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Ilustrar o Poema Preferido da poetisa Marcilane Santos
Amar o perdido
deixa
confundido
este coração.
Nada pode o
olvido
contra o sem
sentido
apelo do Não.
As coisas
tangíveis
tornam-se
insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas
findas,
muito mais que
lindas,
essas
ficarão."
Carlos Drummond de Andrade
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Desafio - Ilustrar o Poema Preferido da Amiga Danka Maia
O poema preferido de Danka Maia, é "Fala-nos do amor" de Khalil Gibran.
O Amor
E alguém disse:
Fala-nos do Amor:
- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui
nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.
Desafio - Ilustrar o Poema Preferido do Amiga Maristela Ormond
![]() |
| Imagem: Cássia Torres O Poema preferido de nossa amiga Maristela Ormond é "Meus Oito Anos" de Casimiro de Abreu. |
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)
Desafio - Ilustrar o Poema Preferido do Amigo Claudio Castoriadis
Canção Amiga
Carlos Drummond de Andrade
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
Meu sentir para ti Claudio...
Desafio - Ilustrar o poema preferido da minha amiga Kizy Lee
Kizy, deixo aqui uma modesta ilustração para o poema que escolheu!
Gostaria de poder desenhar a verdadeira beleza da rosa de Sarom, mas não o sabendo, deixo estas pétalas! :)
![]() |
| Rosa da Saron, de Isa Lisboa para Kizy Lee |
Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as
filhas.
Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu
amado entre os filhos;desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento;e o
seu fruto é doce ao meu paladar.
Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim
era o amor.
Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque
desfaleço de amor.
A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua
mão direita me abrace.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas
do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
¶ Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando
sobre os montes, pulando sobre os outeiros.
O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis
que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas
grades.
O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa
minha, e vem.
Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a
voz da rola ouve-se em nossa terra.
A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor
exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
¶ Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto
das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é
doce, e a tua face graciosa.
Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às
vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu
rebanho entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado
meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de
Beter.
Cânticos 2:1-17
Desafio - Ilustrar o poema preferido da minha amiga Claudiane.
Quem sou eu?
Eu às vezes não entendo!
As pessoas têm um jeito
De falar de todo mundo
Que não deve ser direito.
Aí eu fico pensando
Que isso não está bem.
As pessoas são quem são,
Ou são o que elas têm?
Eu queria que comigo
Fosse tudo diferente.
Se alguém pensasse em mim,
Soubesse que eu sou gente.
Falasse do que eu penso,
Lembrasse do que eu falo,
Pensasse no que eu faço
Soubesse por que me calo!
Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!
Pedro Bandeira
*.*
Desafio ilustrar o poema preferido do poeta ( Carlos Moraes)
Ilustração: Claudiane Ferreira
Para
Elsa, pouco antes de partir
por
César Soriano Calvo
(Fragmentos)
(Fragmentos)
Porque
eu vivi no ar durante séculos
Como um buraco de trapézio
Como um buraco de trapézio
indo
e vindo do que eu fui
ao
que eu não serei
Porque
eu cruzo os dias como um punhal em face do qual foges,
como
lápis sem dono no papel em branco
Porque
eu não só escrevo estas linhas com minha vida
mas
com o suspiro de todos os fantasmas que me amaram
de
todos os fantasmas que morreram e renasceram
O
rosto voltado para uma desolação feroz,
enquanto
me acusam
Porque
com culpa escrevo eu, com o rumor lento de suas roupas
desabando
na obscuridade de Genebra, quando era ainda tempo,
e
os relógios ignoraram o perigo, as suas agulhas
gostam
do abraço de um naufrágio feliz
na
profundidade,
minha
boca procurando seu ventre no silêncio que
precede
aos incêndios.
e
os travesseiros úmidos e os olhos que eu não verei
nunca
girando
já nos espelhos e na noite infinita:
ajuda-me
a ficar quando eu me afasto
ajuda-me
a ficar quando eu me afasto
Em
todo o corpo que minhas mãos conduzem
à
chama,
em
todo o corpo que minhas mãos levam longe do banco,
serás
o contrário daquela vitória inútil,
o
único copo que não se despreza depois do vinho fúnebre.
Nada
pode aprisionar o vento se não a liberdade
Nada
além da liberdade poderia cercar-nos agora
e
fazer-te entender que eu estava só
porque
o desabrigo não cabia naquele quarto sórdido
que
tu insististe em chamar país, doze milhão rostos
colados
às paredes de uma Ordem a repudiar de desleixo
Porque
eu viajei através das colinas de França
e
vi a bandeira verde,
na
delicadeza desbocada de junho
vi
um menino distante e eternamente adormecido
debaixo
de um rio de sangue
E
atravessei Pont Neuf com os olhos voltados
à
origem nublada do vislumbre…
Os
dias passam pelo teu rosto como uma cicatriz escura
Ajuda-me
a desfazer-me desses fantasmas que eu amo e que eu
destruo
e
os meus dedos te sentem com a voracidade de um cego
à
noite
Tinha
esquecido da noite
e
tinha esquecido algo tão simples e verdadeiro
como
beber um copo de água, levantar-me na sombra
dos
quartos emprestados,
deixar
ainda correr o tempo entre sonhos
e
então acordar com a sede na garganta
tinha
esquecido que a vida também é feita
de
tudo estes ínfimos, esses heroicos acontecimentos
que
se completam
entre
um corpo nu e outro corpo nu,
entre
a cama do rio e o copo da boca
Tinha
esquecido de simplesmente escrever
como
quem bebe ou ama, sem que o Olimpo me suba à
cabeça
Tinha
esquecido que um poema se prepara com meticulosa
felicidade
como
um presente que já ninguém espera
e
é modelado com urgência
e
violência, com irrepetível,
com
ternura desesperada,
como
se faz amor uma mulher que morrerá amanhã
Tinha
esquecido que morrerás amanhã
Ajuda-me
a ser o caminhante que não pede nada
Tinha
esquecido que vou morrer amanhã
que
não pede nada se não um pouco de caminho…
mas
que eu não apercebo..
que
não cheiro a tua mão
tinha
esquecido
do
animal recluso que me habita…
…
ajuda-me a não esquecer-te
e
a pedra pesada que me arrasta até ao fundo
é
uma pompa de sabão, as asas de um doce castigo
Ajuda-me
a ser o caminhante que não pede nada
além
de um pouco de caminho,
Desafio - Ilustrar o poema preferido da talentosa amiga (Cássia Torres)
O poema preferido de Cássia Torres é "Circulo Vicioso"
![]() |
| Ilustração: Dulce Morais |
Círculo Vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?
Machado de Assis
Desafio - Ilustrar o poema preferido da poetisa (Dulce Morais)
O poema preferido de Dulce Morais é "Amigo" - do Alexandre O'Neill .
Amigo
Mal
nos conhecemos
Inaugurámos
a palavra «amigo».
«Amigo»
é um sorriso
De
boca em boca,
Um
olhar bem limpo,
Uma
casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um
coração pronto a pulsar
Na
nossa mão!
«Amigo»
(recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos
detritos?)
«Amigo»
é o contrário de inimigo!
«Amigo»
é o erro corrigido,
Não o
erro perseguido, explorado,
É a
verdade partilhada, praticada.
«Amigo»
é a solidão derrotada!
«Amigo»
é uma grande tarefa,
Um
trabalho sem fim,
Um
espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo»
vai ser, é já uma grande festa!
In 'No
Reino da Dinamarca'
Desafio – Ilustrar o poema preferido do (a) poeta(isa) ( Isa Lisboa)
Labels:
Desafio ilustração,
Isa Lisboa
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso tem em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, reconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, Nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Convido-os a lerem na íntegra em http://www.citador.pt/poemas/tabacaria-alvaro-de-camposbrbheteronimo-de-fernando-pessoa
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