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Esquecido


Assim é o tempo, cruel, indômito, impiedoso mesmo!

Antes eu era um Adônis, pele lisa, postura altiva, supremo...

Hoje estou perdendo os pelos, músculos flácidos, com granjas de galináceos circundando meus olhos, meio torto, meio estranho, um inteiro dissabor...

Do que me resta nada me sobra, a não serem as sobras ou quem sabe a sombra onde dormito, excluso que fui das graças da beleza.

Não fiz história nem de mim farão versos, vou ter de me contentar com o anonimato.

Não fabricaram ainda uma máquina do tempo ou fonte da juventude que preste, assim para mim não existe regresso, somente lembranças de quando os holofotes buscavam minha fronte.

Só resta dizer adeus, melhor rabiscar, por não ter a quem o dizer, e deixar de recado no mural do mercado com uma foto anexa, de quando eu ainda era o máximo. Quem sabe alguém se compadeça e me leve uma tigela de leite morno, para acalmar a minha pancinha* que não para de roncar.


Miau!







* Barriguinha

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IBM here we go!

Confiança é tudo!
Arrogância, nem tanto...
JGCosta

Clique na imagem para ver de onde ela veio!



Por anos ele almejou aquele emprego, ninguém o tiraria dele, ninguém, somente ele mesmo e foi o que aconteceu.
Preparou-se nas melhores universidades, tirando sempre as melhores notas. Na área de informática em pouco tempo seu nome era sempre o mais cotado para todas as vagas que surgiam nas principais empresas da Grande São Paulo, mas a IBM era o seu mais cobiçado sonho.
Fez pós, doutorado, cursos específicos, especializou-se em TI - Tecnologia da Informação, enfim, subiu degrau por degrau até que a chance finalmente surgiu.
Após ser indicado por um amigo que fazia carreira na empresa, só precisava passar pelos exames de praxe e já estava dentro.
Para comemorar a indicação, sua família fez uma semana inteira de festas diferentes em sua homenagem e ele, solteiro, aproveitou para todas as noites dar uma escapada com uma mulher diferente, afinal, era como se estivesse fazendo uma despedida de solteiro, pois iria literalmente se casar com a IBM, disso tinha certeza.
O grande dia chegou!
Fez todos os exames médicos, adiantou toda a entrega de documentos necessários, passou em todas as provas de pré-seleção e seleção com “os dois pés nas costas” - palavras dele, só faltava no dia seguinte passar pelo teste psicológico e nada mais o impediria de realizar seu sonho.
Na manhã deste exame estava confiante ao extremo, pois nas horas vagas um de seus passatempos prediletos era abusar de todos os tipos de testes que existiam, psicotécnicos, psicológicos, de Q.I., de qualquer área que abrangessem e sempre tinha uma nota próxima aos 100% de aproveitamento.
Havia na ante-sala cerca de cinco pessoas para passarem também pelo exame e antes de entrar ouviu dois homens falando entre si.
-- Não sei não, não vai ser fácil! Parece que este doutor aí é linha dura, muito detalhista, é fácil ele reprovar candidatos.
Ele não resistiu e soltou uma risada que chegou a assustar os demais e os desafiou.
-- Moleza! Querem que eu vá primeiro para dar mais confiança para vocês?
Ambos concordaram com a cabeça e lá foi ele entrando quando o psicólogo chamou “Próximo”, não se referindo a ninguém em particular.
Entrou na sala, fechou a porta, sentou-se na única cadeira disponível e ficou quieto, mudo, enquanto o psicólogo folhava uns papéis em sua frente, sem dar a mínima atenção para ele.
Ficaram por uns cinco minutos assim, mas nem por um segundo ele perdeu a confiança. Na verdade estava quase sorrindo.
O psicólogo, um senhor na casa dos 60 anos, levantou finalmente os olhos dos papéis que tanto folhava e lhe disse, enquanto olhava por cima de seu ombro:
-- Que falta de educação! Não vai fechar a porta?
Ele se virou rapidamente e deu de cara com a porta fechada. Tarde demais...
-- Reprovado! Próximo!

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AS CINCO LOUCAS por Danka Maia





Se houve um momento mágico depois de minha infância foi a minha adolescência.
 Nossa, foi perfeita, mágica e inesquecível!

Éramos um grupo formado de oito mocinhas piradinhas e gente boa toda vida. Inventamos até a OMPA (Organização de Mulheres Procurando Aquilo), porém o "aquilo" não tangia necessariamente num teor sexual, nós procurávamos nossos caminhos, risadas e aventuras,  foi uma dessas que escolhi para trazer para o Tubo Hoje.

 Cinco de nós voltava de uma andança na Praça Da Vila, em Saquarema, como digo: Meu Paraíso Particular. Já passava da meia noite e nada de ônibus passar, papai não fora nos buscar desta vez, ele era o nosso motorista particular, coitado!
Olhamos uma para cara da outra na esperança de que alguém tivesse uma ideia daquelas que nos salvaria a Pátria. Andreia resolveu ir mais uma vez saber do fiscal se não restava algum "buzão" perdido que passaria por ali inda que fosse para a garagem, que era no meio do percurso, ou seja, em Porto da Roça.O moço foi enfático:

_O último já foi mocinha. Sinto muito!

Foi quando de repente um senhor para num carro olha para mim e diz o nome do meu pai.Não era boba,sabia que pegar carona era algo terminantemente proibido,mas ele foi tão solicito.Pedi licença e fomos para um canto confabular.

_Não temos outra saída!- proferiu Ana a dona do sorriso mais empolgante que já conheci.

_Eu não estou a fim de andar daqui a Bacaxá a pé. Não mesmo!- colocou a Mel, Top Model entre nós, a danada sempre foi muito linda.

_Eu estou com medo!- Se pronunciou Liza, que  como de costume  tinha medo e pensava nas coisas mais insanas que  poderia nos acontecer.
Soltou a Lucinha:

_Pelo amor de Deus meninas! Somos quatro contra um, se ele se fizer de besta a gente comemos no cascudo!-acompanhada da sua famosa frase. - E além do mais estou apertada, precisando fazer um "xixizinho"!

Reunião feita, decisão tomada. Retornei ao moço que jazia no veículo não muito lá essas coisas e respondi:

_Aceitamos!

Adentramos com um belo:
  
_Boa noite, tudo bem tio?

  Na parte traseira ficaram Liza,Ana a Mel e Lucinha.E aí iniciou-se nossa aventura.O "tiozinho" era muito legal de verdade.No entanto,a Liza que  tinha pânico de tudo começou:

_É impressão minha ou tem um cheiro de gás nesse carro?
_Cala a boca, Liza!- sussurrou Ana rindo para descontrair o ambiente. Mas a Liza...
_Gente não estão sentindo? De onde está vindo esse cheiro de gás? Ainda por cima tão forte!
Virei-me e por mais careta que viesse não adiantava. Lembro que vi a hora da Lucinha literalmente fechar a boca da Liza na marra.
_Fica quieta estrupício!- balbuciou a Mel.

Foi quando a revelação bombástica adveio do motorista.

_Ah...Você deve estar falando é do bujão de gás que tirei da minha cozinha e coloquei aí atrás.

Todo mundo deu aquele sonoro:

_UFAAAAAAAAAA!!!!!!!

Quando o tio finalizou a narrativa. Sabe como é gasolina está num preço absurdo, então fiz uma "chupeta" no botijão de gás.

_Peraí!- berrei. - O carro está movendo a base do botijão  gás de cozinha da sua casa?- o pavor tomou-me os olhos.
_Está sim querida, mas não tem perigo não.

Para que!

O caos instaurou-se:
_Para o carro que vou descer!- gritou a Liza segurada aos trancos pela Mel e a Ana.
_Moço para esse automóvel de uma vez por todas que eu quero fazer xixi !- arrumou a Lucinha.
_Calma meninas!- pediu sereno.
_Calma? Sou muito nova para morrer!- Perdeu o juízo a Ana. - E eu ainda nem beijei "meu preto", Alexandre Pires do Só Para Contrariar, para moço, para logo!
A confusão foi tanta que quando demos por nós, estávamos parando próximo a padaria  Marocas,bem conhecida na cidade.
Saímos do veiculo intoxicada. Liza  a ter seus ataques, a Ana a morrer de rir junto comigo, a Mel ganhando "fiu-fiu" da galera da padaria e Lucinha feito louca:
_Preciso de um banheiro tipo para ontem! Agora é questão de honra!TENHO QUE FAZER XIXI!
Pois é, foi hilário. Um tempo da minha vida que recordo cada instante, tudo. 
E o melhor meninas, vocês ainda são as minhas melhores amigas!











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