levar para comer num restaurante sem igual.
Ri da rima e fui nesse tal lugar.
O lugar era todo decorado com jornal matinal, uma decoração
até que legal,
para esse tal Restaurante do Percival.
A comida estava sem sal, mas o gosto era sensacional.
Tinha até uma banda Instrumental, que tocava enquanto os
garçons faziam sua atividade laboral.
Entre o som da flauta angelical e o arranjo visceral,
perguntei ao maitre pelo Percival.
O maitre respondeu que estava na mesa ao lado conversando
com um outro casal.
Após um lapso temporal, veio Percival.
Pergunte-o sem rodeios, qual o segredo daquele
sabor tão especial?
Com um sorriso, ele falou:
“Toda comida tem um tempero especial: retiramos todo mal.
Mas infelizmente, tem um efeito colateral... para compensar, toda frase termina
com al”.
Lisboa
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Poema,
R. H. Andrade
Hoje vou me dedicar a coisas boas,
Pegar o violão e cantar o dia.
Pegar uma canoa e
remar pela melodia.
Quem sabe não chego a Lisboa?
O lobo e o silêncio
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Conto,
R. H. Andrade
Deus sabe que
nunca fui um homem muito religioso, jamais me deixei seguir por doutrinas ou
dogmas surgidos em algum ponto obscuro da historia humana. Não há nada que a ciência não possa
explicar. Mas não posso negar, que
quando criança tinha certo fascínio pelo mistério, pelos contos e relatos desses
mundos míticos e místicos.
Mas com o
tempo cresci, e deixei de olhar para esse tal mundo. Minha única doutrina era: Não há nada que a ciência
não possa explicar. E o que ela não explica, um dia explicará.
Bem, pelo
menos, assim acreditei, até ouvir o som do silêncio.
Era novembro
de 1870, havia perdido meu tio, a última geração de minha família antes de
mim. Ele morava em um lugarzinho perdido
entre as Rochosas, uma terra tão fria quanto bela. Perdi a conta de quantas
vezes fui para aquele lugar. E quantas vezes, meu pai, eu e meu tio saímos para
caçar. Sempre antes do inverno. Meu tio
dizia que o inverno era dos lobos. Somente eles poderiam caçar.
Engraçado como nos lembramos dessas historias
quando perdemos alguém. Elas parecem surgir apenas para fazer você viver mais
uma vez com aquela pessoa que se foi. E
foi assim que me encontrei olhando para lareira na cabana do meu tio, lembrando-se
dos meus 15 anos, em uma das caçadas, quando avistamos um cervo ferido entre as
pedras.
Lembro como se
fosse ontem, estávamos perto da nascente dourada, o terreno era irregular,
devido ao rio YellowStone, e a falta de árvores na clareira. Possivelmente o pobre animal tinha pisado em falso e
caído bem ali, naquele ponto. Eu iria atirar, já tinha feito à mira, quando meu
tio afastou o cano da arma e disse para deixarmos o animal viver.
Já havíamos matado
outros antes, porque não aquele? Meu tio
olhou para mim e disse para ver mais do que com os olhos, ouvir o silencio. O cervo era fêmea, e estava prenha. Tinha mais
a oferecer ao mundo do que sua carne.
Achei
engraçado, questionei se sobreviveria com o inverno chegando e com a pata
quebrada e recebi como resposta um sermão. Ele explicou que saber escolher a presa
era à piedade do caçador, e sua maior virtude.
Aquele animal não era a nossa presa, e não cabia a nós escolher se
viveria o morreria.
Retiramos a
pedra que prendia o animal e continuamos nossa caçada pelas arvores.
Não sei bem
como, mas aquela historia me deu vontade de sair para uma ultima caçada, mesmo
de noite, e com o inverno a porta.
Peguei minha antiga espingarda e sai pela tundra, querendo rever aqueles
lugares que marcaram minha infância.
Vaguei pelas
trilhas até encontrar a nascente dourada. Queria ver o sol nascer, a nascente
virava ouro puro com o toque dos primeiros raios do sol. Por isso era chamada de nascente dourada. Quando
a vi dei um belo sorriso, como uma criança de 15 anos, e fui subir os rochedos.
Mas meu sorriso poderia ser de uma criança de 15 anos, meu corpo não.
Cai.
O terreno era
irregular próximo a nascente do rio YellowStone.
Gritei de dor
e senti o calor em meu tornozelo com as
pedras que caíram por cima dele. Forcei a pedra pra cima, rezando para
não ter quebrado ou torcido. Foi quando ouvi pela primeira vez o silencio.
A lua brilhava no céu noturno, e o vento, frio como aço, cortava a floresta até minha direção. E ai o vi.
Eram olhos azuis, tão quanto uma pedra de lapis lazuli. Eram os olhos do lobo.
Ele estava no limite entra as arvores e a clareira. Dei um tímido sorriso e o lobo inclinou a cabeça para baixo, com os olhos fixos em mim. Achei que logo depois seria atacado por toda matilha, os caçadores do inverno nunca caçavam sozinhos.
Fiquei ali, em comunhão com meu medo, a natureza e minha recente ligação com a religião. Não sei se foram segundos, minutos ou horas, o medo faz com que perquemos a noção do tempo. Só lembro quando os primeiros raios de sol surgiram, iluminando as águas do rio até a nascente dourada.
O lobo olhou para o nascer do sol, e eu o acompanhei. Vi ouro liquido escorrer pelas pedras até a cascata e seguir até o horizonte, onde o sol nascia. Olhei de volta para o lobo, e ele voltou a me olhar antes de dar as costas. Era a piedade do caçador.
Só então percebi que era um lobo solitário. Bruto ou sobrevivente, mas era um lobo solitário. Não sei o que o silêncio disse a ele. E até hoje, quando lembro, me pergunto se o lobo apenas foi até a nascente para beber um pouco de água e tudo não passou de uma absurda coincidência. Mas então lembro do silêncio e o que ele me disse. O lobo só queria ver o nascer do sol como eu, estava sozinho como eu.
Coincidência ou não, a ciência não explica.
Coincidência ou não, a ciência não explica.
Sol
Labels:
Desenhos,
R. H. Andrade
Ando um pouco sem
inspiração com as palavras.
Então to deixando
aqui um desenho que fiz um tempo atrás.
Felina 2
Labels:
Poema,
R. H. Andrade
Hoje acordei com os olhos dela
bem atentos me seguindo,
Com seus olhos de felino.
Ela engatinhou pelos lençóis,
me seduzindo.
Estranhei e perguntei.
E ela respondeu rindo:
Você é minha bola de linho.
Avenue
Avenue
Ela é o sol de Avenue.
Ela é os ventos frios de Avenue.
E o outono se fez.
Fez inverno em meu coração.
Ela se foi, deixando como resposta a solidão.
E como epitáfio essa canção.
Porque ela é o verão.
Em volta dela, primavera.
Que faz crescer, fez crescer.
Florescer a hera.
A era que não chega.
Porque o Outono se fez.
Fez inverno em meu coração.
Ela se foi, deixando como resposta a solidão.
E como epitáfio essa canção.
Até que um dia o frio passe.
E tenhamos a mesma lapide,
E como epitáfio essa canção.
Dizendo: Juntos então.
P.S: Como já devem ter percebido, é uma musica. Tentei colocar a parte da melodia, mas o acústico não ficou muito bom na gravação. Então vou deixar só com a imagem.
Felina
Labels:
Poema,
R. H. Andrade
Felina.
Esbelta, ela anda pelos corredores.
Ainda é engraçado, morrer de amores,
Por esses olhos puxados, menina.
Esses seus olhos de felina.
Olhos que devoram.
Quando a conheci,
Era uma gata branca e arredia,
Até triste, eu diria.
Mas me compadeceu o coração,
Quando ela miava,
E quando a conheci
Parecia uma canção
descobri ser um leão.
Porque ela luta todo dia
e de noite faz poesia.
É uma ternura.
E é engraçado, sempre achei que gatos fossem interesseiros, mas veja só, com essa felina, aprendi que não são os donos que escolhem os gatos, mas os gatos que escolhem seus donos. Pelo jeito, pelo sorriso.
Ainda que não possa ser seu dono, tigresa, jogue pra lá essa tristeza.
Quero que saiba, que o mais importante, é que você marcou minha vida.
Curvas
Labels:
Poema,
R. H. Andrade
Curvas
São duas linhas
esses ternos lábios
de tom rosado
linhas tão curvas
tão gostosos de se ver
beijar e morder
Mas se as linhas
desmanchar-se em mim vão
não sei, não sei não.
Pernas
Labels:
Poema,
R. H. Andrade
Pernas.
Deslizam pela minha cintura com ternura.
Enquanto te desvendo com bravura.
Elas têm um quê, essas silhuetas feitas pela luz da janela.
Não consigo deixar de pensar nelas.
Suas pernas.
Me agarram, me prendem,
sou delas.
Meus dedos deslizando por essas vielas.
Por essas pernas.
Pelas marcas que deixo.
Frutos do meu desejo.
Das coxas que agarro.
ao que se faz no quarto....
Ah... Como amo essas pernas.
E tudo com elas.
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