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Onde é que eu , que você , que nós ...

                                           
                                                 Imagem: Rita Cristina Pires Freitas

Na paleta misturo os tons que preciso colocar no amanhã

as mãos  insistem em  uma decoração imersa na nostalgia.

Claudiane Ferreira



Onde é que eu fui parar
Aonde é esse aqui
Não dá mais pra voltar
Por que eu fiquei tão longe?
Tão longe ♪










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Esquecido


Assim é o tempo, cruel, indômito, impiedoso mesmo!

Antes eu era um Adônis, pele lisa, postura altiva, supremo...

Hoje estou perdendo os pelos, músculos flácidos, com granjas de galináceos circundando meus olhos, meio torto, meio estranho, um inteiro dissabor...

Do que me resta nada me sobra, a não serem as sobras ou quem sabe a sombra onde dormito, excluso que fui das graças da beleza.

Não fiz história nem de mim farão versos, vou ter de me contentar com o anonimato.

Não fabricaram ainda uma máquina do tempo ou fonte da juventude que preste, assim para mim não existe regresso, somente lembranças de quando os holofotes buscavam minha fronte.

Só resta dizer adeus, melhor rabiscar, por não ter a quem o dizer, e deixar de recado no mural do mercado com uma foto anexa, de quando eu ainda era o máximo. Quem sabe alguém se compadeça e me leve uma tigela de leite morno, para acalmar a minha pancinha* que não para de roncar.


Miau!







* Barriguinha

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Desafio 2º Aniversário - Mini-conto - 100 carateres

Mini-conto - 100 carateres




Estar dentro do Tubo, ser parte dos ingredientes, me impulsiona a transpor... Aguça meu eu lírico.

Claudiane Ferreira







Resposta:
Fora da receita não há medida. 
É necessário sabor para que o doce da vida tome forma.




Tubo de Ensaio: entalpia de palavras onde estar é não mais sair até a última letra ecoar poesia.

Carlos Neves



Resposta:
Uma a uma, as rimas e as pétalas são desfolhadas. Deixai-as voar e elas sempre ecoarão.



Na necessidade de jorrar meu ato literário; um ENSAIO presente se fazia; acudiu-me o TUBO.

Mochiaro

Resposta:
Da água da vida nascemos todos. 
A fonte vive no coração dos atrevidos.




A Vida tem Permanência no movimento infindo do mar; Fluidez no cotidiano e Fúria na contradição.

Ronaldo Savazoni

Resposta:
Sem o casulo a borboleta não seria. Na poesia da vida, rima o ritmo do coração com o palpitar da luz.




À forja da criatividade, foi o pequeno Tubo. Atingida a temperatura certa, cresceu e explodiu em magia.

Isa Lisboa


Resposta:
Brilha no Tubo a luz da mágica explosão 
que cada pluma lhe oferece.





UMA VIDA 
Era uma vez uma criança que nasceu, cresceu e morreu. 

EP. Gheramer

Resposta: 
Seja qual for o caminho escolhido, o importante é despertar cada instante da vida.




Aqui neste lazer, parte da minha felicidade quis crescer e escolheu permanecer.

Cássia Torres

Resposta: 
Seja qual for o destino, o importante é avançar... sempre!







Apressem-se, esta é a última chamada


Não se preocupem com suas bagagens

Vamos voar juntos


Claudemir Men@


Nota:
1. As "respostas" são da autoria de Dulce Morais
2. Todas as ilustrações dos mini contos são daqui




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Até logo mais

                                                                 Imagem: José Suassuna

Pai e filho visitam a cidade grande, era a primeira vez daquele menino de olhos esverdeados. Acabo de me perguntar se de fato o que ele me contou foi verdade ou se era apenas verdades inventadas para aguçar a imaginação de sua menininha. 
  
 Pai, estou com muita  fome.
 Antonio Amaro, quando o próximo boteco aparecer nós iremos parar para comer.

E o menino saiu correndo, segundo ele, e quando deu por si estava embaixo de uma saia rodada  que cheirava a bacalhau.  A mulher furiosa, ralhava e  balançava a saia para que ele saísse.

Quando enfim chegou ao bar, seu pai pediu empadas . Tudo ia bem quando de repente:

 Cruzes tem um coco de cabrito bem aqui nesse troço! Olhe
papai, falo a verdade!

Com certeza devo ter dado bastante risada, quando me contou que o que pensava ser coco de cabrito era uma azeitona preta. E foi assim que mesmo sem nunca ter visto um coco de cabrito sei qual é seu formato e cor. 

Claudiane Ferreira





Ao menino que ano mais tarde se tornaria meu pai , o meu sincero obrigado ...  Até logo mais.



♪ PaiPode crer

Eu tô bem 

eu vou indo...♪



" Todos os homens na Terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assunto mentais, com que te armarás, desde já, para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida do teus amores..."


 Joanna de Ângelis

Divaldo Pereira Franco




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Bumerangue


                                   
                                                           
            Art July Macuada


                Com o tempo você internaliza o quanto é essencial espalhar ...                           

  Energia emitida, energia recebida.

                               Claudiane Ferreira                            









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Ah,os sinais!


                                         Fotografia  de  Frans Lanting - National Geographic Creative

 Ah,os sinais !                                                       


Eles já eram observados a olho nu, o silêncio ocupava, ao mesmo tempo  em que se esvaziava.
                                                                                                                                                               Claudiane Ferreira 



 Dedico esse miniconto a todos aqueles que se lançam a novos desafios.


No miniconto muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de preencher as elipses narrativas e entender a historia por trás da história escrita.

O estadunidense Ernest Hemingway, é autor de um famoso miniconto, mas por trás do qual, há uma história de tragédia familiar:

"Vende-se: sapatos de bebê, sem uso".

Uma das definições do miniconto estabelece o limite de 150 caracteres (contando letras, espaços e pontuação)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miniconto


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Águia


Todos os dias, quando passava naquela rua, o vento levantava-se. Era forte, tão forte, que era preciso um grande esforço para resistir e avançar.
Um dia, num impulso, parou de resistir: sentiu que voava nas asas do vento, o frescor na cara, o ar nos cabelos.
Afinal, sempre fora águia.

Foto: Svetlana Belyaeva

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Efémera


Uma efémera nasceu (*). Espreguiçou-se e pôs-se logo a voar. Percorreu todo o céu que tinha ao dispor. Era feliz.
Aproximava-se a 24ª hora, olhou para baixo e observou os humanos: “Tantas vidas têm e andam sempre presos à terra, não voam” – pensou.
Como tinha já poucos minutos, esqueceu os homens e voou o mais alto que pôde. Até que, lentamente, e embalada pela brisa, caiu na terra, que só estava lá para acolher a despedida da efémera que foi feliz.”




(*) A efémera é o animal com vida mais curta no reino animal, durando, no máximo 24h.

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Choro de letras


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Dona de si




Ela queria, mas não podia. Não fez. Estava com o amargor dos dias na boca.

Não fez. Não quis. Mandou o dia aquietar-se. Mandou o mundo se amordaçar. Não queria. Mas, mudou de ideia. Fez. Abriu uma porta, abriu uma vidraça, lágrimas de corredeira, jogou tudo pela janela. As malas, as roupas, o passado, o amor.

Secou o pranto. Trancou-se. Jogou tinta no cinza.

Sorriu.

Foi ser dona da própria vida.

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